Ano passado comemorarmos nosso aniversário de 3 anos na pista do Terraza BC e como quem não quer nada, o duo Anhanguera surpreendeu e protagonizou o que foi uma das melhores noites desde a inauguração do club. Esse ano, voltamos a soprar velas na pista mais democrática de BC e os reis do estilo no Brasil estão confirmados para o rolê mais uma vez, dessa vez ao lado do vinyl lover Kaká Franco e de Michel Caliman, mente por trás do núcleo HTBC de Jaraguá do Sul. Conversamos com Dudu Palandre às vésperas do retorno do Anhanguera a Santa Catarina, ele também nos entregou um novo set para o Alaplay Podcast, edição especial em virtude das comemorações dos 4 anos do Alataj. A música conecta as pessoas! 

1 – Olá, meninos! Obrigado por falar conosco. Ano passado a apresentação de vocês no Terraza BC foi uma das mais elogiadas do ano. O que mais surpreendeu vocês naquela noite?

Dudu: Bom, como já dissemos anteriormente, a conexão DJ/Pista daquela noite foi única. A galera pirou da primeira à última track, sem altos e baixos. E isso, em contrapartida, nos impulsionou à fazer um grande set. Foi uma vibe que não se vê sempre, uma troca de energia incrível. Tudo que doavamos, recebemos de volta do público e vice-versa. Esperamos que seja assim no sábado de novo, será mais um presente.

2 – Muito se fala sobre o momento atual de grande aceitação do techno nas pistas e na “contra-mão” disso vocês seguem fieis ao house e suas infinitas características tão marcantes. Na visão de vocês, quais são as bases que formam o projeto Anhanguera?

Dudu: Sempre seguimos fiéis ao nosso som desde o “day one”. Essa sempre foi nossa proposta. E não foi nada combinado, não sentamos um dia e dissemos “olha, o som vai mudar, vai rolar modinha, a gente vai ter altos e baixos, novas tendências vão vir mas nós vamos fazer bater o pé e fazermos os caras difíceis”, NÃO! Claro que sempre tento me manter antenado com o que tá rolando, até absorvo algo que acho interessante pro nosso som mas, essencialmente, a gente é assim. Nosso coração é nossa base e ele está lá no house original de Chicago, além de soul, disco, funk, hip hop, jazz. Eu não consigo tocar ou produzir algo que não beba disso, é algo intrínseco, vem mesmo da alma, sem querer ser muito piegas [risos]. Simplesmente é assim e fim! É natural!

3 – Esse ano o aniversário do Alataj traz o tema “Tribute to Chicago”. Certamente, diversos artistas originais da cidade influenciaram o som do Anhanguera. Quais vocês destacariam?

Dudu: Chicago é nosso berçário musical, né? O topo da árvore genealógica do nosso som. Obviamente, muitos artistas nos influenciaram e influenciam até hoje. Do Warehouse ao Smart Bar. Da sofisticação disco ao pornográfico ghetto house. Frankie Knuckles, Derrick Carter, Cajmere, Gemini, Mark Farina (que sempre teve o pé lá), pra dizer alguns. São tantos pra citar, dos que ficaram maior aos de menos expressão do grande público. Mas Chicago vai além de nomes, é a cidade que provavelmente mais fez pela house music na história e será um prazer tocar nesse tributo à esse centro cultural que tanto admiramos! Nosso som é essencialmente Chicago misturado com um pouco de caldo de cana da roça. [risos]

4 – Em termos de lançamentos, o que vem por aí em 2016?

Dudu: Então, eu vinha sendo muito “cobrado” por alguns DJs. Andei por um tipo de “limbo emocional”, não sou de produzir como máquina, automaticamente e estava meio sem inspiração por meses. Mas me dediquei ao estudo e pesquisa, ouvi muita coisa, principalmente antiga, quase nada house e funcionou: um dia acordei pronto de novo.

Mas poxa, já tem bastante coisa pra ser lançada, ainda bem. Nesse fim de semana mesmo, saiu um EP novo pela 294 records. Estou trabalhando em novas músicas pro meu selo Maracuja, pra alguns selos gringos e também projetos novos pro Skol Music, em breve. “Descobri” uma cantora inglesa muito talentosa com uma voz incrível e delicada que quase ninguém conhece, já finalizamos algumas faixas e estamos trabalhando em novas. Também estou trabalhando em música com um vocalista americano, mais “ghetto feelings”, além de parcerias com alguns produtores nacionais. Pretendo também, finalmente, começar a trabalhar no primeiro álbum do Anhanguera, coisa que venho adiando há alguns anos e não será só dedicado ao house, mas sim uma demonstração de toda nossa influência, contando com parceiros músicos e cantores. Bom, tem bastante coisa pra acontecer, fiquem sintonizados!

5 – Vocês moram em cidades diferentes, certo? Como funciona o processo de produção musical? Cada um produz do seu estúdio ou há o encontro para esses momentos?

Dudu: Digamos que eu sou mais o “rato de estúdio”. Décio sempre contribuiu mais com ideias. A princípio, a gente se reunia, sentávamos juntos e eu ia montando os sons baseado em alguma ideia e samples. Com o tempo, vimos que isso atravancava o processo e era pouco produtivo. Hoje em dia, Décio manda algum sample quando acha algo legal, ou cavamos coisas ouvindo juntos discos antigos, ou até pesquisando nas lojas de vinil em SP. Então, eu me fecho em casa, faço um café forte e mando ver. Sou meio nerd quando o assunto é produção, tenho problema de déficit de atenção e fazer música é, talvez, a coisa que mais me mantém focado por um longo tempo sem me entediar. Queria que fosse assim com tudo. [risos]

6 – Como está a expectativa para esse retorno ao Terraza BC?

Dudu: Bom, como disse no começo e sem estender muito de novo, a melhor possível. Não vemos a hora de chegar sábado pra tentarmos repetir a dose do ano passado. Ou, quem sabe, fazer até melhor, já que eu andava num momento pessoal turbulento naqueles dias. Esperamos que o público venha e lote a casa, com toda animação e vontade de dançar ao som de muito groove house, como da última vez!

7 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vida de vocês?

Dudu: Nossa, essa pergunta é sempre difícil! Vou tentar ser o mais sucinto o possível: acho que a música representa aquele/a parceiro/a que você sabe que vai ter pro resto da vida. Ela e eu temos um daqueles casamentos ideais de romance açucarado – nunca me deixou na mão, sempre do meu lado nos bons e maus momentos, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza [risos].

Se você quer ficar feliz, tem uma música pra isso. Se quer chorar, também tem. Se quer correr no parque, ela tá lá. Se quer deitar e relaxar, ela também te ajuda. Se quer acelerar, só matar o tempo, cozinhar, sentir saudades… A gente se apaixonou desde novo e nunca mais soltamos nossas mãos. E ela me ajudou a conseguir tudo de melhor: me fez conhecer um monte de gente bacana, fazer amigos pra vida toda, o amor, viajar pra lugares legais no Brasil e no mundo, ter momentos únicos que sempre vou guardar na memória e coração. E creio que assim ficaremos, até os últimos dias. Eu olho pra ela com brilho nos olhos, ela demonstra ser recíproco e que vamos continuar construindo nossa história. Acho que é isso, música pra mim é amor eterno e incondicional. Sou muito grato à ela.