O Breaking Beattz fechou 2025 com um gesto de consolidação: o lançamento do álbum de estreia O Novo Testamento, na última sexta-feira, 19 de dezembro, como síntese de uma transição de identidade que já vinha amadurecendo, identidade essa que tem a assinatura de Rafael Zocrato no som, conceito e comunicação. A chegada do disco também foi acompanhada de uma festa no Club Vibe, na mesma data de lançamento do projeto e aniversário do artista. Foi uma espécie de rito de passagem que organizou essa nova etapa com mais confiança e clareza.
O título funciona como um código interno de cena: “novo testamento” costuma nomear momentos que levam tempo para serem lapidados até virarem uma identidade sonora identificável. Aqui, o recorte é justamente esse equilíbrio entre o que já era reconhecível no Breaking Beattz — o imaginário do “bass de vagabundo”, o apelo direto de pista — e a abertura para um repertório mais pessoal de Zocrato, que cruza referências de Jamie Jones, Chris Lake e Michael Bibi com influências que não passam necessariamente pela eletrônica, como Djonga e Raul Seixas. A proposta não é trocar de perfil, mas ampliar o enquadramento: manter a espinha dorsal construída ao longo dos anos e, ao mesmo tempo, deixar aparecer com mais nitidez as escolhas que refletem o presente e futuro de Rafael.
Com 10 faixas, o álbum também se apoia em colaborações importantes com nomes como Fluxzone, Visage e Linkage, e foi pensado em uma sequência quase capitulada: as primeiras faixas apresentam a nova estética; Empurra opera como ponto de transição; do miolo em diante, o disco revisita uma versão mais raiz do som; e, na reta final, recupera o deep house que Zocrato tocava antes mesmo do Breaking Beattz existir. Singles como Izzin já deixaram esse caminho evidente, com timbres ácidos, bateria minimalista e uma abordagem cru que tende a funcionar pelo o que é, sem a necessidade de enfeites.
No saldo, O Novo Testamento aparece menos como uma estreia no sentido tradicional e mais como um marco de reorganização: o disco assume a história do projeto, mas reposiciona seu centro de gravidade para a assinatura individual de Zocrato, depois de anos de uma jornada de sucesso do Breaking Beattz enquanto dupla. A ambição de expansão e circulação internacional permanece no horizonte, mas o argumento principal está no agora — a ideia de que a continuidade do Breaking Beattz passa por uma linguagem mais própria, capaz de sustentar relevância sem depender de fórmulas já testadas em um cenário frequentemente homogêneo. Ouça o disco na íntegra: