Alataj entrevista DJ W!LD

Um herói do underground parisiense. Assim se autodenomina o conceituado artista francês DJ W!LD, um dos nomes mais importantes e influentes da cena eletrônica contemporânea de seu país. Nascido em Dijon, W!LD se desenvolveu de fato no subúrbio de Paris e durante todo começo da carreira teve na figura de Laurent Garnier um grande ídolo. O reflexo dessa admiração por Laurent reflete em seu perfil versátil e habilidoso frente aos decks,

Na capital francesa, DJ W!LD começou a escrever sua histórica tocando em clubs lendários como Rex, Palace e Queen. Ainda na década de 90, ele passou a produzir suas próprias faixas, um momento importante de transição na carreira. Com a explosão do french touch na mesma década, W!LD passou a explorar uma faceta internacional da sua carreira, fazendo shows regulares em países como Estados Unidos, Espanha, Bélgica e, claro, Brasil desde então – ele também cravou residência com a Circoloco no DC10 de Ibiza.

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No que diz respeito ao seu catálogo, alguns dos principais lançamentos incluem labels do calibre de Robsoul Recordings, OFF Records, VIVA Music e Adult Only. Misturando acid, techno, house, disco e hip hop, esta importante figura da dance music francesa definitivamente conquistou seu lugar ao sol e nessa semana retorna ao Brasil para tocar na Capslock em São Paulo e no Terraza em Florianópolis. Nós aproveitamos o embalo para bater um papo com ele:

Alataj: Olá, W!LD! Tudo bem? Obrigado por nos atender. Como um profissional, qual é a sensação de poder viajar o mundo todo levando sua música para pessoas de diferentes culturas e costumes?

DJ W!LD:  Olá! Estou ótimo, obrigado. O prazer é meu! Compartilhar música com as pessoas me faz muito bem. É por isso que estou fazendo isso, na verdade. Compartilhar e tentar educar os ouvidos à qualidade, algo que está cada vez mais raro nos dias de hoje.

Você possui um relacionamento especial com a cena de Paris, certo? Na sua visão, o que a cidade tem de melhor e pior quando o assunto é música eletrônica?

Sim, meu relacionamento com Paris é uma longa história de amor que começou em 1996. A melhor coisa sobre o sentido musical da cidade é que ele ganhou muito impulso e a cena da França nunca esteve tão forte. Muitos clubes e festas warehouse estão acontecendo ao redor do país com uma grande qualidade musical. A pior coisa é que não há apoio real do nosso país ou de quem tem poder para a música eletrônica, festas e festivais. Alguns diriam que os franceses podem ser chatos.

Em Setembro você retorna ao Brasil para tocar no Terraza e na Carlos Capslock. Em sua memória, quais são as principais lembranças sobre o país e essas festas?

Sim, estou muito ansioso para retornar. Tenho apenas boas lembranças do clube e do público. Como os brasileiros realmente sabem festejar, sempre espero ansiosamente para voltar.

Definitivamente, há algo especial na dance music francesa. Na sua opinião. o que faz do país um polo tão importante no cenário eletrônico?

Bom, os franceses são conhecidos por serem exigentes e reclamadores. Isso é ruim por muitos motivos, mas a parte boa é que a exigência faz com que a qualidade da música e arte atinja um nível diferente. Então acho que é por isso que a França sempre teve uma grande qualidade de arte, música e filmes no sentido underground. Não só na música eletrônica, mas também no rap, por exemplo.

Pessoalmente e emocionalmente, quais são os principais desafios de uma carreira na música eletrônica?

Os principais desafios são, definitivamente, ficar saudável e ter e manter um relacionamento estável. Você precisa passar muito tempo focado nesses aspectos, caso contrário, é fácil escorregar ou descuidar com esse estilo de vida.

O que você pode nos contar a respeito da influência do movimento hip-hop em sua formação musical?

O movimento hip hop me influencia não só na música, mas também na pintura. Comecei a gostar desse movimento por causa da música, antes eu gostava de break dancing e graffiti quando tinha 14 anos e o hip hop usava todas as influências que eu curtia: jazz, soul, disco, funk. Hip hop teve e ainda tem uma grande influência sobre mim, mas estou falando sobre underground, hip hop old school mesmo.

Seu catálogo é formado por lançamentos em labels de renome, como Robsoul, Love Letters From Oslo e Adult Only. Quão importante essas marcas tem sido para o seu desenvolvimento? Uma grande gravadora ainda é capaz de mudar o rumo da carreira de um produtor musical? 

Essas marcas estão representando um som no geral, e também alguns grandes artistas, então, com certeza, elas ajudam você a propagar a sua música e dão a você uma imagem (nem sempre a correta). Grandes selos ou grandes marcas de festas conseguem criar artistas muito rápido nos dias de hoje. Às vezes, eles até criam “monstros” (DJs ou produtores saturados), por isso é importante pensar e escolher bem onde você vai assinar e o que você quer fazer com sua carreira.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Tudo. Não consigo viver sem música. Não consigo me expressar sem música. Não consigo amar sem música. A música é o meu tudo.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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