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A música conecta

Papo de Estúdio | Joao Ferrari fala sobre a Session View do Ableton Live

Às vezes a criação dentro do Ableton acaba sendo mais complicada do que parece ser, ainda mais para quem ainda está começando a produzir agora. Mas neste artigo o produtor Joao Ferrari traz algumas dicas para mostrar que esse processo pode ser bem mais divertido e fácil do que parece, com um resultado ainda mais humano, trazendo assim mais vida e simplicidade para suas obras. 

Para o paranaense, ao utilizar o minimalismo, torna-se mais fácil o ouvinte gravar o hook da música na sua memória, então deve-se buscar sempre pelo simples e funcional do que algo muito complexo. Ele ainda lembra que a emoção é o ponto-chave para criar momentos inesquecíveis independente do lugar onde a música for tocada. 

Joao Ferrari

Não trago verdades absolutas, apenas experiências que me ajudaram muito e que podem somar para você também.

Criação na “Session View”

Sei que muitos preferem utilizar a tela de arranjo para ir criando as suas músicas, mas dentro da Session View você pode criar tudo de forma mais rápida e precisa. Basta ir no menu edit, depois em Record Quantization e selecionar a opção Sixteenth-note quantization, que é a mesma das drum machines da Roland — mas você pode alterar o tempo para qualquer uma que achar necessário.

Depois disso, você pode jogar seus samples em um canal midi pelo simpler (basta arrastar o sample para dentro do canal midi ou adicionar o simpler no canal e depois arrastar o áudio), e tocar eles no modo piano do Ableton (mas não esqueça que para o sample tocar igual ao original, você precisa estar na nota C da terceira oitava, C3), utilizando o teclado do seu computador ou notebook para tocar e criar os grooves da sua música. Isso faz com que seja mais simples e humana, pois o dedo dá mais intervalo entre as repetições do elemento, criando mais groove.

Uma dica para melhorar isso é sempre tentar não tocar os instrumentos um em cima do outro, sempre ir revezando para criar pergunta e resposta.

Simpler

Tente sempre utilizar os envelopes de fade-in e fade-out, já que nesse formato de criação temos o simpler como ferramenta, modelando os samples escolhidos. Isso pode trazer aquele groove que falta, tirando o final de alguma coisa que pode estar embolando por cima de outros elementos. Então experimente sempre reduzir o final de cada elemento para conseguir realmente encaixar cada um no seu lugar, assim como o fade-in do começo do sample também abre espaço para os elementos.

Com isso você abre espaço para uma mix mais clean e mais presente. Outra opção de modificar o som original é utilizando o transpose; para dar um ar diferente, podemos adicionar o filtro do simpler e utilizar uma das opções de drive.

Slice

Modo do “Simpler” que descobri a funcionalidade há pouco tempo, mas acredito ser uma das funções mais interessantes, praticamente “simula” uma MPC, instrumento clássico do Hip Hop e também da música eletrônica. Possibilita reorganizar um sample e tocar ele de outra maneira (utilizando as notas do teclado do computador ou qualquer controlador midi), você basicamente seleciona partes do áudio e toca ele novamente do seu jeito, pode ser utilizado em qualquer loop que gostar, seja melodia, bateria, etc. 

É uma função mais utilizada na produção de Hip hop e Funk, mas se bem utilizada, podemos transformar todos os loops que achamos na internet para uma coisa nova, do seu jeito, então recomendo muito a utilização se você está buscando originalidade. Basta arrastar um loop de áudio em um canal midi para abrir o simpler, selecionar o modo slice e definir como vai funcionar o corte (Slice by), podemos selecionar por:

Transient: Possibilita dosar a sensibilidade do transiente, fazendo com que crie mais separações ou menos;

Beat: Nesse modo temos a opção “Division”, onde dá pra dividir as separações pelo grid (1/4 1/8…);

Region: Permite você selecionar em quantas regiões você quer dividir seu loop, entre dois a 64 cortes.

Manual: Nesse você pode fazer as próprias marcações.

Agora é só colocar em prática e deixar sua criatividade fluir.

A música conecta.

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