Alataj entrevista DJ Marlboro

Não importa quão envolvido você é com a cultura DJing do Brasil, certamente você já ouviu falar nesse senhor: DJ Marlboro. Famoso por romper as barreiras das comunidades cariocas com uma das primeiras gerações do funk, Marlboro não ganhou apenas as pistas do Brasil, mas também as casas, com inúmeras participações em programas da TV Globo, principal rede de televisão do país.

Fernando Luís Mattos da Matta, seu nome de batismo, nasceu em 63 e além da discotecagem, também trabalha como compositor e empresário. Ele é reconhecido por muitos como o criador do funk carioca, uma fusão de hip hop, electro e ítalo disco que tem dominado as paradas de sucesso do Brasil a pelo menos duas décadas. Seu primeiro lançamento no estilo saiu pela Polygram ainda na década de 80: a compilação Funk Brasil 1989. Segundo o próprio Marlboro, o funk carioca é fruto de referências que variam entre Afrika Bambaata e até mesmo Kraftwerk – alguém ainda tem dúvida que o estilo é a música eletrônica genuinamente brasileira?

Em 2004, Luis foi convidado para participar do Sónar e ainda passou por Londres, Estados Unidos, França, Inglaterra, Alemanha e outros países. Atualmente, Marlboro está envolvido com bailes nas comunidades cariocas, alguns deles beneficentes, e segue no comando do programa Big Mix, líder em audiência no Brasil desde 2002. O DJ carioca também já participou de filmes e minisséries de artistas brasileiros e teve sua jornada registrada nos livros Cidade Partida e O Mundo do Funk Carioca. Nesse bate-papo profundo e exclusivo, Marlboro fala com exclusividade ao Alataj sobre alguns dos principais pontos de sua carreira e entrega uma playlist de referências com mais de 240 músicas. Confira:

Alataj: Olá, Marlboro! É uma grande honra falar com você. A cultura funk tem no DJ um dos seus principais pilares. Hoje, o acesso a todos os tipos de música é bastante facilitado, mas no começo, como vocês faziam para trazer as novidades para os bailes?

DJ Marlboro: Anos atrás era muito difícil conseguir ou descobrir as músicas. Chegou até uma época em que os DJs raspavam os rótulos para que as pessoas não descobrissem o nome. Eram discos raros, músicas raras, um lançamento que às vezes você tinha e ninguém mais tinha, ficava por anos sendo exclusivo, enquanto o pessoal não descobria o nome, e mesmo sabendo o nome, às vezes não conseguia a música. O acesso, a viagem e a importação eram difíceis. Eu achava isso legal, achava que dava um toque mágico na apresentação do DJ. Quando você descobria uma música nova que só você tocava no seu baile, na sua festa, isso era um diferencial também. Era um diferencial entre os DJs, aqueles que tocavam músicas ótimas que normalmente outros DJs não tocavam. Hoje não, hoje qualquer um toca qualquer coisa. A não ser os DJs produtores que vão para o estúdio, produzem uma música e tocam aquela música exclusiva que acabaram de produzir ou que só toca na festa deles. Mas chega uma hora que eles começam a distribuir, porque eles querem fazer sucesso, eles querem que todo mundo toque, querem colocar no Spotify, querem colocar em todo lugar, querem fazer o clipe pra poder comercializar aquela exclusividade. Hoje em dia não acontece mais de só uma pessoa tocar uma música, fazia parte da mágica antigamente.

Para trazer os discos, sempre tinha um comissário de bordo, um amigo que ia para os EUA, ou nós mesmos viajávamos. Eu viajei umas 3-4 vezes, para comprar discos lá fora. Mas eu não comprava só para mim, acabava comprando para vários DJs, assim como outros iam e traziam. Existia um comércio em cima disso, no sentido de trazer várias cópias de um disco e às vezes pagava a passagem com o lucro. Você ouvia músicas novas e trazia porque sabia que iam ter pelo menos 10-15 DJs que iriam querer aquela música. Se comprava de acordo com a qualidade da música. Música muito boa, comprava quantos achava, às vezes trazia 60 de um disco que a música era muito boa. Quando a música era mais ou menos, era legal, dava pra tocar, mas não seria um estouro, aí trazia uns 10. Tinha que ter o feeling de DJ. Você precisava ver a quantidade que ajudaria a pagar a passagem, lá custava uns 4 dólares, vendia aqui por 20 dólares. Quando era uma música rara, o preço ia lá em cima. Já teve pessoas, anos atrás, que chegaram a dar um carro por um compacto de soul, uma música exclusiva que poucos DJs tinham. Na época um fusca era lançamento, o cara assinou os documentos, deu a chave, pegou o compacto e foi embora. Então as coisas que eram raras, eram muito bem pagas. Um disco desse que o cara trocou por um carro, se você achasse 100, podia trazer os 100 que você ficaria rico [risos]. Mas teria que vender aos poucos, se aparecesse com os 100 você queimava o disco, vender de 3 em 3, tinha que ter a sensibilidade.

Também existiam as importadoras de disco, a Billboard, a Gramofone foram muito importantes, eles tinham um andar especial para DJs, quando chegavam novidades eles ligavam para os principais. Tinham DJs considerados públicos e DJs considerados top, eles pegavam os que tinham maior influência sobre os outros e davam para eles um prazo de antecedência para terem as músicas, as músicas que eles pegassem venderiam mais. Nós íamos para lá, separávamos o que queríamos. Tinham discos raros que chegavam três, eu separava os três para mim, quem chegasse depois não conseguiria nenhum. Os outros DJs teriam que comprar comigo, mais caro. A Gramofone sabia que funcionava assim, eles vendiam mais, aqueles três que eu comprei e vendi mais caro, eles podiam trazer 50 na próxima leva que eles iam vender.

Hoje vemos no Instagram/Facebook que digital influencer virou profissão. Antigamente era “DJs influencers” que existia [risos]. DJs que influenciavam… eu tinha programa em rádio, então era importante eu ter as músicas primeiro, para lançar. As pessoas ouviam na rádio sobre o lançamento e corriam para as lojas.

Só para complementar, produzi uma música da Valeska Popozuda, chamada “Ragafunk Conga La Conga” e dei para alguns DJs importantes, como o Túlio, DJ do BBB, separei uma nata de DJs e dei a música. Comecei a tocar e postar no meu Instagram. Tem muitos DJs atrás da música, implorando, é só entrar no meu Instagram que você vê. O lançamento será dia 04/04 nas plataformas digitais, mas todos os DJs estão pedindo a música. Não pensei que hoje em dia ainda existisse essa coisa de as pessoas correrem atrás da música. Para mim estava tão banal “ah não tem essa, coloca outra”. Mas acho que quando a música é muito boa, as pessoas ainda correm atrás e, realmente, a música ficou muito foda.

Dito isso, podemos compreender que atualmente os DJs precisam se destacar de outras maneiras para conquistar seu espaço, certo? Você concorda com essa superexposição em tempos de rede social? Como você tem buscado diferenciar o seu trabalho dos demais?

Existem outros fatores quanto ao diferencial do DJ hoje. Quando eu comecei na profissão, o DJ era DJ por amor a música, não tinha perspectiva alguma de fazer sucesso, ganhar dinheiro ou ter visibilidade. DJ tinha status negativo [risos], ou seja, falava para os pais que ia ser DJ, levava uma surra, arrumava uma namorada e falava que ia ser DJ, ela até terminava. Mas você amava tanto o que você fazia, amava tanto a música, que continuava tentando. Depois, o DJ começou a ter um reconhecimento, a crescer, a ter uma importância na cena pop mundial. A importância dos diggers para as rádios e gravadoras começou a aumentar, foi um processo bem lento. Hoje DJ tem status de artista, tem até artista hoje querendo ser DJ para aumentar o status.

Não tenho nada contra as pessoas que começam a ser DJ hoje, mas acho que é fundamental amar a música. DJ que quer ser DJ para aparecer, para entrar na mídia, não acho legal. As pessoas ganham fortunas, cachês milionários, mas não podem esquecer da música. Hoje o menino compra a controladora, na verdade não compra, o pai compra, arruma uma namorada e ela já fica interessada. Quando há amor pela música, começam a se destacar os DJs que vieram para ficar, esse amor é demonstrado na maneira de tocar, de fazer uma seleção musical para uma pista, de controlar o público, de dominar ao vivo.  O DJ que é DJ nunca vai deixar de ser porque tem dificuldade ou problemas, nem que ele tenha que fazer como hobby, mas ele vai fazer com amor.

Até os bons artistas de hoje tem uma certa deficiência na técnica de mixagem. A mixagem é uma mágica, uma arte. A mixagem de uma música para a outra não é só deixar no mesmo ritmo ou batida. Você cria quase uma nova música quando você passa de uma música para a outra, isso é algo que diferencia um DJ do outro. Sem contar a sequência musical, o sentimento de pista, são vários elementos para destacar.

Tenho meu trabalho, fiz minha história toda em cima de performances, em cima de b2b, scratch. Deixei de fazer há um tempo porque as pessoas não dançavam, ficavam me olhando fazer e a pior coisa para um DJ é as pessoas ficarem paradas. Eu ia tocar nos eventos, tocava 1h30, as pessoas esperavam aqueles 15min de performance paradas em pé me olhando tocar. Comecei a ficar chateado, baile lotado e todo mundo parado esperando aquele momento. A realização do DJ é ver as pessoas dançarem. Comprei um equipamento novo, vou começar a fazer as performances novamente, nada do malabarismo que eu fazia antes, mas só para incentivar as pessoas a começarem a fazer também. Estamos sempre em busca de um diferencial, às vezes paramos com o diferencial que só nós temos para fazer com que as pessoas dancem [risos].

Historicamente a música possui um importante papel de transformação social. Como você e sente isso nas comunidades atualmente?

Acho a música tão importante quanto qualquer outra necessidade básica humana, porque se você parar pra pensar, a música serve para motivar diferentes atividades que a gente faz. Tem música pra pátria, bandeira, tem música para tudo. Se você pegar música com os índios, com os africanos, a origem da humanidade é acompanhada de música. Mas ela não é uma importância só influenciadora não, ela toca a sua alma. Sempre costumo separar, começo a falar de música e as pessoas acham que é letra, acho que música é muito mais do que uma letra. A letra até tem uma certa importância que fala com a razão, mas a música fala pra alma.  A letra e a música caminham juntas, muitas vezes nem tem letra, mas ela sensibiliza você. Você pode ouvir uma música e seu astral mudar, você fica com um astral energizado porque ouviu uma melodia linda. Às vezes você ouve uma música americana, você nem entende, mas a energia, a empolgação, a ideia da música tocam você. Às vezes se ouve uma música romântica  americana, década de 70, você fica apaixonado e a letra nem falava de romance.

Nós vivemos em um país de corrupção, roubo, desvio de verbas, crimes que para mim deveriam ser considerados hediondos. Quando você não dá saúde, não dá educação, quando você não dá para a população perspectiva de vida, você torna essas pessoas cruéis, elas passam a não ter amor a vida delas e a de ninguém. Elas vão para o tudo ou nada, não tem nada a perder. O que acontece, voltando ao nosso assunto, a música tem uma importância social muito grande, ela faz com que minimize os danos causados por essa corrupção, não só no entorpecimento das pessoas em relação a melhorar o astral, mas também com relação a oportunidade desses jovens que nunca tiveram outra oportunidade de conseguir conquistar um espaço e ajudar a família através da música. Quantos bondes, quantos MCs, quantos artistas no funk você sabe que saíram da marginalidade e tiveram uma vida melhor? Podemos observar Claudinho & Buchecha que eram serventes de pedreiros e hoje são referências, sempre foram, só que se não fosse o funk talvez não tivessem oportunidade de colocar o trabalho deles.

Com relação as autoridades, que vem discriminar, falar mal, desde os erros de português até apologia às drogas ou ao sexo que contém nas letras, ninguém pode culpar essas pessoas, é a realidade em que elas vivem. Temos que responsabilizar quem colocou elas nessa situação. O garoto não queria cantar errado, ele está se expressando heroicamente, ele não teve educação e está ali cantando e fazendo uma letra, ele não tinha a menor condição ou recursos para fazer isso, mas ele vai lá com o talento que ele tem, da maneira que ele sabe. Seria interessante se as autoridades ao invés de calar, prestassem atenção nas letras, no pedido de socorro deles para uma vida melhor. Quando uma música fala de um X9, do policial corrupto que mata o amigo dele, do bandido que sai para assaltar, quando ele relata tudo isso, é o cotidiano.

Temos que mudar a realidade dessas pessoas e é através dessas letras que achamos a solução, temos a música como instrumento de pesquisa para saber o que as pessoas estão pensando. Ter uma perspectiva de vida melhor muda tudo, as músicas vão melhorar. Hoje assusta, porque as outras pessoas não vivem essa realidade, porque gostariam que não existisse e acham que calando esses jovens, vão fazer com que não exista.  O funk vai acabar invadindo o seu espaço, o seu condomínio, a sua cobertura, uma hora vem à tona, a favela invade o asfalto.

Aqui no Alataj a gente comunica diretamente a um cenário voltado para cena house/techno e muita gente desse meio não reconhece o funk como música eletrônica. Qual a sua opinião a respeito disso? O funk é a música eletrônica genuinamente brasileira?

Fico muito feliz, porque o Afrika Bambaataa esteve no Brasil quando o funk ainda não era sucesso em São Paulo, o hip hop ainda era muito forte lá. Ele fez o show e todo mundo do hip hop, os MCs, formadores de opinião, etc., foram e no meio do set ele começou a tocar uma música de funk brasileiro. As pessoas ficaram meio horrorizadas “nossa, tocando funk carioca”, foram no camarim reclamar com ele por ter tocado aquelas músicas. “Vocês esqueceram os fundamentos do hip hop? O funk é a melhor cria, melhor resultado do hip hop no mundo inteiro. Ele fala do cotidiano das pessoas, da verdade, é música do povo para o povo”. E aí, essas pessoas começaram a enxergar o funk de outra forma. Achei muito legal o discurso do Afrika Bambaataa, com a respeitabilidade que ele tem, falar que o funk é o maior representante do hip hop no mundo hoje por conta da autenticidade e originalidade que ele tem.

Viajei para a Europa e lá saíram várias matérias sobre a minha turnê e as revistas de música eletrônica, de hip hop, falando. Pensei em que categoria ia ficar, porque sabemos que o funk é hip hop, mas também é música eletrônica, por causa da velocidade, o BPM é mais alto. Me chamaram de sortudo, pois eu estava nas duas categorias sendo muito respeitado, tanto na eletrônica quanto hip hop. Me falaram que seria ruim se eu ficasse como world music, que significa música do mundo e não era respeitada. Pensei “no meu país sou descategorizado e aqui fora estou em duas categorias”.

Quando toquei na Eslovênia, um DJ alemão tocou umas músicas com um batidão, música boa pra caramba, fiquei de olho nas músicas dele. Pedi pra ele as músicas e ele disse que também queria algumas minhas. No dia seguinte, eu conversei com ele e perguntei o porquê de tanto sucesso do funk na Eslovênia, na Europa, Polônia, fiquei impressionado com as pessoas fazendo caravana para me ver tocar. Ele é musicólogo, eu nem sabia que isso existia, no Brasil não existe, mas lá fora existe, o estudo da música. A explicação que ele me deu foi que nós sempre fomos respeitados por transformar as músicas, o samba, o forró, o axé, alguns tem origem caribenha, holandesa, africana… a própria bossa é uma vertente. Ele disse que o Brasil transforma a cultura e eles ficaram esperando uma música eletrônica brasileira muito foda, porque como eles sabiam que o Brasil era muito respeitado culturalmente, eles imaginavam que viria uma música eletrônica inédita, diferente, assim como o samba é diferente do que há na África, eles ficaram tipo goleiro quando espera o gol durante o pênalti “o que será que vem do Brasil em relação a música eletrônica?”.

Os gringos vinham para o Brasil afim de conhecer a cultura brasileira, os levavam para ver samba ou forró. Funk nunca era considerado cultura brasileira no “cardápio” dos gringos quando vinham pra cá. Esse cara falou que foi bom que demorou a ser descoberto, pois ajudou o funk a ganhar cada vez mais originalidade. Quando eles descobriram a quantidade de artistas e músicas lançadas eles ficaram como se tivessem descoberto um novo mundo e pensaram “essa é a música autêntica brasileira”. A música que eles esperaram tantos anos do Brasil era o funk. Então para eles, somos hip hop, por conta da autenticidade e originalidade, mas também somos música eletrônica.

Fora do funk, quais são suas principais referências musicais?

Minhas preferências são black anos 70 e 80, porque eu acho que foi o melhor momento musical da humanidade para tudo, para o rock, para o pop, para o início da dance music, da disco music, do disco funk, do funk na sua origem, essência. Não tem nada tão precioso quanto os anos 70 e 80 e acho que nem vai ter. O que estamos vivendo agora em termos de informática e evolução, foi um salto da década de 90 para 2000, a mesma coisa aconteceu com a música naquele momento, ela deu um salto muito grande. Qualidade, inovação, composições… vai demorar muito e talvez nem tenha um momento tão precioso na música.

Acho que naquele momento, os músicos eram músicos porque amavam a música. Muitos deles passavam fome, dificuldades. Ninguém era músico por glamour, pouquíssimos faziam sucesso, era muito seletivo o sucesso dos artistas. Para chegar em algum lugar, você tinha que ser muito talentoso e muito competente. Tem também uma interferência dos maestros nas músicas pop, os maestros começaram a fazer os arranjos de música dançante tanto quanto de música pop. Foi o momento em que os maestros, os grandes arranjadores, eram os caras que estudavam música pra caramba. Todos os músicos eram “mortos de fome”, se sustentavam com a música, isso dava à eles uma competência… Dá para fazer uma lista de artistas que ralaram muito pra conseguir sucesso e o talento deles era uma coisa absurda.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Se eu falar tudo, vou estar sendo simplório, porque a música tem uma importância vital na vida de todo mundo. As pessoas não percebem, mas ela é fundamental para o seu equilíbrio, para o seu astral, suas ações, suas atitudes. Ela tem uma influência sobre o ser humano ainda desconhecida, se soubéssemos a sua importância para a nossa vida, poderíamos minimizar “um bocado” de problemas. A música te leva, releva, transporta, transforma. O meu reconhecimento de como ela é importante na vida de todo mundo é mais importante do que quanto ela é importante na minha vida.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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