Spice & Music | Silverlining compartilha deliciosa lista de seus pratos preferidos pelo mundo

Foto por katgreen.net

Se tem algo que os DJs com alta demanda aproveitam além de festas e palcos são as refeições que acontecem entre apresentações. Claro que nem sempre será aquela refeição digna de se instagramar, a exemplo de um fast food entre um traslado e outro, mas é bem comum que os contratantes levem os DJs para desfrutar um bom prato antes da gig. Afinal, além da energia ser necessária, os momentos onde a comida está envolvida acabam sendo mais descontraídos e, por muitas vezes, o único momento onde contratante e artista podem conversar sem a pressão que a noite exerce em seu funcionamento.

No Spice & Music de hoje recebemos Asad Rizvi, artista britânico que, por trás do alias Silverlining, ajudou a formatar o que a cena de House underground de Londres seria nos anos 90 ao lado de artistas como Pure Science, Casey Hogan e Terry Francis. Asad também faz parte de projetos que são aclamados por qualquer DJ como Appleheadz junto a Charlie Inman e Memory Tree, duo formado com seu amigo de infância, Ian O’Brien. 

O próximo lançamento de Silverlining será um álbum duplo, que marca as comemorações de seus 25 anos de carreira. Simulacra sairá pelo seu próprio selo, Silverlining Dubs.

Sendo um artista que viaja o mundo todo há pelo menos duas décadas, ele é o convidado perfeito compartilhar experiências gastronômicas e, como a coluna chama Spice & Music, vou sugerir que você dê play nessa coletânea com os maiores sucessos do produtor enquanto lê essa viagem pelo globo através da gastronomia.

Silverlining

A vida na estrada pode oferecer uma mistura colorida de experiências alimentares. Um dia você pode se encontrar mimado com uma culinária luxuosa por promoters e no próximo você estará lutando para encontrar um croissant podre e um café sombrio no aeroporto. No entanto, os pratos que mais me interessam são os que as pessoas comuns comem, a comida do dia a dia dos países que visito. Estou muito mais curioso para experimentar o que famílias e amigos fazem quando estão juntos, ao invés de qualquer alta gastronomia, por mais que eu também goste. Quando você está longe de casa, a comida do dia a dia nos deixa um pouco mais perto de entender as pessoas que você está visitando. 

Essas são algumas das experiências gastronômicas mais memoráveis ​​que tive ao longo dos últimos 25 anos em turnê, algumas exigiram certa coragem para provar, mas acredito que uma vez em um país, a imersão em sua cultura precisa ser total.

Turquia

Créditos: Getty Images/Istockphoto

Além de passar um ano da minha infância em Ancara, eu já toquei muito em Istambul. Lá, pude saber qual é, sem dúvidas, uma das minhas formas preferidas de começar o dia, o típico café da manhã turco, ou Kahvalti. Trata-se de um delicioso pão Simit, coberto com sementes de gergelim, com uma espécie de queijo Feta turco, Beyaz Peynir e um prato de nozes, azeitonas, mel e pastas. A combinação distinta de queijo, nozes e mel é o que o torna maravilhoso para mim. O chá preto turco também é obrigatório para acompanhar.

Bulgaria

Foto por Silverlining

O país em que provavelmente mais toquei ao longo dos anos, o qual criei certos rituais sempre que visito. Um deles é, antes de tudo, comer um dos pratos mais famosos do país, a salada Shopska. É uma receita muito simples, consistindo simplesmente de tomates, pepinos, cebolas, pimentão vermelho, queijo Sirene e salsa, coberta apenas com sal, óleo de girassol e vinagre. A magia deste prato está nos ingredientes, todos locais. A espécie dos tomates que vão nessa salada são chamados de Tomate Bife por conta de sua suculência e textura. Eles são os melhores tomates que já comi em qualquer lugar do mundo. Pepinos Gergana, outra iguaria da Bulgária, também são muito mais aromáticos do que os disponíveis em outras partes da Europa, e o queijo Sirene tem uma acidez sutil que realmente extrai todos os sabores. Embora alguns países vizinhos – como a Macedônia, Sérvia e Romênia – contestem suas origens, o resultado final é uma salada incrível. A Shopska é prato que indico para desjejum depois de uma noite intensa. Geralmente acompanhado com uma bebida alcoólica nacional, Rakia, embora não se deixe enganar pelo copo e beba de uma vez como eu fiz por engano quando conheci a bebida; você vai se machucar! A Raika foi feita para se apreciar, assim como um bom vinho.

Croácia

Créditos: ICroatia.ru

Definitivamente, a Croácia não é local mais indicado para vegetarianos, mas se você gosta de frutos do mar, o país é um paraíso. As águas límpidas do Adriático fornecem alguns dos melhores peixes que já experimentei na Europa. Uma das minhas refeições favoritas é o risoto preto (Crni Rizot), também encontrado no norte da Itália. É uma variação do risoto, à base de lula, com o arroz cozido na tinta de lula. Seu aroma único é obtido pela adição de vinho de sobremesa croata (Prošek). Embora seja um pouco pesado, funciona como um ótimo alimento energético antes de um longo set.

México

Tepoztlán Market. Foto por Silverlining

Sem dúvidas, uma das minhas experiências culinárias favoritas no México foi visitar o mercado municipal de Tepoztlán, nos arredores da Cidade do México. Lá você pode experimentar muitos dos tacos típicos, como Cecina e Frango. Mas o recheio que realmente me pegou de surpresa foram os Chapulines, ou  gafanhotos salteados!

Chapulines. Foto por Silverlining

O sabor me surpreendeu mais do que eu esperava, embora as pernas tendem a ficar presas nos dentes! Se você é vegano, você pode se aventurar enchendo seu taco com flores de hibisco!

Japão

Foto por Hardie Grant/Nassima Rothacker/PA

O sushi precisa de pouca introdução, mas não vou negar que sou viciado em comida japonesa. Meus amigos em Tóquio costumavam me chamar de Sushi Head porque eu ia às barracas de rua todos os dias. Uma vez no Japão, não deixe de provar uma tigela de udon ou ramen, com tofu frito e cogumelos Enokitake.

Créditos: TasteAtlas.com

Em certa ocasião, muitos anos atrás, fui convidado a comer uma especialidade japonesa, torisashi, também conhecido como sashimi de frango.

Por mais alarmante que isso possa parecer aos ouvidos ocidentais, é preciso lembrar que no Japão tudo é feito com perfeição. O animal é meticulosamente e eticamente criado para este prato e refrigerado imediatamente para evitar qualquer contaminação. É cortado em fatias finas, depois selado e servido com sementes de gergelim, sal, cebolinha ou wasabi. Depois de superar minhas próprias barreiras psicológicas, fiquei agradavelmente surpreso com seus sabores e textura delicados, com o frango derretendo na língua. Ainda assim, depois de experimentar uma vez, provavelmente irei me limitar ao noodles e ao sushi da próxima vez.

Estas são apenas algumas memórias, mas posso falar sobre comida de todo o mundo por horas. E toda essa conversa só me deixou com fome.

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A música conecta.