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Moodymann retorna ao Brasil: falamos com os produtores responsáveis por sua nova turnê

Moodymann inicia hoje em São Paulo uma nova turnê por terras brasileiras. Sua última passagem pelo Brasil também havia sido em na capital paulista, em fevereiro de 2017, quando ele tocou no main stage da primeira edição do Dekmantel Festival por aqui. De lá pra cá, outras lendas da house music e alguns conterrâneos de Detroit passaram pelas pistas do Brasil, mas a ausência de Kenny Dixon Jr já estava sendo fortemente sentida pela sua base de fãs, que o recebe em 3 cidades diferentes dessa vez.

A primeira gig acontece hoje em São Paulo com a LTDO., que certamente proporcionará a experiência mais intimista das 3 festas. No sábado, Kenny toca com a RARA no Rio de Janeiro, mais precisamente no Mirante do Morro da Urca, com vista privilegiada para o Pão de Açúcar. A tour se encerra na próxima sexta, com uma apresentação em Floripa, na pista da Casa Rosa by TROOP + Desterro Societá + Biscoiteca – uma das venues mais famosas da ilha. No clima desta tour tão especial, falamos com os responsáveis por tornar tudo isso possível mais uma vez. Confira abaixo:

Alataj: Olá, pessoal! Tudo bem? Obrigado por nos atender. Podemos começar falando um pouco mais sobre a representatividade do Moodymann para cada um de vocês. O que exatamente a carreira de Kenny Dixon Jr. representa para cada um?

LTDO.: Vamos falar por nós três. Moodymann é para nós, sem sobra de dúvidas, um dos artistas mais importantes ainda vivos, um gênio que adotou uma forma única de produzir músicas e conduzir sua carreira. Um artista que influenciou e influencia todos nós na forma de pensar tanto no quesito artístico, quanto na produção de eventos. Boa parte da ideologia da LTDO. se assemelha às atitudes de Kenny Dixon Jr.: ser limitado (nunca exclusivo – quem quer pode ir, basta querer de verdade, todos são bem-vindos), a mínima preocupação com o lado capitalista do negócio e o foco em ser original e verdadeiro com o que acreditamos. Talvez o que Moodymann representa para o mundo da música é o que queremos representar para quem nos segue. Sermos originais, verdadeiros, criativos e guerreiros para continuar lutando em um mundo muitas vezes ingrato.

RARA [representada por Bernardo Campos]: Para nós sempre foi a referencia de um artista único, não apenas musicalmente. Um dos personagens mais excêntricos de toda a história da Dance Music, seja tocando Blues num festival de Techno, seja com suas entrevistas fazendo uma permanente no cabelo em um quarto de hotel (acompanhado de algumas namoradas) ou com sua casa em Detroit toda inspirada no Prince. Tudo sobre ele nos fascina.

TROOP + Desterro Societá + Biscoiteca [representados por Caetano]: É sempre um prazer está aqui! Para mim, Kenny é simplesmente um dos pilares do que eu e todas as pessoas ouvimos e vamos ouvir em relação à house music e a sua criação com base em samples e jazz. Além da parte musical, ele é um personagem bem específico…

Moodymann certamente é um dos nomes mais autênticos e poderosos da história da dance music. Na visão de vocês, o que torna a sua obra tão única e marcante?

L: Criatividade e a palavra “foda-se” (desculpem-nos o palavreado). O Léo teve o prazer de conhecê-lo ao vivo em Miami anos atrás e ele é o que aparenta ser. Desencanado e verdadeiro com sua arte! Samples e mais samples, ausência de “regras-básicas-da-produção”, ausência de “formulinhas-básicas” e acima de tudo uma capacidade única de transmitir um sentimento por trás de cada trabalho. Se você se aprofundar um pouco mais na sua história vai perceber que suas músicas transmitem seu dia-a-dia em Detroit, seu amor não correspondido ou um protesto por algum acontecimento bizarro em seu país.

R: Acredito que mais uma vez sua autenticidade. Um exemplo: suas músicas são produzidas em seu home studio usando apenas um MPC para gravar os instrumentos. Muitas vezes as mixes são baixas, comparadas as músicas ultra comprimidas de hoje em dia, isso faz o Moodymann mais uma vez ser especial, ele simplesmente não segue nenhuma tendência, seja musical, seja da moda. Ele faz tudo que acha que tem que ser feito, uma carreira 100% baseada no feeling.,

T+DS+B: Sem dúvida a questão de ser exclusivo. Ele criou um style que infinitos artistas seguem nos detalhes da produção. É tudo muito bem encaixado, entrosado, sem ser fácil e muito menos difícil de ouvir.

É claro pra todo fã de música quão profunda e diferenciada é a pesquisa do Kenny. Pensando um pouco mais a fundo sobre esse aspecto, o que vocês enxergam de mais especial no perfil de discotecagem do Moodymann?

L: Ele não se considera um exímio DJ, palavras do próprio Kenny e isso é um fato que nos agrada… honestidade é demais, né? Esperar grandes mixagens, vasta pesquisa musical está fora da nossa expectativa. Esperamos músicas maravilhosas que ele tem escutado em seu cotidiano em Detroit, esperamos uma track ainda não lançada da sua biblioteca e quem sabe uma surpresa em tocar algo como Kings Of Leon. O importante é estarmos com a mente aberta e prontos para dançar, e nós estamos! Críticas estão fora de cogitação… não somos uma festa de música eletrônica, gostamos de música, pop ou obscura, o importante é quem estiver lá em cima ser verdadeiro com seu próprio eu e quem estiver embaixo dançando feliz.

R: O inesperado. Não dá pra saber qual vai ser o “mood” do dia [risos]. Ele pode tocar Rolling Stones mixando com The Clash (sem edits, originais mesmo). Pode tocar um set 100% detroit, pode tocar disco e House. Realmente não dá para saber… e a graça toda é essa!

T+DS+B: Uma das coisas mais especiais em seu perfil para mim é que ele não é um DJ de club, muito menos de festival, ele é um radioman. Ele não se importa com o público, porém entrega sempre a mais pedida, sem ninguém ter pedido [risos].

O Moodymann não é um nome muito frequente nos lineups dos principais festivais e clubs do Brasil – muito pelo contrário infelizmente. Ao que vocês creditam essa pouca inserção dele frente ao nosso calendário?

L.: Talvez o fato de ter tantos nomes no mundo da e-music, termos pouquíssimos festivais e quase nenhum club dedicado a grandes bookings. Pensamos que tem muita, mas muita atração e pouco espaço! Aos poucos isso está mudando, mas ainda é uma realidade… 

R: Para começar, o fato dele não se enquadrar em nenhum tipo de ação comercial. Desde a música as redes sociais, é só conferir o instagram dele, geralmente posts políticos e pouco se importando se alguém que o segue vai ter uma opinião contrária, ali a música geralmente fica em segundo lugar. Outro fator é sua natureza excêntrica, apenas um pequeno grupo de pessoas pode realmente compreender ou aceitar pessoas tão fora da curva. O resumo é: ele não é nem um pouco comercial. Além disso tudo, é difícil pra caramba bookar o cara! [risos]

T+DS+B: Primeiramente acredito que o fator de venda. Apesar dele ser super conhecido pelos pesquisadores e por uma grande maioria dos que gostam de música eletrônica, ele não é um ticket seller. Também vejo muito pela questão da dificuldade em tirá-lo de casa para se apresentar. É o tipo de artista com A maiúsculo que faz apenas o que acredita e tem vontade, portanto estamos muito felizes em poder recebê-lo em nossa casa pela primeira vez, sinal de que em algum quesito agradamos mr. Kenny.

Para finalizar: uma música e uma característica que tornam vocês todos fãs de carteirinha do Moodymann?

L: Aqui estamos falando por nós três então, se permitem, vamos colocar três tracks:

Léo: The Thief That Stole My Sad Days… Ya Blessin’ Me

Gusman: I Can’t Kick This Feeling When It Hits

Mario: One Nite In The Disco

A característica que nos torna fã dele é sua AUTENTICIDADE.

R: No

T+DS+B: Moodymann – Live in La 1998

Eu amo esse disco inteiro, mas essa faixa é brain damage total! Uma das faixas que eu acho mais pesadas dele e que também se diferencia bastante da maioria das produções, já dizendo o porque eu gosto tanto dele: multifacetado e versátil.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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