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A música conecta

Raio X | Knorst

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 05.05.2026

Knorst é um produtor e DJ brasileiro com uma carreira construída de forma consistente. Construiu uma base sólida na cena do sul do país e agora, gradativamente, tem expandido seu nome a nível internacional, principalmente por conta de suas produções. Com passagens por selos como Diynamic (de Solomun), Nu Moda (Max Styler), Natura Viva, Bunny Tiger e Zatar Records, além de sua própria gravadora TRM Records, Knorst está naquela fase de transição de um artista validado localmente para um projeto que começa a ganhar escala em diferentes níveis.

Sua trajetória não é marcada por nenhum momento ‘viral’, mas por uma construção pensada para o longo prazo. Apresentações em palcos como Universo Paralello, Sunset Sessions, Colours e Cultive jogaram luz sob seu nome no país; gigs na Argentina, em 2026, incluindo a Desert In Me, o introduziram para um público mais amplo na América Latina e reforçaram a expansão internacional também na pista. O suporte de artistas como Solomun, Four Tet, Meduza, Vintage Culture e Eli Iwasa apenas confirmaram que seu trabalho de estúdio pode ocupar diferentes tipos de sets e contextos.

Seus dois lançamentos mais recentes, o EP Keep Moving pela Diynamic e o single Don’t Stop pela Nu Moda atestam seu crescente nível técnico. Olhando para a estrada percorrida até aqui, é possível identificar alguns aspectos que ajudaram Knorst a chegar neste momento mais consolidado da carreira. Este é o Raio X do Alataj.

A herança da cena psicodélica

Knorst cresceu musicalmente imerso na cena psytrance, um universo de texturas expandidas, grooves hipnóticos e busca por estados alterados coletivos, uma herança que não desapareceu quando ele se moveu em direção ao indie dance e ao tech house, mas foi ressignificada. Seu som atual de certa forma carrega aquela levada envolvente e progressiva que caracteriza o psytrance — a ideia de que a música cresce, se expande, e conduz a mente a novos lugares.  As texturas que ele seleciona e produz mantêm esse aspecto sensorial, mas são convertidas em uma linguagem mais atual da cena, sempre considerando a questão narrativa e a progressão emocional.

A influência das sonoridades oitentistas

Os anos 80 nunca saíram do som de Knorst. New wave, dark disco, italo disco, synthwave, são algumas referências que permanecem presentes ao pensar no groove, na melodia e na atmosfera que será criada. Há momentos alegres e luminosos vindos do italo disco, mas também linhas mais misteriosas e hipnóticas do dark disco com sua atmosfera mais densa. O som nem sempre “limpo” dos synths dos anos 80 também estão lá, já que a ideia não é buscar a perfeição, e sim um som mais textural, explorando o que de melhor essa estética tem a oferecer.

O acúmulo de experiência ao longo de quase duas décadas

Para chegar no momento de carreira atual com o reconhecimento de grandes nomes, foi preciso testar, errar, aprender e absorver todas essas experiências para seguir refinando seu som. A maior parte desse trabalho não está em lançamentos ou apresentações, mas em decisões do dia a dia tomadas ao longo de quase duas décadas sobre o que fazia sentido manter e o que não. Foi o que deu a clareza sobre qual é o seu verdadeiro som e em qual contexto ele funciona melhor.

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