Lomike é resultado de um processo. Um processo que começou a se desenhar ainda na infância, muito antes de qualquer entendimento sobre pista ou carreira. Em casa, a música eletrônica já circulava com frequência através dos pais, que frequentavam festivais com atrações que iam de Skazi e Infected Mushroom até nomes do EDM. Mas a formação de Lomike não se limitou a essas referências. Desde cedo, ele cultivou uma curiosidade por pesquisar e ouvir o que poucos conheciam, construindo uma biblioteca musical própria, guiada por seus filtros e descobertas ao longo do tempo.
Aos 10 anos, a bateria eletrônica foi seu primeiro contato prático com a música. Mais do que um instrumento, foi o início da sua compreensão de ritmo, tempo e groove. Aos 13, a produção musical se apresentou como um novo caminho, marcando um momento em que ele não apenas consumia música, mas já buscava entender como ela era construída. Aos 16, a música eletrônica e a discotecagem se tornaram um ponto sem volta, e a paixão de infância por descobrir sons só se aprofundou. Essa base eclética e a escuta contínua de registros que moldaram a cultura de clubs — soul, disco, jazz — foram os alicerces para sua identidade sonora.
A relação de Lomike com a música se construiu longe do imediatismo, foi guiada por curiosidade, aprofundamento e por uma escuta desenvolvida ao longo do tempo, ancorada nas raízes que precedem a lógica digital. Elementos do electro dos anos 90 e 2000, da italo house e de linguagens contemporâneas se manifestam hoje em seus sets, sustentados por groove, tempo e controle. Sua formação dialoga diretamente com a cultura clubber de Chicago e Detroit, além da cena underground europeia — referências que ele continua acompanhando atentamente. Artistas como Frankie Knuckles, Kerri Chandler, Egyptian Lover, Detroit in Effect, DMX Krew e Aaron Carl são alguns que influenciaram diretamente sua estética, mostrando que ele não replica estilos, mas entende de onde eles vêm.
Entre 2021 e 2023, o estúdio foi o centro do projeto, um período de intensa criação e desenvolvimento pessoal que rendeu os primeiros suportes de nomes como Jamie Jones e Cloonee. Foi nesse intervalo que diferentes fases, referências e testes começaram a se organizar em algo mais coeso, como uma evolução natural do processo. Já em 2024 e 2025, a pista passou a ocupar o papel principal, com experiências em diversos contextos que refinaram sua habilidade como DJ e solidificaram sua identidade, um “reposicionamento” construído sem pressa e de forma genuína. Agora o projeto entra em uma fase de amadurecimento, onde som, imagem e comunicação se alinham para expressar uma identidade sólida e coerente em todos os sentidos.
Vale pontuar que, ao longo dessa jornada, Lomike acumulou marcos importantes. Suas passagens pelo D-EDGE, incluindo um closing set após Priku, foram momentos de virada de chave em sua expressão como DJ. O Club Vibe e o Starlight, em Brasília, onde tocou para cerca de 7 mil pessoas, demonstram sua capacidade de construir uma fanbase e se conectar com grandes audiências. Recentemente também viu sua faixa unreleased Moans sendo tocada por ninguém menos que Michael Bibi em um evento na Tailândia, reflexo de um caminho que vem sendo trilhado com consistência.
O lançamento da faixa Castle pela PNK de Miami, no final de 2025, e os suportes de artistas como Skream, Mochakk, SOSA, Prok & Fitch e Kidoo atestam o reconhecimento de seu trabalho. Além disso, o projeto Diário de Um Artista no YouTube serve como um espaço para expor suas ideias, referências e opiniões pessoais, aprofundando a conexão com seu público. Seu foco agora está em ser um artista que busca elevar o nível de curadoria, incentivar a originalidade e representar uma nova geração de talentos brasileiros que enxergam a música e a arte com profundidade.