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Alataj entrevista Gusta-vo [Neopop Festival]

Alataj entrevista Gusta-vo [Neopop Festival]

Mais de 15 anos de história separam o começo da história do Neopop Festival com o presente. O festival português, idealizado por Gustavo Pereira aka Gusta-vo na cidade de Viana do Castelo, realizou sua primeira edição em 2005, época em que seu nome ainda era Anti-pop. De lá para já são 14 edições eternizadas na trajetória do festival, trabalho que posicionou o Neopop como um dos principais eventos de música eletrônica da Europa e do mundo, tanto que alguns consideram a cidade como a capital mundial do Techno.

A 15ª edição já está marcada para agosto deste ano contando com alguns nomes como The Black Madonna, FJAAK, Honey Dijon, Loco Dice e Modeselektor. No próximo sábado, dia 08 de fevereiro, Gusta-vo chega ao Brasil acompanhado de Amulador e Rrose para assinar o primeiro showcase do Neopop do país, realizando uma noite na Mothership do D-EDGE. Um pouco mais da história do festival você confere a seguir na entrevista exclusiva que fizemos com o idealizador da marca.

Alataj: Olá, Gustavo! Tudo bem? Obrigado por conversar com a gente! Conte brevemente sobre sua história com a música. O que te atraiu para este universo e o que te mantém nele?

Gusta-vo: Tudo ótimo, estou em uma tour e de férias pela a América, que está sendo incrível! Bom, a minha ligação começou de forma natural e logo muito cedo na minha vida, pois meus pais e amigos sempre foram muito devotos a vários estilos musicais e considero que tive sorte na educação que me foi dada, me permitiu ter umas boas bases para depois seguir o meu caminho.

Quanto à música eletrônica não comecei logo pelo house/techno, mas sim pelo Jungle, algo mais Ambient, Big Beat, Drum N’ Bass, Dubstep e Future Jazz, mais tarde fui conhecendo melhor a cena house e techno que me fascinou e passou a ser meu foco e minha vida. Como disse, isso é a minha vida e a minha missão, por isso não penso tão cedo abandonar este mundo.

Pelo que li, você é um DJ que tem como “arma secreta” a versatilidade, flertando com house, techno e até sons menos convencionais. Na sua visão, o que não pode faltar no perfil de um artista  para fazer uma boa festa?

Eu acho que hoje em dia muitos DJs têm falta de passar um bom tempo como residentes de um clube. Ser residente é muito importante na leitura da pista e do público e a maior parte dos DJs de hoje não sabe o que é discotecar durante 6/7 horas seguidas para públicos diferentes, mas no mesmo clube. Eu fui residente durante vários anos e isso me deu essa tal versatilidade que eu acho essencial. Um bom DJ tem de saber passar música para 0, 50, 1000 ou 10000 pessoas, independente da hora ou do local. Além disso, essa minha versatilidade também deriva do meu gosto musical que é variado e, então, reflito isso nos meus sets.

Ao lado de Philly, você também é metade do duo Freshkitos, que já soma mais de 16 anos de história. Sonoramente, o que há de  diferente entre seu trabalho solo e este projeto? Como é para você manter estes dois perfis artísticos ativos ao mesmo tempo?

Eu e o Philly estivemos juntos muito tempo e chegou uma altura em que ambos precisávamos dos nossos projetos a solo para poder expressar 100% o que achávamos ser a nossa estética musical. Isso foi bom porque apesar dos Freshkitos agora tocarem menos vezes, tornou-se mais especial e conseguimos manter o projeto e a amizade. Tocar com o Phil é bastante fácil, temos muitos quilômetros de estrada juntos, então sempre que nos juntamos é bastante intuitivo e fluido.

O Gare Porto também é fruto de sua iniciativa em prol da música eletrônica em Portugal. Sei que ele é seu “filho” do coração, mas quais fatores você acha que foram responsáveis por garantir esse respeito que o club possui atualmente? Você o considera entre os melhores da Europa?

Sem dúvida que o Gare é uma referência não só na Europa como também a nível mundial.  Ele foi idealizado para os artistas e para o público desfrutarem ao máximo sem grandes floreados ou invenções. O Gare é um clube para os artistas se revelarem sem preconceitos, sem pressões e isso acaba por se sentir na pista de dança e tornar o clube muito especial e único.

Gare Club, em Porto

Além de ser um dos DJs mais respeitados de Portugal, você é também fundador do Neopop Festival, certo? Qual é a história que pode ser contada sobre o início do festival? Como é organizar um evento tão grandioso como este todos os anos?

Certíssimo. Tudo começou com o Antipop — 3 anos mais tarde tornou-se no Neopop. Nessa altura eu fazia programação da indústria no Porto e tinha todas as semanas DJs convidados, a ideia do festival era juntar o “best of” de cada temporada e ainda algumas novidades e nomes desconhecidos num só palco e evento. 

Além disso, era importante para nós toda a produção do evento e a qualidade do som e dos visuais. Cada ano que passa a responsabilidade aumenta, pois o grau de exigência sobe a um ritmo alucinante, mas é também um grande desafio e um prazer enorme continuar fazendo um festival como o Neopop, pois sinto o reconhecimento dos artistas e do público. 

O Neopop se encaminha neste ano para a 15ª edição, marcada para agosto. Descrevendo em palavras, qual seria o DNA do festival? Por que nós, brasileiros, deveríamos ir ao Neopop pelo menos uma vez na vida?

O Neopop além de tratar toda a gente que está envolvida nele como uma família, seja ele DJ, barman, caixa ou técnico, tentamos todos os anos nos superar ao máximo. Para nós é importante conseguir educar as pessoas e mostrar não só uma vertente da música eletrônica, mas sim várias e aliar isso aos melhores visuais, som e um espaço arrebatador. 

Nós trabalhamos ano após ano para que o Neopop não seja só mais um festival, mas sim uma experiência a todos os níveis. Que as pessoas nunca se esqueçam daqueles dias em Viana do Castelo e no Neopop. Acho que todo o brasileiro que gosta de música eletrônica vai sentir isso quando vier pela primeira vez ao festival. 

Em breve, a essência do festival chega ao Brasil através do showcase no D-EDGE. Ansioso para tocar por aqui? O que você conhece a respeito da nossa cena?

Eu sigo e conheço a cena do Brasil há muito tempo, é claro. Uma honra enorme poder levar o Neopop ao D-EDGE e poder atuar num dos melhores clubes a nível mundial. O Brasil sempre teve uma presença forte na música, logo eu acho que é natural que esse país dê muitos frutos. Lembro-me do Murphy e do DJ Mau Mau tocarem muito em Portugal ainda nos anos 90, muitos aqui não sabem mas o Amon Tobin é brasileiro e é um dos meus ídolos de sempre. 

Depois mais tarde tive a sorte de conhecer e trabalhar com o Marky, Patife, Marcelinho da Lua, CSS, Renato Cohen, Anderson Noise, Renato Ratier, Gui Boratto, Mix Hell e alguns mais. Também estive a representar o Neopop na Rio Music Conference. Eu acho que o Brasil ainda tem muito mais para dar e tem um potencial enorme por explorar. 

O showcase do Neopop acontece durante a noite Mothership, que tem uma proposta sonora avançada e transporta aqueles que estão na pista por diferentes estilos, décadas, gêneros e cidades. O que o público pode esperar dessa noite junto à vocês?

Sintonia e a mesma premissa da nossa parte. Levar o público numa viagem musical sempre contando o passado, o presente e o futuro da música eletrônica.

Para finalizar, uma pergunta pessoal e clássica do Alataj: o que a música representa em sua vida?

Acho que o meu trajeto fala por si só. Vivi e vivo com a música a 24/7, logo é algo que está enraizado em mim e que já não consigo largar tão facilmente. Música se for usada com bons propósitos é uma arma poderosa e linda que une pessoas de estratos sociais, ideologias, religiões e convicções num só local onde todos se respeitam e dançam lado a lado sem rótulos.

A música conecta.


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