Alataj entrevista ARTBAT

Diynamic, fryhide, Suara, Rukus, Watergate e International DeeJay Gigolo Records. O que esses labels possuem em comum além do fato de serem players protagonistas no cenário techno internacional? Todos eles se renderam ao perfil sonoro envolvente e poderoso da dupla ucraniana ARTBAT, um dos maiores fenômenos recentes da eletrônica voltada para pista.

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Nos últimos 3 anos, Artur e Batish redefiniram conceitos em uma linha de som que flutua entre o progressive house e o techno. Linhas de baixo marcantes, melodias épicas e muita emoção são características comumente encontradas na música do duo, que se acostumou a figurar em posição de destaque nos charts do Beatport. O sucesso oriundo do trabalho de estúdio tem refletido na pista, já que nos últimos meses o número de gigs do projeto aumentou consideravelmente.

Um dos pontos altos dessa agenda recente do ARTBAT trata-se da passagem pelo Rio de Janeiro a convite da Cercle. Na ocasião, os ucranianos tocaram no topo do Pão de Açúcar, nessa que foi uma das edições mais impressionantes do live streaming francês até aqui. Na época, aproveitamos a passagem de Artur e Batish por aqui para conduzir uma entrevista exclusiva com eles, a primeira em português. Confira:

Alataj: Olá, rapazes! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Nos últimos dois anos, ARTBAT verdadeiramente invadiu os charts do Beatport com uma sequência de sucessos bastante impressionante. Como vocês avaliam a evolução do projeto de seu surgimento até aqui?

Artbat: O prazer é nosso – muito obrigado! Estamos muito bem e a vida está boa. Agradecemos suas gentis palavras. Os últimos meses nos atingiram como uma tempestade. O amor e apoio que estamos recebendo ultimamente é incrível. Tudo tem sido um trabalho árduo até aqui e nós não paramos, é claro. Ninguém poderia saber como o nosso projeto iria se desenvolver. É por isso que estamos muito orgulhosos do que conquistamos nos últimos dois anos. São “apenas” dois anos e há muito mais para acontecer em 2019.

Para ser sincero, não sei muita coisa a respeito da cena de Kiev e da Ucrânia como um todo, mas certamente ela foi importante para o desenvolvimento do projeto. O que vocês podem nos contar a respeito?

Kiev é a nossa base. Amamos o nosso país e não gostaríamos de mudar Kiev para nenhuma outra cidade (pelo menos no momento). Ucrânia, nossa família e amigos próximos são nossa maior inspiração. Somos muito gratos pelo apoio que recebemos diariamente do nosso país. Nos conhecemos em um evento de techno em Kiev e nos demos bem desde o primeiro momento. Sem essas festas, talvez nunca teríamos nos conhecido. A cena está crescendo mais rápido que uma torre em Dubai. Kiev e toda a Ucrânia estão trazendo DJs e produtores conhecidos do cenário global semanalmente. Também há cada vez mais artistas jovens seguindo nosso caminho.

Percebo que o som do ARTBAT possui um grande potencial de inserção em atmosferas big room – leia-se grandes clubs e festivais especialmente. Isso de alguma maneira é proposital ou vocês apenas criam música de uma forma natural, sem pensar muito em um direcionamento específico?

Não há direção específica. Enquanto estamos em tour ou escutamos música nova, nos inspiramos muito. Quando voltarmos ao estúdio, tentamos converter essas novas ideias. Para nós, a maior inspiração é ver pessoas sorridentes e felizes na pista. O feedback delas é o mais importante para nós. Assim podemos ajustar nossas novas produções ou ter novas ideias. Por enquanto queremos produzir bombas. Faixas que as pessoas lembrem por anos.

Solomun, Tale Of Us, Pete Tong, Deadmau5 e Matador estão entre os grandes nomes da indústria que tem apoiado as produções de vocês nos últimos anos. Pessoalmente e profissionalmente, o que esses suportes representam a vocês?

Todos os nomes mencionados acima são ícones para nós. Temos recebido apoio de pessoas que nos inspiram muito. Ficamos muito honrados quando vemos as pessoas tocando nossas faixas. Por sorte, chamamos esses grandes artistas de amigos. Solomun sempre nos deu grandes conselhos, por exemplo. Isso nos deixa orgulhosos por sermos respeitados na cena. Um sentimento fantástico, com certeza.

Em março vocês tocaram na edição da Cercle no Pão de Açúcar, aqui no Brasil. O que esse momento representou na carreira de vocês? Quais foram os highlights?

Nenhuma palavra conseguiria descrever o que presenciamos naquele dia. Essa gig foi uma das mais espetaculares em que já tocamos. Um marco absoluto. Milhares de agradecimentos ao Cercle por ter nos convidado. Esses caras são next level e dão muito a indústria. Todos nós somos muito gratos pelo seus esforços e ideias únicas. Foi uma verdadeira honra ter trabalhado com eles. O local, a cena, a atmosfera – foi de tirar o fôlego. Nada poderia bater isso. Possivelmente a melhor locação do Cercle de todos os tempos. Tocar acima das nuvens enquanto o sol se põe foi mágico.

Dentre todos os releases já trabalhados por vocês, existe algum que pode ser considerado mais importante ou especial?

Não conseguimos escolher um. Talvez “Mandrake” foi um tipo de sinal para nós. A faixa teve apoio precipitado de alguns nomes de peso, como Richie Hawtin, por exemplo. Foi um dos nossos primeiros lançamentos e sentimos que poderia ser algo grande. Queríamos apresentar nossa música e visão ao mundo.

Ano passado vocês estiveram no Brasil tocando no Tribe Festival. Como foi essa experiência?

Nossa primeira gig na América do Sul… Foi uma ótima experiência. Amamos o Brasil, as pessoas, a cultura e a paixão pela música eletrônica. Fora a longa viagem, é sempre um prazer tocar para um público tão especial. Estamos esperando ansiosamente para estar de volta no fim deste ano.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música significa tudo. Nós dois sempre escutamos música e sempre será uma parte essencial.

A música conecta.

Não vá ainda… A entrevista que fizemos com Guy Mantzur ficou incrível, dá uma olhada!


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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