Who?

Who? Andras

Já parou para pesquisar sobre como os veteranos da música eletrônica produziam suas faixas, qual era o propósito dos movimentos culturais da época e quais as dificuldades enfrentadas para atingir o resultado desejado? Imagina-se que, principalmente pela falta de recursos tecnológicos, os percalços eram muitos. Mas, pensando bem, a cada geração vê-se novos conflitos e obstáculos a serem ultrapassados e hoje, apesar de termos em uma tela de computador grandes possibilidades no mundo da produção, trazer algo diferente, inovador e com um propósito marcante é raro e valioso.

Esse tema se confunde muito com o trabalho desenvolvido pelo australiano Andrew Wilson, mais conhecido como Andras ou outros aliases como FKA ‘Andras Fox’, Art Wilson, Wilson Tanne e Andras & Oscar. O jovem de apenas 32 anos encontrou uma fórmula perfeita de habilidade técnica de alto nível dentro do estúdio e uma maneira criativa de apresentar sonoridades. 

Partindo do princípio, o som de Andras tem como base o House underground dos anos 90 e a música ambiental com uma roupagem sutil, ambientações suaves, vocais agudos e secos, mas que combinam perfeitamente na composição musical. Você encontra Jazz, Soul, instrumentação de baterias eletrônicas marcadas e sintetizadores contidos. Agora, e se a gente disser que o que você escuta de Andrew Wilson vem diretamente dos sons que escuta de onde ele mora e tudo isso com um propósito de valorização das riquezas naturais de seu país? Na nossa visão, o que já é bom para os ouvidos fica ainda melhor.

Andras orgulha-se em dizer que faz música eletrônica australiana. Se você não sabe o que é um som australiano não se preocupe, mas convidamos a ouvir as produções do artista, pois através delas é possível entender que tem ali tem algo de diferente, regionalista, uma ambiência diferenciada. Isto porque grande parte de suas produções traz elementos do quintal de sua casa, no subúrbio de Melbourne, um jardim repleto de espécies nativas e introduzidas, com flores, bichos e melodias sob os pés e perceptível aos ouvidos. 

O artista objetiva valorizar a cultura musical do país, mas dando seu próprio toque a ela, procurando descobrir pequenas contradições na maneira como australianos gravam e apresentam música. Em uma entrevista ele explica isso melhor, questionando “por que usar o canto do pássaro lunar euro-asiático comum em faixas de estúdio, quando temos a maior diversidade de pássaros canoros em qualquer lugar da Terra aqui na Austrália?”

O resultado é um som tão leve quanto a natureza que tanto agrada aos ouvidos quanto intriga pela sua composição diferenciada. É claro que essa forma diferente de enxergar e produzir música chamou a atenção de conceituadas gravadoras, incluindo Beats In Space, de Tim Sweeny, e Public Possession. Ele também tem a própria gravadora, Pulp, para poder compartilhar sua música com o máximo de liberdade possível.

Além do trabalho em estúdio, Andrew apresentou programas de rádio, compôs trilhas sonoras para dança contemporânea e compilou reedições de música australiana para o selo cult Efficient Space, sempre buscando viver sua cultura intensamente, mas traduzi-la com a leveza intrínseca da natureza.

Conecte-se com o artista | Bandcamp, Discogs, SoundCloud 

A música conecta.

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