NiCe7 NiCe7 NiCe7 NiCe7 NiCe7
NiCe7 NiCe7 NiCe7 NiCe7 NiCe7
NiCe7 NiCe7 NiCe7 NiCe7 NiCe7
NiCe7 NiCe7 NiCe7 NiCe7 NiCe7

Alataj entrevista NiCe7

Considerado um dos projetos mais interessantes dentro do Tech House, o duo NiCe7 se mantém firme no propósito criativo de simplesmente fazer a pista dançar – e muito! Com faixas enérgicas e visivelmente destinadas à pista de dança, Nicola Daniele e Cesare Marocco despontaram no cenário desde a aparição do remix criado por eles para a faixa Colombian Soul dos consagrados D.Ramirez e Mark Night. A partir de então entregaram uma infinidade de releases muito bem recebidos pelo público e colegas de profissão.

O sucesso não veio de uma hora pra outra. A dupla italiana vinda da região montanhosa de Abruzzo já se conhece há muito tempo, desde a adolescência, quando já experimentavam e brincavam com a mistura de synths, samples e batidas, além da discotecagem. Um tempo depois, Cesare partiu para Milão para estudar arranjo e engenharia de som, enquanto Nicola despontava como DJ em gigs por toda a Itália. Em 2005 eles se reencontraram e passaram a produzir como NiCe7. O resto você já imagina.

Com passagens importantes por gravadoras conceituadas como Defected DFTD, Great Stuff, Noir Music, Get Physical e Suara Records, a dupla fundou seu próprio label, D-Floor, por onde também apresentam seus projetos criativos. Agora, NiCe7 lança mais um trabalho, dessa vez em parceria com o também italiano Leon. O EP Please Don’t Leave será lançado nesta sexta (22) e disponibilizado no Beatport pela Crosstown Rebels, selo de Damian Lazarus, e traz um remix do russo Serge Devant. A gente bateu um papo com o duo sobre sua história e esse novo trabalho. 

Alataj: Olá pessoal, tudo bem? Que bom que estão aqui conosco. Vocês iniciaram a relação de vocês muito cedo, ainda na adolescência, então não poderíamos deixar de perguntar sobre o início dessa trajetória. Como se deram os primeiros contatos com a música eletrônica? Desde o início já imaginavam que esta seria sua profissão?

NiCe7: Oi pessoal, obrigado por nos receber! Sim, começamos na adolescência. Naqueles anos não havia internet e não era fácil obter um conhecimento mais amplo sobre produções musicais e djing em geral.

Nós dois começamos a entrar em contato com dance music através do rádio e, a partir daí, nunca paramos para estudar e crescer na indústria da música. Tínhamos 17 e 18 anos quando passamos uma temporada como djs residentes no mesmo clube em nossa pequena cidade… que bela experiência juntos!

Sempre seguimos nossos sonhos tentando criar – e tocar – boa música, mas é claro que não conseguimos imaginar viajar pelo mundo inteiro trazendo nossa própria música para clubes e festivais incríveis nos cinco continentes.

A Itália possui uma bela reputação em relação ao cenário da música eletrônica, com excelentes artistas e um público caloroso. Como foi a relação com esse cenário no início da carreira de vocês? Como vocês enxergam a Itália em relação a cultura eletrônica hoje?

Achamos que a Itália é um lugar muito agradável para se viver. Há tantos italianos fazendo grandes coisas na música eletrônica, mesmo que em gêneros e estilos muito diferentes.

No início de nossa carreira fomos afetados por toda a cena House italiana. Havia muitos grandes DJs tocando sets incríveis e isso nos ajudou muito a crescer e a manter nossa pesquisa musical e horizontes.

Temos certeza de que a Itália continuará lançando talentos e estrelas em ascensão no futuro. Espero que tudo volte à normalidade em breve. Temos clubes, festivais e lugares muito bons, onde os jovens podem viver boas experiências de música eletrônica.

Sua biografia conta que vocês se separaram por um determinado período. Um foi estudar e outro permaneceu como DJ. Esse afastamento foi proposital para a carreira de vocês ou o reencontro aconteceu ao acaso? Há algo desse período afastado que vocês aprenderam e levam para a carreira da dupla além do conhecimento técnico?

Como vocês já sabem, somos amigos desde sempre, mas nunca tivemos a ideia de fazer um projeto em dupla antes de decidirmos fazer algumas músicas juntos após o período da universidade. Sempre estivemos em contato durante esses anos, mas também desenvolvemos projetos musicais separadamente.

O melhor foi que tivemos um resultado incrível imediatamente quando decidimos juntar forças em 2005 e a música que fizemos foi forte e muito apreciada desde o primeiro momento.

Vocês possuem uma extensa lista de releases por gravadoras imponentes como DFTD, Noir, Great Stuff e Get Physical, além do seu próprio label D-Floor, com faixas muito dedicadas à pista de dança. Vocês acreditam que esse espírito criativo enérgico fez a diferença para serem notados? Como vocês avaliam essas parcerias com super selos de música dentro da carreira?

Vocês estão absolutamente certos, sempre criamos música para pistas de dança.

Quando você pensa em uma faixa para a pista de dança, a energia e o espírito são sempre dedicados a fazer as pessoas seguirem o clima certo, e a energia é o elemento certo a ser lembrado. Você sempre precisa pensar nos sentimentos que pode criar na pista de dança, mesmo se estiver fazendo um ritmo mais dinâmico ou uma track muito enérgica.

É claro que nos sentimos honrados por ter a possibilidade de trabalhar com grandes gravadoras. Sempre é bom quando você pode falar, lidar e trabalhar com pessoas muito profissionais e também pode aprender sempre algo das “grandes armas” do mercado .

Nós temos nosso próprio selo há alguns anos e não seria possível da maneira certa sem ter uma experiência tão grande na indústria da música como artistas.

Falando em produção e gravadoras respeitadas, está para ser lançado o novo EP Please Don’t Leave, criado em parceria com Leon. Como surgiu a ideia desse projeto? Como se deu o processo criativo do EP?

Em 2018, quando estávamos juntos com Leon no showcase da nossa gravadora no The BPM Festival no México, nos encontramos com Damian Lazarus que nos convidou para sua festa do Day Zero em Tulum. A atmosfera era mágica e inspiradora, e foi nessa noite que começamos a criar uma faixa que representava nossa experiência compartilhada.

De volta à Itália, passamos três dias juntos em nosso estúdio em Roma trabalhando para recriar a atmosfera que sentimos naquele evento. Nós o enviamos para Damian e ele adorou à primeira vista, então quis lançar pela Crosstown Rebels. Esta é a história por trás de Please Don’t Leave 🙂

Sabemos que a escolha de um remixador para uma faixa nem sempre é fácil, já que a nova versão da música vem de uma mente diferente da sua. O  EP também conta com o remix de Serge Devant. Como se deu a escolha do artista? 

Fizemos uma lista com alguns possíveis remixers para isso. Gostamos muito do Serge e sua música e nós pensamos que seu nome poderia ser perfeito para trazer a faixa para um humor diferente.

Vivemos um período atípico no mundo inteiro, que invariavelmente nos obrigou a parar, refletir e, para muitas pessoas, repensar não apenas no cenário da música e trabalho, mas também em nós mesmos como seres humanos. Sendo assim, nem sempre é fácil manter o foco e a criatividade em dia. Como estão lidando com esse período? O que vocês esperam do cenário da música eletrônica após o Coronavírus?

Nesta parada “forçada” tivemos mais tempo para pensar sobre nós mesmos, nossos objetivos de vida e nossa maneira de pensar em geral. Estamos presos há mais de dois meses e tivemos sentimentos diferentes passo a passo.

No início, tivemos uma fase muito positiva e criativa, lançando ideias para novas faixas como rolos compressores 🙂

Semana a semana começamos a entender que nossas vidas seriam diferentes por um tempo, não poderíamos viajar para outros países, fazer todas essas coisas normais e esse sentimento não seria muito útil para nossa criatividade.

A propósito, temos muitas músicas novas prontas e estaremos juntos a partir da próxima semana no estúdio para finalizar muitos projetos e ideias, por isso estamos muito empolgados em estar “quase de volta” ao nosso estilo de vida normal, esperando pela normalidade voltar em breve.

Para finalizar, uma pergunta mais íntima. O que a música significa para vocês?

Música para nós é essa forma de arte mágica. Em uma palavra: emoções. A boa música tem o poder de tocar sua alma e mudar seu humor, trazê-lo de volta aos dias de um passado distante ou de um futuro próximo.

A música conecta.