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A música conecta

Raio X | GUI2IN

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 17.03.2026

O mercado americano de tech house e minimal deep/tech tem olhado cada vez mais para o Brasil em busca de novos nomes, e GUI2IN começa a aparecer nesse radar. Grandes selos já apostaram em seu som e o lançamento The Party, pela Black Book — que alcançou Top 6 no Beatport e Top 2 entre álbuns — ajudou a colocar seu nome na atenção de artistas como Chris Lake, Fisher e Cloonee. Uma construção gradual que, depois de mais de uma década, começa a ganhar visibilidade além das fronteiras.

O momento que melhor resume esse percurso aconteceu em 2025, quando GUI2IN foi a Miami esperando apenas conhecer os DJs que vinham apoiando suas músicas. O que não esperava era terminar a noite no palco ao lado de Chris Lake, durante o showcase da Black Book Records, a convite do próprio. Por trás desse crescimento gradual, quatro aspectos específicos explicam como GUI2IN vem construindo uma identidade sonora própria dentro de um dos movimentos mais relevantes da música eletrônica atual.

Este é o Raio X do Alataj.

A nostalgia do electro house da década de 00

Uma das marcas mais distintivas do som de GUI2IN é o uso consciente do electro house dos anos 2000 como referência. Suas escolhas de sintetizador e a energia geral de suas produções carregam uma textura específica daquela era, traduzida para o contexto contemporâneo. O resultado é um som que soa familiar, mas não datado, funcional para as pistas mas com uma personalidade que o minimal mais asséptico raramente tem.

Entre o minimal brasileiro e o tech house americano

GUI2IN opera num espaço sonoro específico, algo que para explicar de forma mais literal, fica entre o som de Beltran e o de Max Styler. De um lado, o groove descompromissado e disruptivo do minimal  brasileiro; do outro, a energia e funcionalidade de festival do tech house americano. Seus lançamentos por labels renomadas do cenário como Black Book, Thrive e IN / ROTATION (sub-label  da Insomniac), combinados com suportes de vários big names, mostram que seu som preenche uma lacuna entre essas duas cenas.

A identidade rebelde refletida no som

GUI2IN carrega o arquétipo do “bom rebelde”: alguém que foi ignorado por um bom tempo pelo mercado brasileiro enquanto construía silenciosamente uma presença internacional. Essa postura está no seu som. Seja através dos grooves pesados, dos sintetizadores agressivos ou de uma energia de pista que se encaixa para diferentes tipos de públicos.

Mais de uma década de formação

DJ desde os 13 anos, GUI2IN chegou aos 27 com uma bagagem técnica e artística construída sem pressa e longe dos grandes centros da cena nacional. Foram mais de 10 anos acumulando experiências sem o impulso de um hit ou o respaldo imediato do mercado. Essa formação ajuda a explicar tanto a maturidade de suas produções quanto a clareza de seu posicionamento: um artista que sabe exatamente quem é e o que quer. 

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