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A música conecta

Lineup do New Dance Order abre mão de qualquer ousadia em prol da funcionalidade

Por Alan Medeiros em Análise 08.04.2026

Saiu o lineup do New Dance Order para a edição do Rock in Rio deste ano e, como já era esperado, o palco não traz qualquer ousadia em termos de curadoria internacional. Isso não é exatamente uma surpresa, visto que algo semelhante já havia acontecido na última edição do The Town ano passado. Ainda assim, o comparativo com o que já foi o palco de música eletrônica do festival acaba sendo um pouco frustrante.

Claramente, houve um entendimento de que uma curadoria mais avançada de música eletrônica não foi capaz de trazer o público do house e techno para comprar ingresso e curtir as atrações. As imagens de grandes nomes tocando para uma pista praticamente vazia certamente não são algo que os organizadores desejam ver e, portanto, é compreensível que a organização tenha recalculado a rota para entender melhor o que o New Dance Order pode ser dentro do festival.

Na minha leitura, essa interpretação é simples: trata-se de um palco que precisa funcionar para um público de fora da música eletrônica, como uma extensão do festival. Seja para um momento em que as pessoas queiram curtir algo diferente entre uma atração e outra, seja como um “after” dos grandes shows, a proposta agora parece mirar uma função mais ampla dentro da experiência geral do evento.

E aqui é importante dizer que não se trata de um lineup pequeno para edição deste ano, visto que nomes como Fatboy Slim, Steve Angello e Meduza estão confirmados. São grandes estrelas, que tocam no rádio e podem ser figuras conhecidas do seu tio do rock ou da prima do pop. Dentro dessa lógica, faz sentido pensar em uma escalação mais acessível e reconhecível para além do público já convertido da cena.

O destaque positivo fica por conta da curadoria nacional, com muita gente talentosa, construindo grandes carreiras e que, sem dúvida, merece estar lá. A ideia dos b2bs também foi interessante, colocando lado a lado nomes como Eli Iwasa e Camila Jun, Leo Janeiro e simo not simon, Alok & Family e outros. Há um esforço evidente em valorizar artistas brasileiros dentro de uma configuração que busca uma comunicação mais direta com o grande público.

É de se lamentar a ausência de nomes como Kerri Chandler, Roza Terenzi, Len Faki e outros grandes artistas que já passaram pela curadoria da organização, seja no Rock in Rio, seja no The Town. Mas, novamente, é compreensível, e a “culpa”, se é que isso pode ser dito, está no próprio resultado que essa proposta entregou enquanto esteve em prática. Desejamos aos DJs brasileiros uma grande experiência no festival.

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