Editorial

Editorial | O ambiente da música eletrônica é lugar de mostrar a sua verdadeira identidade visual

*Conteúdo em colaboração com Panuh Clothing

Se olharmos brevemente para as páginas que fazem a introdução sobre a história da música eletrônica, é possível perceber que tais movimentos contraculturais vão muito além do que se enxerga no óbvio. O House, Techno e o Trance, por exemplo, não são só estilos musicais e seria simplista categorizá-los assim. Essas potências na verdade são respostas à crises sociais que germinaram através da criatividade de pessoas que, via de regra, foram esquecidas pelo Estado. Com raízes políticas inquestionáveis, tais movimentos percorreram o mundo levando uma mensagem intrínseca: questione-se sobre tudo o que for tradicional (e reflita rapidamente sobre o quão grande é isso).

Com um convite tão tentador, que derruba pilares provenientes do “normal”, pessoas que não sentem pertencimento (pouco ou algum), seja por ser parte de uma minoria discriminada ou simplesmente por ser um indivíduo que não concorda com tais “valores” impostos, o ambiente que se construiu com o passar dos anos revela, em suas camadas mais profundas – ou melhor dizendo, undergrounds – que nessa pista você realmente poderá trazer sua identidade, mostrando genuinamente quem você é, desprendendo-se de possíveis inseguranças, porque a decodificação feita pelo outro, já não importa mais. 

E uma das formas mais fluídas para esse tipo de manifestação à verdadeira essência é através da identidade visual. Afinal, quanto mais disruptivo aos olhos, melhor. A prova disso é o próprio movimento clubber dos anos 80, que parece ter reacendido nas novas gerações. Pode ser que nem todas as pessoas, no primeiro momento, entendam, mas como falamos acima, para quem decide cruzar a linha do conveniente, isso nem mesmo importa, aliás, é um dos objetivos principais. Quanto mais estimulados nós formos ao diferente, melhor. O efeito disso? Aprender a respeitar, simples assim.

Claro, nem tudo são flores e não estamos aqui para pregar utopias. Mas, no contraponto das dificuldades que se encontra ao abraçar tudo aquilo que quebra padrões, podemos afirmar que a pista de dança hoje, é, além de tudo, um convite para o autoconhecimento. É nesse ecossistema urbano e dinâmico, que você poderá expor as ideias mais improváveis e, definitivamente, poderá deixar para trás padrões de beleza irreais, assumindo seu corpo do jeito que ele é, transmutando incertezas em atos de amor a si. Além disso, é nesse local interativo que você poderá aprender… e muito!

Talvez, a ponta do iceberg, para muitas pessoas que se encontram em uma metamorfose, seja a liberdade de expressão visual, ou minimamente a via de acesso mais rápida,  já que é através de seu próprio corpo que algo poderá ser comunicado. Seja por transpor padrões de beleza ou por uma atitude ousada, que revela um corpo que por vezes foi oprimido, vestir-se ou montar-se faz parte do processo e quase sempre, perdura. Nessa linguagem você pode escolher entre as tantas camadas que interagem entre o confortável para dançar, o vanguardista para mostrar vertentes como a moda ou o bizarro para triturar zonas de conforto. 

Porque na música eletrônica o lema “festa estranha com gente esquisita” é super bem-vindo também. Estamos falando de todas as festas? Não, ainda não estamos, mas assim como tudo na vida, é necessário buscar seu lugar de pertencimento e fazer as ideias germinarem. No cerne da questão, como um ato político e ritualístico, é sim possível afirmar que tudo o que esteja na contramão das vias da normalidade social, será acolhido. A começar pela forma que você se comunica através de seu corpo. 

Por isso, na próxima vez que estiver na pista de dança e seu primeiro pensamento for algo de caráter julgativo, desfaça a ideia e construa um novo raciocínio tentando enxergar o que está sendo dito naquilo que te incomoda, por que incomoda e se você simplesmente não deveria somente respeitar e nada mais. Quando estiver pronto o suficiente, enalteça e elogie as diferenças. São elas que movem o mundo… sem elas você nem mesmo estaria na pista dançando.

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A música conecta.