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A música conecta

Alataj entrevista LON

Por Nicolle Prado em Entrevistas 25.05.2023

A fusão do clássico e contemporâneo não é uma combinação inovadora por si só. Mas quando realizada de forma inteligente e bem estruturada pode se tornar, sem sombra de dúvidas, uma das duplas mais poderosas quando o assunto é música. Agora, acrescenta um pouco de autenticidade, produção impecável e arranjos contagiantes neste conjunto e teremos um resultado digno de ser chamado de obra prima. Essa é a química que LON tem desenvolvido com maestria, a ponto de ser considerado a principal aposta da nova geração do groove brasileiro – título que ele carrega por merecimento. 

LON é o novo projeto musical de Renan Veloci, um produtor, multi-instrumentista, DJ e compositor de São Paulo. Mesmo ainda jovem, o artista já possui um currículo de peso na indústria fonográfica com destaques para produções de diversos gêneros e artistas, turnês pelo país, apresentações em Ibiza e outros dois projetos musicais. No total, já são mais de 10 anos de bagagem e um amplo conhecimento sobre os mais diferentes estilos. Fato é que Renan é um daqueles artistas que pulsa música em cada detalhe da sua essência, e tem uma vida dedicada a essa paixão.

E agora, ele se prepara para um novo momento de sua carreira, dessa vez, focado em construir uma identidade sonora que transpareça toda a sua expertise e mostre ao mundo sua verdade, e principalmente, que ele está longe de ser um artista comum. Seu primeiro single como Lon, a faixa suor e sal foi apenas uma amostra do que ele estava preparando para esta nova fase. O caminho promissor que ele já vinha construindo se reforça ainda mais com o seu novo EP The Groove Journey, que chegou às plataformas no dia 19 de maio, de forma independente.

Com referências de Disco, House e Pop, com toques bem brasileiros, valorizando a Música Popular Brasileira – estilo que Renan possui muito apreço e sempre busca aplicar em suas produções, o EP se desenvolve em três faixas, cada uma delas representando momentos que vivemos durante a jornada da vida. Começando com peace of mind que fala sobre encontrar a paz de espírito, flawless sobre a busca pela perfeição e por fim guadalupe que discorre sobre as frustrações que nos impulsionam a ir atrás dos nossos objetivos. 

Assim se apresenta The Groove Journey: reflexivo e envolvente, como uma verdadeira viagem imersiva por essas emoções e sensações, ao mesmo tempo que te leva a se divertir e dançar ao som dos grooves que compõem a melodia. Com um lançamento poderoso como este, a curiosidade fala alto e queremos saber cada vez mais, por isso, convidamos LON para um bate-papo sobre sua carreira, influências e, principalmente, sobre o EP. Confira: 

Olá, LON! Seja bem-vindo ao Alataj, ficamos muito felizes de receber você por aqui. Como é a sua primeira entrevista por aqui, vamos começar te apresentando um pouco para quem ainda não te conhece. Conta um pouco para a gente como surgiu essa sua paixão pela música, se teve influência da sua família e como foram seus primeiros passos como artista…


LON: Olá! Obrigado pelo espaço. Comecei na música quando aprendi a tocar violão aos 8 anos e desde meu primeiro acorde vivo uma relação de amor (e ódio) com ela, rs.

Meu sonho de moleque era ser um rockstar no nível dos Beatles, sabe? Inclusive conheci eles através da minha avó. Já meus pais sempre foram do pop nacional, então passei longas horas fuçando lojas de CD, assistindo MTV e surfando na primitiva internet para descobrir novos artistas e gêneros.

Na adolescência formei algumas bandinhas de cover na escola, mas nem sempre o resto da banda tinha comprometimento ou queria seguir uma carreira. Foi no meio dessa frustração que um amigo me mostrou através do Daft Punk o que de fato era a música eletrônica.

Quando peguei gosto pela coisa e descobri que poderia fazer música sozinho, minha cabeça explodiu. A partir desse momento eu aprendi a discotecar, produzir e o resto é história…

A sua sonoridade como “LON” traz bastante influências de Brasilidades, Disco, House, Pop e Indie, e a gente também sabe que você já trabalhou com diferentes gêneros musicais. Quais artistas você considera como suas maiores inspirações e referências, principalmente no que diz respeito a este teu atual projeto?

O LON traduz o Renan de forma artística e musical, então faço questão das minhas referências serem bem presentes. Sempre fui bem eclético, inclusive você citou estilos bem distintos que fazem parte da minha formação musical.

Eu vim do rock, passei pelo rap, curti o pop, me descobri na música eletrônica, me encantei com o funk americano e fiquei apaixonado pela nossa própria cultura musical (sim, só depois de mais velho). Eu carrego todos esses estilos nos meus sets e produções porque quero pertencer à prateleira da boa música. Sem gêneros e atemporal.

Agora citando algumas das minhas referências: Mark Ronson, The Beatles, Jamiroquai, Daft Punk, Lincoln Olivetti, Tim Maia, Marvin Gaye, Rita Lee… A lista é gigante, mas aí estão alguns que influenciam diretamente no meu som ou que mudaram a minha vida.

A valorização da Música Popular Brasileira é algo que você tem buscado dar ênfase em sua identidade artística, seja em seus sets ou através de suas composições. Como é essa sua relação com a MPB? 

Eu sempre ouvi música brasileira, mas não por que eu queria. Meu negócio era rock gringo quando criança, mas ao longo dos anos passei a entender o que a música brasileira representava, sua complexidade e riqueza. Hoje me sinto mais influenciado pelas músicas nacionais do que as gringas. Não é à toa que o primeiro single que lancei foi a “suor e sal”, uma mistura de bossa nova com groove que representa minha interpretação sobre a cultura brasileira.

E como funciona o seu processo criativo para a criação de uma faixa? Quais elementos você mais gosta e procura ressaltar nas suas produções? 

Não tenho fórmulas. Cada vez que sento para criar o processo é diferente. Inclusive já percebi que quando repito por muitas vezes algum processo, os resultados não ficam do meu agrado.

Eu gosto muito da ideia de ter uma identidade sonora, é algo que me preocupo. Procuro sempre trazer linhas de baixo groovadas e deixá-las bem evidenciadas nas mixes.

Por exemplo, o EP que lancei agora conta com algumas faixas que produzi no começo do LON. Quando finalizei cada uma, veio aquele sentimento de “é isso” por conta da unidade que todas carregam ao se ouvir.

Você já teve várias experiências profissionais nesses quase 10 anos de carreira, inclusive dois projetos musicais e chegou até a tocar em Ibiza. Conta um pouco sobre essas vivências anteriores e quais os acontecimentos mais marcantes da sua trajetória como artista.

Eu comecei a discotecar em 2013, ainda com 17 anos. Nessa época eu usava meu sobrenome para me apresentar e a pegada de som caminhava pelo Deep House. Foi o começo de tudo.

Em 2015 surgiu a ideia de formar o Cool Keedz, duo em conjunto com o Rafael Shinohara. O projeto teve certa relevância no cenário comercial nacional, viajamos o país, tocamos na Amnesia em Ibiza, fomos capa de playlists gigantes, tivemos supports de artistas internacionais e a agenda era lotada. Eu fiquei ativamente no projeto até 2020, momento que eu decidi sair dos shows e me concentrar mais no estúdio.

Após isso eu cheguei a trabalhar em trilhas sonoras para clientes no meio de eventos e publicidade, além de produzir alguns artistas pop nacionais, como a revelação Dora Sanches.

Desde 2021 estou focado no LON e sigo muito animado para viver os próximos anos fazendo o que amo!

Você acaba de lançar o EP “A Groove Journey”, com três faixas que foram produzidas lá no início do projeto, porém nunca lançadas até então. O que te levou a aguardar até aqui para lançar essas produções? Elas passaram por mudanças nesses três anos “no forno” ou estão exatamente como foram feitas lá atrás?


As músicas que formam o EP deram a direção de onde eu queria chegar musicalmente com o projeto. De fato foram as três primeiras que eu mais me identifiquei e que mais transmitiam o que eu senti na época, afinal, o LON é a tradução das minhas verdades e sentimentos em forma de música e arte.

Mas para ser bem sincero, foi uma questão de calendário. O EP realmente já estava fechado há um bom tempo, apenas esperando a hora certa para ser lançado. É claro que eu até poderia mudar alguma coisa depois de tanto tempo, mas acredito que o que tinha de ser contado com elas, foi contado. Quem sentiu algo para criá-las foi o Renan de 2020, não o de 2023. É essa sinceridade que eu quero passar.

As três músicas de “A Groove Journey” representam alguns momentos chave da vida. Conta um pouco pra gente sobre o conceito do EP e a ideia por trás de cada faixa?

A ideia do EP é levar o ouvinte a uma experiência musical cheia de groove que conta sobre alguns dos desafios que buscamos durante a jornada da vida. Cada música relata essas buscas, como por exemplo encontrar a paz de espírito (peace of mind), o desafio de atingir a perfeição (flawless) e as frustrações que temos durante a jornada da vida, essa que nos dá força de vontade para correr atrás dos próximos desafio (guadalupe).

Todas as músicas foram concebidas durante a pandemia, período que para mim, artisticamente falando, foi sombrio e esclarecedor ao mesmo tempo. Então nada mais justo que trazer em forma de música algumas das frustrações que nos fazem evoluir durante essa “jornada” da vida.

Os vocais do disco estão incríveis e realmente nos guiam por essa jornada, dando ainda mais sentido para cada uma das faixas e suas representações. A composição das letras é totalmente sua? Como foi a produção nessa parte? 

Obrigado! O processo de produção das três faixas do EP foi bem parecido. O instrumental foi a primeira coisa a ser desenvolvida e só depois de estar muito bem definido começaram as ideias de letra.

A peace of mind é uma composição minha em colaboração com o duo Trianda, que assina os vocais da faixa. A letra retrata a minha busca pela paz de espírito durante o período pandêmico até encontrá-la. Curiosamente essa paz de espírito foi alcançada ao mesmo tempo que me reencontrei musicalmente como LON. Antes eu me sentia perdido e frustrado, mas depois, me senti preenchido e cheio de energia.

A flawless teve um processo de composição que eu prefiro chamar de montagem. Enquanto eu buscava por samples de vocal na internet para ilustrar o instrumental que compus, encontrei uma frase muito específica de melodia e letra boas. Quando acessei o pack que tinha essa frase, encontrei mais um monte de outras do mesmo vocalista. Foi aí que o processo de montagem começou. Tinham diversas frases sem sentido que eu precisei editar, encaixar no tom e com elas formar uma letra que fizesse sentido.

Eu tentei regravar e compor coisas novas com outros vocalistas, mas nenhuma chegou perto da perfeição (dentro da minha ótica) da montagem que fiz. Foi divertido!

Já a guadalupe teve um processo mais padrão. O instrumental já começou a ser criado em conjunto com o vocal que você ouve hoje, fruto de samples que busquei pela internet. Depois de fechar a música, passei a buscar por outros vocais que ilustrassem a faixa. Eu queria algo pop misturado com flow de hip hop, mas não encaixou.

No final das contas, a música ficou parada até eu encontrar um significado que fizesse sentido com a frase “guadalupe where have you gone”, e como você pode perceber, eu encontrei! Não poderia ter uma letra melhor para essa track. Gosto da sua misticidade e da maleabilidade de interpretação que as pessoas podem ter sobre ela de acordo com o que estão sentindo no momento.

E quais são os planos para LON em 2023? Tem alguma novidade chegando que você já pode adiantar para a gente? 

Já estou nos preparativos para o LON remixes vol. 02! O primeiro volume foi muito divertido de fazer e trouxe resultados que eu jamais esperei, afinal, foram as primeiras faixas do projeto.

Além disso, vamos disponibilizar mais DJ sets nas redes, incluindo o próximo be.ge.de.hê, um dos projetos que mais tenho orgulho de ter feito.

Para finalizar, uma clássica do Alataj: o que a música representa para você? Obrigada pelo papo 🙂 

A verdade, um estado de espírito, a coisa mais importante da minha vida.

A Groove Journey está disponível no Apple Music, Spotify e YouTube

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