É interessante quando um selo surge e logo de cara chama a atenção musicalmente. Foi isso que aconteceu com a turma da Not Another, label brasileiro dedicado a explorar interpretações no campo musical e visual. Uma rápida passagem pelo curto, porém encorpado, catálogo da gravadora, faz qualquer entusiasta do techno ficar entusiasmado com o promissor começo dos meninos.

Em 4 lançamentos até aqui, eles já lançaram nomes que possuem uma história dentro da música bastante interessante. Estamos falando de artistas como Danny Oliveira, Sonic Future, L_cio, Sam Pauli e Alex Justino. Com destaques importantes na imprensa internacional e nacional, a Not Another agora se prepara para 2017, temporada qual já tem sua agenda ocupada mais ou menos até a metade. Em meio a todo esse processo de seleção de faixas e busca por novos artistas, conversamos com Bernardo, George e Rodrigo, mentes e corpos por trás da Not Another para entender melhor o direcionamento desse trabalho. A música conecta as pessoas!

1 – Olá, meninos! Tudo bem? Podemos começar falando a respeito do surgimento do label. Quando a ideia foi concebida? Quanto tempo vocês demoraram para colocar o projeto em funcionamento? Qual o conceito principal do trampo de vocês?

Bernardo: eu acho que o selo foi a maturação de vários projetos e de uma convivência longa, recheada pela nossa paixão por expressões artísticas (principalmente a música). Nós decidimos no final de 2014 abrir um selo como uma plataforma pra nossa música e, posteriormente, incorporar outros projetos. Demorou cerca de 1 ano pra fechar a concepção musical e visual do projeto, além da operacionalização. Nós sempre tivemos em mente que, para nos satisfazer, o label devia ter uma identidade em todos os aspectos (sonoro, musical, textual, etc), acho que isso fez com que demorássemos tanto pra lançar. Acho que nosso conceito está nesse carinho com o projeto. Nós não queríamos mais um selo, que tratasse os lançamentos como uma esteira de produção e que não dá atenção a talentos ainda não descobertos.

2 – Logo no primeiro release de vocês, nomes interessantes da cena nacional como Danny Oliveira e L_cio já participaram. Na visão de vocês, qual a importância dos selos nacionais, valorizarem os artistas brasileiros e proporcionarem um intercâmbio musical com bons nomes de fora?

Bernardo: Ouve-se muito que hoje em dia um DJ tem que produzir para se projetar. Se isso for verdade, acho que os selos devem se tornar cada vez mais a base desse intercâmbio entre os artistas. Acho que a importância disso pra o cenário musical como um todo é tentar formar uma certa identidade (ou várias identidades) no cenário brasileiro. É comum ouvir falar na forma de produzir alemã, inglesa e como isso se traduz nos selos. Essa “troca de figurinhas” é a melhor forma de acelerarmos na lapidação dos talentos nacionais.

3 – Atualmente nós vivemos um período de expansão do mercado de gravadoras digitas, cada vez há mais selos trabalhando e se isso por um lado é positivo, por outro acaba gerando uma saturação do segmento, que exige diferenciais para que você possa se destacar. De que maneiras a diretoria do selo busca essas inovações e diferenciais? Na opinião de vocês, o que destaca o trabalho da Not Another dos demais?

George: Não somos presos a certos padrões da cena nacional. Buscamos uma identidade própria e acredito que isto já trás algo diferente num mercado em que muita gente se copia. Além disso, a dedicação em todos os detalhes que acompanham os lançamentos, o trabalho bastante próximo aos artistas e o intercâmbio entre novos produtores a nomes mais conhecidos ajudem a estabelecer essa identidade

Bernardo: acho que o que diferencia nosso trabalho é o carinho e a dedicação em cada lançamento. Isso vai desde a elaboração das capas até interação com o artista para saber se ele está satisfeito com todo o trabalho.

Rodrigo: Eu acredito que a proposta musical do selo já se destaca no mercado pela sua autenticidade, por mais que o mercado esteja saturado, alguns sons ainda são pouco difundidos.

4 – Grandes gravadoras, do Brasil e do mundo, conseguem tirar a marca da web e levar elas paras pistas – através de showcases e outras ações – há planos para a Not Another em relação a isso?

George: Sim, desde o início planejamos isto. Focamos 2016 em apresentar a marca e nossos artistas ao mercado. Agora no final de 2016, fechamos algumas parcerias com a Zeitgeist em Curitiba e a Contrast em Buenos Aires, onde faremos um pequeno showcase da Not Another. Em 2017 pretendemos ampliar essas parcerias e voltar a produzir nossos próprios eventos, mas tudo está sendo feito com o devido cuidado.

Rodrigo:
Não queremos ser apenas mais um showcase e por isso estamos planejando com calma e cuidado como a Not Another irá se comportar fora da web.

5 – Como é o relacionamento de vocês com os artistas que lançam? Há uma preocupação de planejar mais de um lançamento com cada nome?

Rodrigo: Não temos uma regra ou receita, mas nosso interesse é sempre trabalhar com artistas que tenham longevidade no selo. Tendo liberdade para realmente contar uma historia.

George: Buscamos artistas que tenho filosofia semelhante à nossa. Não queremos fazer o selo como uma esteira de lançamentos e sim buscamos formar uma família onde todos colaborem entre si.

6 – Quando o assunto são os suportes… o que vocês vem colhendo ao longo desse início de trabalho?

George: No Brasil, temos contado com suporte de nomes como L_cio, Blancah, Alex Justino, Sonic Future (que tem um EP pra sair conosco no verão), Adnan Shariff, Anderson Noise, Eli Iwasa e outros. Internacionalmente contamos com suporte de alguns figurões como Sasha, Âme, Maceo Plex, Gabriel Ananda, Lee van Dowski e outros.

7 – Para encerrar, fale um pouco de como tem sido o ano até aqui e se possível aponte algumas novidades para o verão que já está batendo em nossa porta. Muito obrigado!

Bernardo: esse ano foi incrível para nós. Lançamos o selo e tivemos um ótimo feedback vindo de várias pessoas do meio, tanto nacional quanto lá fora. Foi trabalhoso, encontramos alguns percalços, mas tudo é aprendizado. Com um ano conseguimos mais do que poderíamos ter imaginado. Estamos com alguns lançamentos de peso pra vir, além de outros projetos vinculados à marca. Mas… tudo ao seu tempo [risos]. Só podemos garantir que nossa dedicação a esse projeto garante que ele só vai melhorar em qualidade.