Renato Ratier é um visionário. Há 15 anos o empresário que deu seus primeiros passos dentro da música eletrônica em Campo Grande, vem transformando a cena nacional com seus projetos, que sempre se estabelecem com raízes fortes e um olhar atento ao futuro. Sua mais nova empreitada é a OLGA, gravadora que deve desempenhar importante função artística dentro de suas marcas administradas. A label já nasce com uma filosofia forte e com potencial para se tornar referência no mercado das gravadoras nacionais e internacionais. Além disso, possui um time de profissionais do mais alto gabarito para pensar e executar todo o planejamento. China é parte da curadoria do selo, Marcelo Madueño é o label manager e Raphael Gaiani é o art designer. Atentos a esse início promissor de trabalho, conversamos com Renato Ratier, que nos contou tudo o que você precisa saber a respeito da OLGA. A música conecta as pessoas!

1 – Olá, Renato! Muito obrigado por nos atender. Podemos começar falando sobre a curadoria artística da OLGA. Qual são as linhas de som que estão sendo buscadas para os releases da gravadora?

Nossa busca de estética sonora não está atrelada as necessidades de mercado, ao que o público quer ouvir, mas sim atender ao que o artista quer apresentar… afinal nós disseminamos cultura, não entretenimento. Temos um time de produtores dentro de um gênero maior, o Techno, mas que possuem linhas de som variadas, o que é um reflexo da nossa cultura local. Procuramos incentivar que cada artista utilize o que tem de melhor para enfim criarmos uma sonoridade especifica no futuro… ou não. Ambas possibilidades nos agradam bastante.

2 – Podemos dizer que a D-EDGE Records passará a ser um sub-selo da OLGA ou as gravadoras terão curadorias e metodologias de trabalho diferentes?

As duas gravadoras tem curadorias complementares, trabalhando lado a lado. A D-EDGE Records abraça diversos gêneros e estilos, recebendo uma gama maior de artistas, novos e veteranos. Já a OLGA é focada em Techno e possui um casting maduro e restrito de artistas, eventualmente recebendo contribuições de produtores convidados. A metodologia de trabalho é a mesma para as duas, que receberam novas estratégias de distribuição e promoção.

3 – Os lançamentos serão focados exclusivamente no mercado digital ou há a intensão de produzir algumas mídias físicas, como o vinil por exemplo?

Estamos começando com lançamentos digitais porque eles tem um maior alcance global e atendem a necessidades (e restrições) do mercado local, porém existirão lançamentos Digital/12” e “vinil only” conforme o selo ganhar notoriedade. Todos estarão disponíveis nas principais lojas de vinil da Europa e EUA. e na lojinha que estamos inaugurando dentro do D-EDGE.

4 – Essa é uma pergunta que certamente será respondida inúmeras vezes no futuro. Por que “OLGA”?

O endereço original do D-EDGE é na Alameda Olga, n 170. Quando escolhi o nome, pensei no resgate as origens, a conceitualização através do caráter humanista em uma estética baseada no abstrato, e ao DNA inovador que permeia pela história do clube que celebra em 2015 seus 15 anos.

5 – Quais são os diferenciais que estão sendo pensados para esse início de trabalho em termos de promoção de lançamentos e artistas?

Utilizamos da nossa assessoria de imprensa local e internacional para atingir os principais nichos (nacionais) e grandes mercados (internacionais) que são consumidores da música eletrônica conceitual. Reviews em revistas, entrevistas em rádios gringas, charts e promomixes fazem parte da nossa nova estratégia para aumentar a visibilidade e relevância do que lançamos.

Criamos um promo list que comporta big names, track selectors, jornalistas, label managers e formadores de opinião que receberão através do app Inflyte as músicas para feedback (você pode ouvir no seu celular mesmo, dar um feedback e receber a música no seu dropbox) e temos o cuidado de analisar cada release separadamente e filtrar quem é o seu público-alvo! A idéia é criar sinergia ao utilizar uma plataforma que comporta clube, agência, gravadora e estúdio de música.

6 – Certamente o D-EDGE é parte da estratégia do selo para alavancar a marca. Como o club será usado nesse trabalho?

O selo trabalhará em conjunto com o Mothership, projeto do clube que é conhecido por apresentar as sonoridades de vanguarda na música eletrônica. A música será integrada a uma palheta de cores e programação de luz única no clube, traduzindo em uma experiência sensorial diferenciada.

7 – Em médio prazo, há intenção de promover um intercâmbio de artistas nacionais com os gringos?

Esse ano fizemos dois intercâmbios: reunimos Francesco Tristano com Gaturamo e Philogresz com Stekke nos estúdios da Red Bull Station aqui em São Paulo. Essa é uma iniciativa bem interessante já que cada artista tem um processo criativo e metodologia de trabalho pessoal, então esses encontros devem ser muito bem pensados com antecedência para que tudo flua bem.

Vamos utilizar o estúdio do Bossa para fazer isso acontecer no futuro. Nossa preocupação fica em buscar artistas que sejam ao mesmo tempo interessantes para o clube e para o nosso time de produtores. Eles indicam quais são seus produtores de interesse e nós vamos atrás.

8 – O que é possível nos contar a respeito dos primeiros lançamentos? Já temos alguns artistas definidos?

Já temos 4 lançamentos programados com artistas que fazem parte da história do clube com identidades sonoras muito fortes. O debut da OLGA acontece dia 22 de Janeiro com Stekke. Fevereiro temos Lacozta e nos meses subsequentes o meu novo álbum, chamado “Youniverse” e um EP por Andre Torquato. Alguns artistas no pipeline são L_cio, Zopelar e outros special guests.

9 – Para encerrar. Se fosse possível definir os objetivos da OLGA em apenas uma palavra, qual seria?

OLGA é uma alternativa e uma constante busca pela subversão e reconstrução dos mais diversos padrões da estrutura musical, convergindo em uma abordagem sem rótulos.

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