Entrevistas
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Alataj entrevista Arthur Robert

Explorar o Techno para além da potência. Texturas, ambientações e demais detalhes, não são coadjuvantes no trabalho de Arthur Robert, muito pelo contrário, são aspectos que definem a profunda identidade do artista, e sua estima pela conexão enigmática, hipnotizante e intrínseca. Para quem não o conhece, Robert é um dos nomes do estilo que viu a expansão de seu trabalho nos últimos anos, sobretudo, após sua relação com o label de Len Faki, o Figure.

Nascido em Viena, Arthur Robert é um apaixonado por música e pela produção musical – paixão esta, que além de fazer grande parte de seu cotidiano, também o levou ao compartilhamento de seu aprendizado para alunos e entusiastas da música eletrônica. Com lançamentos que também bebem das influências do Break e do Electro, o som do artista é uma mescla singular.

Nesse fim de semana, o artista faz sua estreia aqui no Brasil na festa da Nin92wo, e ainda estica sua aterrissagem nas pistas do D-EDGE. Batemos um papo pra lá de interessante com Arthur Robert, para saber um pouco mais sobre as expectativas de suas apresentações aqui no Brasil, e mais detalhes de seu EP duplo, Metamorphosis, que saiu pela Figure. Confira!     

Alataj: Olá Arthur, tudo bem? Obrigada por conversar conosco. Você vem trilhando um excelente caminho no cenário underground europeu, e ao que parece, esse é um dos seus melhores momentos de carreira até aqui. Você sente o mesmo? Como está sendo para você o ritmo desses últimos tempos?

Arthur: Estou bem obrigado, a caminho do Brasil para me apresentar para vocês. Eu sinto um grande impulso na minha vida. Eu tenho trabalhado com música por muitos anos e agora posso concluir que as coisas estão indo muito bem, estou fazendo mais e mais shows, sou convidado a tocar ao redor do mundo, o que é satisfatório e reconfortante ver finalmente acontecendo. Quanto ao ritmo, tem vindo a aumentar um pouco mais ultimamente e por isso é bom de ver. Estou certo de que em um futuro próximo e nos próximos anos, o ritmo aumentará consideravelmente. Pelo menos eu espero.

De acordo com as palavras-chave que você assinalou em sua bio no Resident Advisor, e também correlacionando seus lançamentos mais recentes, algumas das principais vertentes que influenciam suas composições, além do Techno, são o Jungle e o Breakbeat. Acompanhando o cenário contemporâneo, vemos que esses subgêneros vêm retornando com força em artistas na nova geração, e com uma nova roupagem. O que você tem achado do retorno deste movimento, e o que mais converge com suas influências? Essa estética mais recente, ou os clássicos do oldschool?

Para ser bem honesto, tenho produzido mais dessas coisas nos últimos anos. Eu tenho uma forte inclinação para muitos gêneros off-shot como os que você mencionou. Ambiente, experimental, Trip Hop também são muito importantes para mim. Ah, e música de filme! Design de som. Todas essas coisas informam minha música. Quanto ao retorno, todas as coisas funcionam em ciclos, parece. Mesmo a tendência mais rápida no BPM acabará desaparecendo. Tudo vem e vai. Somos nós que devemos permanecer consistentes e prolíficos ao longo de nossas carreiras.

Recentemente, tivemos o prazer de ouvir o EP duplo, Metamorphosis, que saiu pela Figure nas últimas semanas. Percebi bastante a influência do Ambient nas duas partes do EP, e a evidente presença de múltiplas texturas ao longo das faixas, trazendo um aspecto de contraste interessante entre elas. O que te inspirou na criação do Metamorphosis, e como se deu o processo produtivo deste trabalho?

Como já mencionado na resposta anterior, adoro Ambient e Trip Hop/Downtempo. Também gêneros mais rápidos, como Drum and Bass ou Breaks. O processo de produção é sempre o mesmo. Eu gravo minha música ao vivo em uma grande jam session e então simplesmente corto as partes boas. Tudo é gravado em um canal mestre, então praticamente não há pós-produção. Uma tomada, uma gravação. Se não for bom o suficiente, você tem que tentar melhor. Essa é a essência do meu método e filosofia. Eu trabalho melhor e mais rápido assim.

Sua conexão com a Figure é algo que vem ganhando cada vez mais consistência, desde o lançamento de Arrival Pt. 1 em 2020. Como começou sua relação com Len Faki, como tem sido para você, fazer parte de uma gravadora de alto calibre, como a Figure?

De fato, faço parte da Figure desde abril de 2020. A jornada foi agradável e um ótimo aprendizado. É meu primeiro trabalho de verdade com uma gravadora mais conhecida. Meu relacionamento com Len é amigável, converso com ele sobre muitas coisas e temos uma comunicação aberta que valorizo. Podemos falar sobre muitas coisas, tanto particulares quanto de trabalho e eu valorizo ​​a boa abertura que recebo dele e da gravadora. Eles têm milhas a mais de experiência do que eu neste campo.

Nesta semana, você faz suas estreias poderosas em pistas brasileiras. A primeira, na Nin92wo, e na sequência, no comando da cabine do D-EDGE. Como estão as suas expectativas para esse debut?

Minhas expectativas para esses shows são as seguintes: eu me preparei da melhor forma que pude, com muitas músicas minhas inéditas e também de amigos e colegas, para proporcionar a melhor experiência aos ouvintes e dançarinos. Eu sei que minha parte está feita. É o único sobre o qual tenho controle real. O resto estou curioso para ver como se desenrola. Sinceramente, espero pouco, porque essa é a melhor maneira de se surpreender e evitar se decepcionar.

Sobre a Nin92Wo, como se deu a aproximação com o label? Você já acompanhava os trabalhos da gravadora até aqui? Existe a possibilidade de vermos um lançamento futuro do Arthur Robert pelo catálogo do label?

Fui abordado pelo meu colega produtor Marcal, primeiro para ser convidado a vir ao Brasil e tocar lá e ao mesmo tempo contribuir com uma faixa para a gravadora. Foi assim que me envolvi. Já faz algum tempo que troco músicas com o Marcal, toco muitas músicas dele e adoro. Funciona muito bem em uma pista de dança. Quanto ao futuro, resta saber…

Além de suas apresentações ao vivo, e de seus trabalhos em estúdio, você também dedica seu tempo à mentoria de produção musical. Como é seu perfil de alunos, e quais os principais desafios e retornos que você tem absorvido nesse projeto conjunto de ensino?

No que diz respeito às minhas aulas e alunos só posso afirmar que foi uma das experiências mais gratificantes e enriquecedoras da minha vida. Sempre sonhei em ter um mentor para me ensinar, mas nunca consegui. Então eu tive que me tornar um eu mesmo. Tenho alunos de todo o mundo e continuo recebendo mais à medida que meu perfil profissional continua crescendo. Recebo a maioria dos meus pedidos pelo Instagram. É inacreditável. Eu amo isso!

E quanto aos próximos passos do seu projeto? O que podemos esperar de novidades para esse segundo semestre?

Sinceramente, gosto de manter as notícias trancadas nas sombras porque acredito que é melhor mostrar resultados fortes do que proclamar coisas que podem nunca acontecer. Eu tive essa situação no IST, embora as coisas tenham sido prometidas e parecessem certas de acontecer. Mas garanto que tenho um lançamento solo de vinil em uma boa gravadora planejado para agosto, se tudo correr bem. Esperamos que os atrasos da planta de prensagem não sejam muito loucos novamente.

Para finalizar, vamos com uma clássica do Alataj: o que a música representa pra você?

Música é vida, música é paixão. Música é tudo. Eu amo meu trabalho, me sinto muito abençoado por fazê-lo. Obrigado a todos que tornam isso possível, sou eternamente grato!

A música conecta.