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Alataj entrevista Leo Janeiro

Se você quiser saber mais profundamente sobre a história e panorama geral do cenário eletrônico brasileiro e num âmbito bem amplo desse assunto pergunte ao Leo janeiro. Com quase três décadas dedicadas à música, Leo é um dos poucos artistas que já rodou por todo o país como DJ em diversos momentos da evolução do eletrônico no Brasil, sendo uma das figuras mais respeitadas entre profissionais do meio. A verdade é uma só: não conhecemos uma pessoa que não goste de Leo Janeiro.

Isto porque sua contribuição não se resume à discotecagem. Leo é participante ativo da cena de diversas formas: como produtor, curador e integrante do time do Brazil Music Conference, ativo em diversos projetos musicais como o LK e também fundador e curador do label Cocada Music em parceria com a Get Physical, gravadora que valoriza e impulsiona os talentos da América do Sul e que já conquistou um patamar respeitável no Brasil e cada vez mais espaço mundo afora.

Em tempos de isolamento social, Leo Janeiro tem sido figura ativa em suas redes sociais, comunicando-se através da música e também com bate-papos muito interessantes com artistas em sua página, além do Bagagem de Mão, uma série de conversas semanais com pesquisadores e amantes do vinil juntamente com Kaká Franco na página do instagram do LK. 

Já deu pra perceber que Leo Janeiro tem conhecimento de sobra sobre música e sua cultura. Convidamos ele para nos dar suas opiniões sobre o momento que estamos vivendo, carreira, Cocada Music e muito mais. Acompanhe.

Alataj: Olá, Leo! Tudo bem? Muito obrigado por falar conosco. Como tem passado por estes dias de isolamento? Sua rotina mudou muito desde o primeiro dia?

Leo Janeiro: Obrigado! É sempre um prazer bater um papo com vocês. Sobre o isolamento, um dia de cada vez (meu novo mantra). Vivendo uma nova rotina, ressignificando o tempo e dando mais espaço para novas ideias nascerem. Na minha cabeça mudou bastante coisa, principalmente meu olhar sobre as coisas simples. Venho reaprendendo a organizar a vida e o trabalho, redescobrindo minhas prioridades.

Em quais soluções você tem mirado para os próximos meses? Você acredita em uma volta dos eventos ainda este ano?

Eu estou trabalhando atento às oportunidades dentro do mercado da música com essa nova realidade. Estou abrindo minha própria editora musical e auxiliando alguns artistas a entender melhor a questão dos direitos autorais e estudando. Estou finalizando a criação de um curso on-line que tem como objetivo ajudar artistas a transformarem sua música no seu próprio negócio.

Qualquer previsão sobre a retomada dos eventos no Brasil é impossível neste momento, precisamos primeiro sair do pico da pandemia. O planejamento é bem-vindo, mas com muito cuidado pois o novo “normal” vai exigir grande esforço coletivo. Eventos devem ser as últimas atividades coletivas a voltar, com certeza num novo modelo e com regras bem rígidas. Eu confio que a ciência vai poder nos ajudar muito também.

Quais foram as principais carências que essa crise escancarou em nossa cena? Você acredita que artistas e players pensarão na rentabilidade da música eletrônica depois que isso tudo passar?

Pra mim alguns pontos são importantes. Nenhum mercado estava preparado para este “shut down” completo. Apesar de em circunstâncias normais termos grandes empresas movimentando milhões em torno de festas e eventos, impulsionando a economia e criando centenas de empregos diretos e indiretos, neste momento não temos representatividade dentro da política, sequer um plano emergencial que olhe para o setor cultural. Diante disso, os artistas estão buscando soluções, se reinventando. Estamos entendendo como nos mover mesmo com tudo parado. É muito desafiador mas também acredito que novas oportunidades estão à caminho.

Para mim, já está claro como o ambiente digital se tornou o novo palco para conectar, aprender, produzir e vender. Vai existir um novo e especial momento pós pandemia, estou positivo sobre este momento.

Você esteve envolvido com diferentes e importantes projetos da cena nacional nos últimos anos. Como tem sido participar disso tudo em especial agora, nesse período que estamos passando?

Bacana estar envolvido em muita coisa diferente. Basicamente tudo tendo a ver com o mercado que eu trabalho, música, produção, gravadora, projetos de curadoria, enfim… acho que tudo acaba sendo bacana porque te conecta com várias possibilidades e várias outras realidades. Nos últimos anos, graças a Deus, eu tenho conseguido fazer muita coisa bacana e que têm entre si uma certa conexão. Por exemplo, ser curador do Brazil Music Conference (BRMC) tem uma conexão para fazer curadoria de outros projetos. Enah acaba me conectando também com a possibilidade de conhecer novos artistas, estar trabalhando em diferentes objetivos, porque, por exemplo, os labels que eu trabalho são muito distintos entre si. E os projetos que eu vou me envolvendo no percurso são projetos que tem um pouco a ver comigo também.

Eu nunca gosto de me envolver em algo que talvez eu não possa dar uma contribuição bacana. Acho que também com a experiência que você vai adquirindo do mercado, a expertise, conhecer as pessoas e poder também entender a ideia de quem traz pra você um projeto e você estar envolvido nele ou então “vou chamar o Leo” porque tem a ver com a maneira que ele pensa ou com a maneira que eu possa ajudar isso é muito bom porque parte do princípio que alguma coisa eu posso acrescentar ali naquele intuito. E eu sempre desde muito cedo tive essa vontade de me conectar com muita coisa, sempre consegui me conectar também de uma maneira muito bacana e autêntica. Eu acabo seguindo um processo que é: tem a ver com música? Tem a ver comigo? Tem um porquê de ele existir? Se sim, então posso ajudar. Raramente eu me envolvo em projetos que talvez eu não possa contribuir. Mas eu acho que nos últimos anos eu tenho dado sorte porque são projetos diferentes que conversam de maneira pessoal e caminham paralelamente, então um projeto pode ajudar no outro, mas sem interferirem entre eles.

Sobre o Cocada Music, label em parceria com a Get Physical, que tipo de artistas e músicas vocês buscam para o projeto

O Cocada nasceu da ideia de conectar artistas latino-americanos e promover boa música trabalhando ao máximo o potencial de cada release.

Neste momento, mais do que nunca, percebo que o artista precisa se encontrar naquilo que lhe dá tesão; sua música é o retrato da sua entrega e da energia que ele deposita no processo. Nós já sacamos que é preciso ter essa liberdade criativa fluindo, esses são os artistas que estamos tentando achar.

São quase três décadas dedicada à música e dentro dessa história você deve ter passado por muitas situações que lhe renderam grandes aprendizados. Se o Leo Janeiro de hoje pudesse falar algo para aquele jovem em início de carreira, o que seria?

Talvez me faria entender mais sobre quantas maneiras diferentes podemos trabalhar dentro da música, demorei um pouco para ver isso. Hoje percebo o quão importante é ter tido muitas experiências no  mercado. Além disso, teria comprado mais discos, alguns eu acabei perdendo em mudanças e sinto falta (risos).

Para finalizar, uma pergunta pessoal, repensada para os tempos modernas. O que a música representa na sua vida, especialmente em tempos de pandemia?

Ah, a música é uma das coisas mais importantes da minha vida. Com certeza absoluta, é a alma de todo encontro consigo mesmo e com o outro. 

A música conecta.