Dados divulgados pela organização britânica de redução de danos The Loop indicam que a potência média das pílulas de MDMA no Reino Unido em 2025 foi quase o dobro da dosagem considerada comum para um adulto. Segundo o relatório 2025 In Numbers, a média encontrada foi de 195 mg de MDMA por comprimido, enquanto referências usadas por organizações de redução de danos costumam situar doses individuais bem abaixo desse patamar — geralmente entre 80mg e 120mg.
Ao longo dos últimos 12 meses, a The Loop analisou 430 comprimidos de MDMA: mais de 97% continham acima de 100 mg da substância, cerca de 40% ultrapassavam 200 mg e 2,7% superaram os 300mg. O levantamento também incluiu 1254 amostras no total, entre pílulas, pós e cristais, com presença significativa de MDMA, cocaína e ketamina, além de outras substâncias como 2C-B, anfetaminas e tusi — este último frequentemente composto por misturas de MDMA, ketamina, cafeína e corantes.
O relatório chama atenção ainda para a detecção pontual de catinonas sintéticas, como 3-CMC e 4-CMC, estimulantes que costumam aparecer como adulterantes e que aumentam a probabilidade de efeitos adversos. Em contrapartida, nenhuma das amostras testadas apresentou traços de nitrazenos, opioides sintéticos associados a mortes recentes no Reino Unido. Para além dos números, o diagnóstico reforça um ponto já recorrente no debate sobre economia noturna e cultura de pista: em um cenário de substâncias cada vez mais potentes e imprevisíveis, informação e políticas de redução de danos deixam de ser acessórias para se tornarem estruturais.