Alataj entrevista Fatnotronic

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Música eletrônica brasileira, com tempero brasileiro e gostinho de Brasil. É assim mesmo, com excesso de brasilidade que o duo Fatnotronic é formado, unindo os talentos e a experiência de mais de 20 anos de Phillip A Rodrigo Gorky — Gorky hoje não está mais tocando e viajando nas turnês devido a trabalhos paralelos, mas ainda faz parte do projeto. Juntos os DJs e produtores têm usado muito brazilian boogie, disco, house e baleárico como inspiração, criando faixas originais e edits que caíram no gosto de caras como Fatboy Slim e Diplo graças a originalidade e personalidade das faixas.

Desde então a dupla rodou o mundo e marcou presença em grandes palcos de festivais como Lollapalooza (Brasil), Calvi On The Rocks (Corsica), Dour Festival (Bélgica), Wildeburg Festival (Holanda), Transmusicales (França), Solidays (França), Rock in Rio (Brasil), Dekmantel (Brasil), sem contar que alguns canais como BBC Radio 1, Boiler Room e THUMP também já receberam a sonoridade enérgica e criativa do Fatnotronic.

No último sábado (23), o projeto se juntou a mais três DJs para tocar no palco do Alataj celebrando nossos sete anos de história durante o MiniFestival da Levels. Além do Fatno, subiram em nossa cabine Tha_guts, Moretz e Bavaresco, numa mistura que teve muito tempero brasileiro e musicalidade das boas. Alguns dias antes da gig, nós batemos um  papo com eles resgatando alguns momentos bem legais como lançamento pela DEEWEE, sucesso dos hits Esperar Pra Ver e Onda, novidades e mais.

Perguntas por Alan Medeiros:

Alataj: Olá, meninos! Tudo bem? É um grande prazer falar com vocês. Vocês “juntaram as escovas” da produção musical em 2014, mas antes disso cada um de vocês já trabalhava seus projetos solo, não é mesmo? De que forma o background de cada um somou para o projeto?

Fatnotronic: Olá, tudo ótimo! Sim, o Fatnotronic começou de verdade em 2014, antes disso era um ‘for fun’ (na época eu tinha o Killer On The Dancefloor e o Gorky tinha o Bonde do Role). A brincadeira deu certo quando fizemos o edit de Margarida, o Fatboy Slim pirou e começou a falar da gente para todo mundo.

Criar edits de música brasileira não é algo exatamente novo, mas que inegavelmente ganhou muita força nos últimos anos — especialmente os de qualidade como os de vocês. No caso do Fatnotronic, como foi trazer brasilidades para a terra da dance music? Quais foram os principais desafios?

Uma boa pesquisa musical sempre fez parte disso, eu e o gorky colecionamos discos, nas tours vamos atrás das melhores record stores, tanto para comprarmos discos pra pista, quanto para os discos que iremos editar. O principal desafio é encontrarmos os discos “chaves” para os edits.

Lançar pela DEEWEE certamente é um dos grandes highlights da carreira de vocês. Como esse contato direto com o Soulwax tem mudado a perspectiva musical de vocês nos últimos anos?

Nós sempre fomos fãs de Soulwax e 2manydjs; meu primeiro projeto, o “KOTD” foi super inspirado nos 2manydjs. Conheci o Stephen Dewaele em 2008, no casamento do Iggor Cavalera e da Laima (Mixhell) em São Paulo. Depois disso, todas as vezes que eles vinham pra cá saíamos para comprar discos, discotecávamos juntos, etc.. Em 2014 tocamos no Popload Festival e durante um passeio ao centro de São Paulo, os Dewaele comentaram sobre o estúdio novo que eles estavam abrindo e convidaram a gente para gravarmos um EP lá em Ghent, na Bélgica.

Topamos e fomos pra DEEWEE 001 — um prédio imponente com estúdios, dormitórios, uma coleção de discos que eu acho que já passa dos 70.000 e todos os synths do universo! É muito louco trabalhar com eles! É como o Busy P., dono da Ed Banger, disse em uma entrevista pro The Guardian: ‘Soulwax have always been ahead of the game’.

E realmente é essa a visão de trabalho; eles têm a ‘Despacio’ com o James Murphy (do LCD Soundsystem), o ’2manydjs Live’ com as capas de discos, o show live do Soulwax (com 3 baterias, sendo um deles o Iggor Cavalera), o DEEWEE label e todas as outras coisas criativas que eles fazem. Trabalhar com eles me fez abrir a cabeça pra várias coisas; como eu entendia música antes e agora.

Esperar Pra Ver e Onda juntas somam mais de 6 milhões de plays no Spotify. Muito além das pistas, essas faixas também parecem ser uma boa aposta para diferentes momentos da vida. Qual o sentimento em saber que elas chegaram tão longe?

O lance é que a música brasileira está muito em voga no mundo e com a febre dos edits elas tem aparecido mais e mais. Eu (Phillip) já ouvi ‘Esperar Para Ver’ e ‘Onda’ na H&M e na Urban Outfitters enquanto comprava meias. Algumas rádios gringas tocam as nossas faixas direto e também vários DJs tem tocado elas, divulgando as músicas por aí. Cada vez que ouvimos uma música nossa, sem esperar, é legal pra caralho…. ficamos muito felizes.

No Youtube a música de vocês foi bem apoiada pelo Delicieuse Musique, canal francês de excelente curadoria. Como vocês avaliam a importância desse tipo de suporte?

Sim, amo esse canal eles sempre postam muito conteúdo bom! Inclusive, semana passada saiu em premiere pro canal deles, um remix novo do Fatnotronic para os italianos do Boot & Tax, pelo label Rollover Milano. É muito bom ter o suporte deles! 

Muito além das terras brasileiras, Fatnotronic tem uma grande base de fãs na Europa. A quais fatores vocês creditam tanta aceitação das pistas do velho continente para essa mistura especial que vocês fazem?

Na minha opinião, no velho continente as coisas acontecem mais pela música e não pelo lobby… A primeira vez que fomos chamados para tocar na europa foi um convite do curador do festival “Transmusicales”, em Rennes, na França, por conta do EP Onda que tínhamos lançado. De lá pra cá os releases não pararam de sair, então uma coisa puxa a outra: você lança a track, as rádios tocam, os DJs tocam, o curador do festival vai até você para te convidar para tocar no festival… e é assim que, ao meu ver, era para funcionar. 

Quais são os principais planos e projetos para o restante de 2019 e, claro, 2020?

Um monte de coisas ainda… Eu (Phillip) lanço meu EP solo pela DEEWEE, dia 29/11, em vinil e digital… são quatro músicas bem club friendly e estou super ansioso. Esse vai ser o meu primeiro trabalho solo lançado. Além disso, dia 7 de dezembro tem Phillipi & Rodrigo no festival Tropico, em Acapulco, no México, tocando no mesmo palco que Optimo e Mathias Aguayo. Em fevereiro tem tour de inverno na Europa e ainda tem mais alguns outros países por vir também. E, claro em abril tem o Lollapalooza aqui em São Paulo!

Nessa reta final de novembro o Fatnotronic será um dos headliners da Levels MiniFestival, que rola neste sábado em Porto Alegre. O que podemos esperar dessa gig em especial, onde vocês tocam no palco do Alataj? 

Muitas saudades de tocar em Porto Alegre! O que dá pra falar é que vai ter bastante música boa para não deixar ninguém parado… Vão ter edits novos, músicas autorais novas, músicas de amigos, músicas não finalizadas, brasileiras, disco e acid… aquele tempero gordo do Fatnotronic.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em suas vidas?

Absolutamente tudo. A música nos diverte, inspira e nos alimenta… é o nosso trabalho, mas também a nossa distração. E é muito legal que acabamos dividindo isso com as pessoas. Confessamos que, as vezes, o silêncio também se faz necessário, mas a música costuma fazer parte de praticamente tudo em nossa vida. No momento nem conseguimos pensar em algum ponto realmente importante ao qual ela não esteja relacionada.

A música conecta.


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