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5 principais desafios da gestão de um super club no Brasil por Gustavo Conti

Comandar um super club exige, além amor e dedicação pelo que se faz, muita inteligência para sobreviver em meio a um país com leis tão complicadas para o empreendedorismo como o o Brasil. Sobreviver por décadas atuando num cenário artístico considerado avançado então, quase um milagre por dia.

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Esse e outros desafios estão sendo superados de forma categórica pelo Warung Beach Club desde 2002. Esse mês o club completou mais um aniversário e mais do que 15 primaveras, ao longo desse período a marca conquistou uma reputação nacional e internacional que a colocou no hall dos gigantes históricos do mercado da música eletrônica, ao lado de clubs como Trouw, Berghain, Space Ibiza e Fabric – apenas para citar alguns.

Entender um pouco das dificuldades enfrentadas no processo de trabalho de um club do porte do Warung é uma tarefa interessante, principalmente para aqueles que buscam construir algo semelhante (logicamente dentro das proporções) em suas cidades. Por isso, convidamos Gustavo Conti, sócio-fundador da casa, para compartilhar conosco os 5 principais desafios na gestão de um super club. Confira abaixo:

Com a palavra, Gustavo Conti:

Acho que podemos dizer que o Warung seria um caso extremo de dificuldades. Alêm de sobreviver numa linha de fogo entre uma ação de demolição que durou quase uma década, na qual fomos finalmente justiçados, há também o progresso natural da região da Praia Brava, que nos obriga a pensar o clube de uma maneira diferente no futuro.

A imagem pode conter: céu, ponte, atividades ao ar livre e água

Sobre os desafios, acredito que o primeiro ponto são as leis injustas e que na grande maioria nos obrigam a pagar altos impostos. Essas leis são feitas na total presunção de que todo e qualquer empresário brasileiro, ou até gringo, é um sonegador de impostos. Creio que todos empresários tem perfeita consciência e concordam que devem contribuir para o país, mas desde que vejam que seu dinheiro está sendo investido corretamente dentro do seu estado ou cidade. Na verdade o que acontece todos sabemos. Concordo totalmente com a frase que o Brasil é para profissionais, só complementaria que não basta chegar lá, se manter no mercado em uma boa posição  é infinitamente mais desafiador. Essa ideia absurda ainda impera aqui porque todos os últimos governos de “esquerda” incentivaram muito esse estigma.

Como segundo ponto coloco a mão de obra especializada. Isso é muito difícil em nosso meio, a maioria dos profissionais que formam nosso time, fomos nos que praticamente especializamos para nosso mercado. Não tem universidades ou faculdades de DJ, booker, logística, promoção especializada em eventos eletrônicos, dono de clube e outros segmentos aqui no país. Sem um time bom fica praticamente impossível manter um super club a longo prazo.

Terceiro ponto é a adaptação do clube frente a comunidade que o cerca. Fazer com que as pessoas que não frequentam e sofrem com algum impacto gerado por ele, entendam que a empresa esta ali para aquecer a economia da cidade. Um projeto dentro da lei, bem elaborado e com o apoio da comunidade tem muitas chances de desenvolver o turismo rapidamente lotando hotéis, restaurantes, locadoras de carro, lojas de roupas, táxis…. enfim tudo. Aqui também vamos incluir a comunicação com órgãos públicos, a transparência e legalidade na governança.

Quarto ponto é conseguir fazer uma curadoria que o diferencie, mesmo com a péssima localização do Brasil em relação aos centros consumidores de musica eletrônica e formadora de talentos como Estados Unidos e Europa, principalmente. Os altos valores dos cachês gerados pela cobiça, elevada carga de impostos para efetuar pagamento internacional e a alta da moeda estrangeira também complicam bastante esse quadro.

Pra finalizar, não dá pra deixar de citar o aluguel de um super club. O aluguel não é um dinheiro que você investiu em marketing, atrações ou até mesmo um funcionário novo, porque esses mesmo quando você estiver pagando caro, irão trazer algum retorno. Um dos principais motivos da falência de casas noturnas em geral é a subida do aluguel que acaba por não fechar mais conta. Aluguel é um dinheiro perdido dentro da empresa.

A música conecta as pessoas! 

 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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