Afinal, o que é ser DJ?

Apostamos que você abriu essa matéria pensando em uma resposta. Apostamos também que você pensou em algum momento inesquecível que viveu em que o(a) artista estava lá, tocando a música certa no momento certo. Pois bem, que pergunta… afinal, simples ela não é, já que se desdobra em tantas outras: Quais as habilidades técnicas necessárias para ser considerado um DJ? Qual o impacto dessa profissão nas relações sociais desde o seu surgimento? O que essas figuras representam na sociedade moderna em que vivemos hoje? Apesar do tema se abrir em outros inúmeros questionamentos além dos que colocamos aqui, vamos tentar escrever um pouco sobre o assunto.

Começando pelo seu significado e mesmo que você já saiba, é sempre bom lembrar. Um Disk Jockey (DJ) é uma figura que seleciona diversas músicas trabalhando suas composições para apresentá-las a um determinado público. Essa comunicação com o ouvinte pode acontecer pelas ondas do rádio, clubs, shows, festivais, eventos comemorativos diversos, dentre tantas outras possibilidades. Onde quer que se encontre uma pessoa misturando músicas em um equipamento capaz de realizar esse trabalho podemos ver um DJ. Essa função nasceu alguns anos antes do nascimento da música eletrônica. Rock’n Roll, R&B, Disco, Hip-Hop, entre outros estilos já eram mixados principalmente nas estações de rádio, até o surgimento das danceterias.

Grandmaster Flash no UIC Pavillion em Chicago, Illinois (1982)

Em princípio os DJs das danceterias utilizavam apenas discos de vinil para unir uma música após a outra e, como elas tinham velocidades diferentes, ajustava-se no pitch e no próprio disco a velocidade certa para que ambas caminhassem no mesmo ritmo. Os toca-discos são conectados a um equipamento de mixagem onde conseguia-se manipular as diferentes frequências da música. A partir daí tira um pouco do agudo daqui, coloca um pouco dali, tira todo o grave de uma, coloca todo grave de outra e tchanam! O DJ era capaz de criar uma nova composição e fazer uma transição harmônica. Era não, continua sendo. É justamente essa mesma prática que é reproduzida até hoje e que é o principal diferencial entre um (ou uma) artista e outro.

Há quem diga que a figura que não sabe mixar em um vinil não é DJ. Há quem diga que não importa a forma com que realize o seu trabalho e de onde sai a música. Há quem diga também que apertar o botão do sync (que cola as batidas automaticamente) é uma vergonha sem tamanho! É uma discussão que dá muito pano pra manga, convenhamos. Mas, deixando isso de lado, a figura do DJ foi ao longo dos anos se tornando tão imprescindível quanto outras dentro de uma sociedade, que busca na música não apenas uma forma de entretenimento mas também conforto, paixão, lembranças e tantos outros sentimentos.

No cenário da música eletrônica o DJ se tornou uma figura muito popular e que movimenta bilhões através de clubs e festivais. Se antigamente ia-se a um club sem sequer saber quem estava tocando, hoje a maioria vai aos clubs justamente por conta de um nome em especial. Artistas com títulos de celebridades como rockstars e posições de tamanha moral que são invejadas e almejadas por muitas outras pessoas. Você que está lendo essa matéria agora é DJ, ou tem um amigo DJ ou ainda tem um amigo que conhece um DJ. Todos querem sentir aquela conexão positiva com público, que é tão mágica que só estando nessa posição para entender o que estamos falando. Mãos para cima, palmas, vocais cantados por uma multidão e uma pista inteira dançando. É realmente especial.

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O DJ, através da sua seleção musical e técnica de mixagem, é capaz de levar as pessoas ao delírio, trazer sentimentos de nostalgia, criar um universo paralelo e conversar com pessoas sem dizer uma só palavra. Como artista musical é muitas vezes a maneira com a qual algumas pessoas se expressam pois não conseguem fazê-la de outra forma e aí é que se encontra a mágica. Em uma sociedade tão conturbada, cheias de expectativas, concorrências, desigualdade e tantas outras questões que nos norteiam, a pista de dança é o escape necessário para liberar angústias, esquecer do mundo e ser plenamente feliz ali, naquele momento.

Ser DJ também é comprometimento e muito profissionalismo. Horas de pesquisa, horas de estudo, prática, tentativas, erros, acertos, ansiedade (vocês artistas sabem do que estamos falando), preconceito de familiares e pessoas conservadoras, muita luta para garantir seu lugar dentro de um mercado acirrado e em uma constante crescente sem previsão de desacelerar. Em tempos modernos é também ter contato com o público pelas redes sociais, mostrar seu trabalho de diversas formas, buscar agências e se reinventar constantemente dentro do que propõe. Ser DJ é resiliência, persistência, muita vontade e um amor incondicional à música e a profissão.

Para nós do Alataj o DJ é simplesmente um dos maiores pilares que mantém vivo este site que você acompanha. Honestamente, poderíamos escrever parágrafos e mais parágrafos sobre essa linda profissão que respeitamos, admiramos, pesquisamos e temos o prazer de compartilhar com vocês todos os dias. A ideia é basicamente essa, mas como você pôde perceber, ela pode ser retratada de tantas formas que terminamos esta matéria te perguntando: Afinal, o que é ser DJ?

A música conecta.