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Alataj entrevista Lauer

O que esperar de um artista que teve seus primeiros contatos com a música eletrônica logo de cara com um dos clubs mais conceituados do cenário mundial? Coisa pouca não poderia ser e assim é Phillip Lauer, ou apenas Lauer, como é conhecido. O alemão moldou sua identidade sonora acompanhando de perto a história do icônico Robert Johnson, club situado em Frankfurt que reúne os melhores artistas do cenário underground em nível global e é palco de sets emblemáticos e comentados ano após ano.

A boa relação com o RJ não se resumiu apenas enquanto participante da pista de dança e o artista até hoje mantém uma relação muito próxima com esse time, não apenas enquanto DJ assíduo, mas também como produtor constante nos releases do selo do club, Live At Robert Johnson. Além desse, Lauer também faz parte de um seleto grupo de artistas que já lançaram em labels importantes como Beats In Space Records, Brontosaurus, Permanent Vacation e Running Back, gravadora de Gerd Janson.

Aliás, é com Gerd Janson que ele compartilha de projetos igualmente conceituados como Tuff City Kids e Black Spuma. Definitivamente um artista para prestar atenção e manter sempre em seu radar. Tivemos o prazer de conversar com ele sobre esses temas e outros assuntos bem interessantes e o resultado você confere agora.

Alataj: Olá Phillip, como está? Muito obrigado por falar conosco! Você mora em Frankfurt, uma cidade muito movimentada quando falamos em música eletrônica, portanto você deve ter vivido essa cultura intensamente. Como você relaciona isso com a música que você produz e toca hoje em dia?

Lauer: Olá, estou bem. Obrigado por me receber. Na época da Alemanha Ocidental, Frankfurt era uma das principais cidades da música neste país antes de Berlim assumir o controle. Havia bastante indústria musical na cidade também, especialmente distribuidoras independentes de música de Techno e House e eu trabalhei para uma delas por mais de 12 anos. Por outro lado, ao mesmo tempo, eu não gostava muito da cena Techno ou daqueles famosos clubes de Techno. Eu era um garoto do skate, gostava de Hip Hop e tocava em bandas Punk e quando comecei a entrar na música House eu que era uma antítese de botas de búfalo, um cara candy raver da Love Parade (festival de Berlim), que era o que o Techno representava para mim. Um cara muito bobo, olhando para ele agora.

Nós notamos uma progressão entre os primeiros trabalhos de sua carreira enquanto produtor e os de agora. Consegue fazer um paralelo entre o Lauer do início e o que é hoje em dia? Quais foram as inspirações que o levaram para a linha sonora que você segue hoje?

No início dos meus dias como DJ de House Music eu gostava religiosamente do House de Detroit. Os sons ásperos e empoeirados de Theo Parrish ou Moodymann eram a melhor coisa do mundo para mim. Isso provavelmente se escuta nas minhas primeiras gravações, super deep, rhodes piano etc. Mas isso mudou quando eu comecei a sair mais regularmente, principalmente no Robert Johnson.

Encontramos registros seus utilizando equipamentos vintage da década de 80 que tem um sample rate inferior se comparados aos padrões de equipamentos atuais. Conte-nos um pouco sobre essa paixão e como você faz para encaixar esse tipo de sonoridade em suas músicas?

Eu nunca gostei de produções de ponta/tecnicamente perfeitas. Não sou um perfeccionista mesmo e todas aquelas máquinas mais antigas simplesmente parecem mais interessantes para mim, mas eu não chamaria isso de paixão.

Você participa de outros projetos paralelos: Arto Mwambe, com CB Funk; T&P, com Tim Sweeny; Tuff City Kids, com Gerd Janson; e Black Spuma, também com Janson e Mark Barrot. Qual é a vantagem de trabalhar com mais mentes pensantes na hora da criação? Como você concilia o processo de produção de todos esses projetos, não apenas em relação a sua agenda, mas também em relação às linhas sonoras que cada um segue?

Mais mentes pensantes no estúdio, significa: eu tenho que pensar menos. É realmente uma coisa de “amigos curtindo“ na maioria das vezes. É divertido gravar coisas juntos. Todos jogam na roda suas contribuições e por causa disso todas essas gravações colaborativas têm seu próprio som. Claro que nunca existe um conceito. 😉

O club Robert Johnson é para nós uma das maiores referências da música eletrônica e ele faz parte da sua carreira desde o início. Como aconteceu essa aproximação? Como você avalia a influência do club para a sua carreira e também dele como um todo para a cultura da música eletrônica mundialmente?

Robert Johnson abriu bem na época em que comecei a sair, que feliz coincidência! Eu ia lá quase todo fim de semana e ouvi todos os grandes DJs ao longo dos anos. O booking e curadoria foi e ainda é incrivelmente bom, sou basicamente mimado musicalmente. E é claro que teve a maior influência no meu gosto musical e nas minhas produções. Obrigado, Ata! (sic)

Importante: por favor, apoie RJ para passar com segurança por esses dias de Corona. Eles têm algum tipo de projeto de crowdfunding (seeousoon.love)!!

Você é um artista recorrente nos labels LARJ e Permanent Vacation com releases importantes em sua carreira através deles. No caso dessas gravadoras, o que geralmente vem antes, a faixa ou o convite? Há alguma diferença no processo de criação quando você produz para cada uma delas?

Estou na posição de sorte que todas as pessoas que dirigem essas gravadoras se tornaram amigas ao longo dos anos, então é bem tranquilo Na maioria das vezes eu sei qual gravadora estará lançando a música antes de eu produzi-la e eu não acho que há alguma diferença em como eu abordo as faixas para cada selo.

Falando em LARJ, soubemos do lançamento futuro de um VA pela gravadora Live At Robert Johnson em homenagem ao grande Andrew Weatherall, figura muito importante no cenário da música eletrônica mundial que merece toda a reverência pelo trabalho desenvolvido. De alguma forma o artista influenciou na maneira com que você enxerga música eletrônica? Existe alguma relação entre seu sentimento por ele e a faixa criada para esse VA?

Nunca conheci A.W. pessoalmente, mas eu o via suas apresentações com frequência no Robert Johnson, pois ele era um frequentador assíduo de lá desde o início. Para ser honesto, naquela época eu era cético. Todo mundo era tipo “ele é o melhor DJ do mundo” e eu não tinha certeza. Ele tocava bastante Techy naquela época. E também, normalmente quando todos concordam em algo assim tão vigorosamente eu tenho o reflexo de discordar. Mas ao longo dos anos eu descobri mais sobre todo o seu trabalho e coletei um pouco de sua música e devo dizer que ele foi um verdadeiro gênio e também uma grande influência para mim. Ele fará falta ! (Só idiotas nunca mudam de ideia … certo?) Mammarella e eu nos sentimos honrados em fazer parte desta compilação!

Estamos passando por um momento nunca vivido na história do entretenimento. O coronavírus, além de ter obrigado uma pausa nos eventos e abertura de clubs, também obrigou artistas a se reinventarem como um todo, se comunicando com o público através de lives e redes sociais, passando horas e horas dentro do estúdio ou até mesmo buscando alternativas para se manter economicamente. Como você tem passado neste período? Como você avalia este momento para os artistas?

Estou aguentando. Me sinto privilegiado por morar no campo, fora da cidade, então todo o lockdown foi mais como um longo domingo para mim. Economicamente é claro que é um desastre, como para todos na cena club. Então vamos todos agir como humanos responsáveis, manter distância, usar máscaras quando necessário e esperar até que acabe. Dedos cruzados! Só posso falar por mim, mas descobri que não viajar todo fim de semana tem um efeito positivo no trabalho do estúdio – é mais fácil me concentrar nas coisas.

Para finalizar, uma pergunta tradicional do Alataj. O que a música representa em sua vida?

Pergunta difícil! Eu diria: uma saída. Ouvir e fazer música ainda me faz feliz depois de todos esses anos. Eu me sinto muito sortudo por poder viver assim.

A música conecta.