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Música, gastronomia e arte dão o tom no Habbitat. ...

Música, gastronomia e arte dão o tom no Habbitat. Falamos com Ricardo Flores, que comenta seu novo projeto:

Existe uma magia especial em torno da Praia Brava. Localizada em Itajaí/SC, ela é destino de milhares de turistas todo ano e apresenta um mix de praia paradisíaca durante o dia e vida agitada a noite. Após alguns anos sem novidades consideráveis por lá, uma proposta inédita chega para transformar conceitos ligados a cena clubber do Brasil nesse verão.

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Estamos falando do Habbitat, novo club que tem no quadro societário Ricardo Flores, profissional com 20 anos de carreira, ex-sócio do Green Valley, Dream Valley e outros projetos de sucesso. Seu retorno a cena é marcado por uma proposta fina, discreta, sedutora e sonora. Localizado de frente para o mar da Praia Brava, o club promete entregar uma experiência diferente de tudo o que o público da região está acostumado. O line up anunciado para o verão é interessante e traz nomes que justificam a atenção captada pelos music lovers – Visionquest, No Regular Play, Franky Rizardo, Aninha, Anhanguera e HNQO estão confirmados.

Vale lembrar que o club é formado por três pistas: Sky Line, Wild Side e Fire Place. Juntos, eles oferecerão uma experiência fortemente conectada a música e gastronomia de ponta. O primeiro a ser inaugurado, nesse sábado, é o Wild Side, que traz consigo a força da terra em sua proposta. Em meio a uma sequência de compromissos, Ricardo topou o convite do Alataj para uma entrevista exclusiva, que você confere abaixo:

1 – Olá, Ricardo! Tudo bem? Começamos falando sobre um assunto delicado: sua saída do Green Valley. Essa decisão pegou muita gente de surpresa, não é mesmo? Conta pra gente como esse processo aconteceu.

Delicado, por que? Nenhum pouco, adoro falar desse projeto. O Green Valley foi muito relevante pra minha história, maturidade e projeção. Após oito ou nove anos desde o início da minha carreira, (quando dei início na cena local) passei por vários projetos distintos, DJs pequenos, em vários locais alugados, fazendas, parques, ou administrando outras casas, resolvi convidar meus antigos sócios (GV, que trabalhavam com shows de músicas populares) pra começarmos uma nova etapa na nossa região. Eu queria começar a trazer grandes nomes da cena mundial pra cá.

Então, começamos a concretizar isso, ainda em outras casas. Lembro do primeiro evento que fizemos juntos, no antigo club Divine, Tiesto na areia da praia. Aquele foi o início de uma nova era, Santa Catarina começava sua história e futuramente chegaria a ser considerada a Ibiza Brasileira. Após dois anos realizando eventos em outros locais, inauguramos o nosso club, o GV. Foram dez anos com a mesma sociedade  Grupo GV. Chegamos onde ninguém chegou, realizamos o que todos achavam impossível, colocamos o Brasil no topo do mundo. Sou muito grato por tudo que vivemos e conquistamos.

Além disso o club, quando eu vendi minha parte, deixei o grupo com mais de dez projetos distintos, jamais comprei alguma marca, criei todas do zero. Entre eles o Dream Valley Festival, projeto que me orgulha bastante por ter revolucionado os festivais no país. O line up que fizemos em 2012 com Calvin Harris, David Guetta, Armin Van Buuren, Justice, Hardwell, Zedd, Steve Aoki, Sharam, Dubfire, Dixon, Hot Chip, Magda, Nervo, Steve Lawler e outros… jamais acontecerá algo parecido no Brasil. Bons tempos!

Ah, minha saída, esqueci [risos]. Após todos esses anos, percebi que tínhamos objetivos diferentes, meus sócios não queriam inovar ou atualizar, pra eles nossos projetos já eram o bastante e eu percebia que nossos produtos estavam perdendo força. Levei projetos de dining club, beach clubs, entre outros pra eles, mas eles não se interessaram, então resolvi vender, confiar no meu feeling e começar a projetar algo mais atual, na tendência que o mundo vinha mostrando, menos gente, mais qualidade.

2 – É possível dizer que esse período entre a sua saída do Grupo GV até a decisão de abrir o Habitat, serviu como uma fase de avaliação do mercado? Como você enxerga a cena de música eletrônica e entretenimento no litoral de SC atualmente?

Sim, após quase vinte anos trabalhando, eu parei, descansei e refleti bastante. Venho construindo e edificando o projeto já faz alguns anos na minha vida e no meu habitat. Sempre tive nos meus planos e sonhos um lugar onde fosse possível comida, diversão, música e arte. Até porque sempre foi minha busca, minha bandeira e minha praia. Acredito que a personalidade e o que difere esse projeto Habbitat seja justamente a união de todas essas frentes. Na conexão dos sentidos e na junção dos quatro elementos num conceito. Acredito também, que o Habbitat esteja nos planos de muita gente mesmo que no inconsciente ainda.

Sobre a cena atual, acho que é a pior fase em duas décadas. Ninguém inova, todos só repetem os mesmos artistas e tendências, todos trabalham com o mesmo som e público. Mas ainda acredito, por isso voltei a investir aqui.

3 – Na década passada Balneário Camboriú foi apelidada de Ibiza brasileira, principalmente pelo alto número de festas eletrônicas que estavam se desenvolvendo naquele período. Entretanto, hoje o que vemos é um mercado dominado por alguns super clubs e pouco espaço para novos grandes investimentos. Como criar algo sustentável dentro desse atual cenário?

Vejo que sim, os super clubes conquistaram seu devido e consagrado espaço depois de uma insistência de 10/15 anos na cena. Justo. Além disso, me incluo nessa pra lembrar que levamos nossa cidade e o país para o assuntos mais comentados do mundo e literalmente no topo, muito bem posicionados, aonde continuam até hoje. O que acontece é que os tempos são outros e um super clube hoje em da não é mais tão o suficiente, nem uma super atração. É preciso entregar experiência e despertar alguma necessidade básica para que essa abordagem seja efetiva. Obviamente que não estamos falando que um flyer não convida mais, mas o que ta escrito nele faz toda a diferença.

O mercado cresce, está aberto a novas experiencias e modelos de negócios. O mercado pede por mais sentido no entretenimento e mais nexo nas negociações. O Brasil somos nós e me incluo total nessa. percebo um nicho inexplorado não só ao meu redor, mas pelos lugares onde passei. Muitos me servem de inspiração, outros me ajudam a definir o que não quero. É compreensível a saturação dessa leitura condicionada que é o mercado. O convite meu e do projeto é justamente ao contrário, por isso dificulta mais para posicionar. A disrupção é a proposta desde o inicio e esse publico primário de inovadores é que vão nos levar a ser referência no entretenimento no Brasil. Assim como eu, o mercado e a cena eletrônica se reinventam para que possamos compartilhar o design de experiência dessa nova era de música, diversão e arte.

4 – Sob seu comando, o Green Valley apresentou nomes como Ricardo Villalobos, Luciano e Groove Armada. Entretanto, foram as ditas atrações big rooms que marcaram a história do club. No Habitat, qual será o foco exato da curadoria? Outros estilos, que não house/techno, terão espaço na agenda do club?

O gênero anda de acordo com o posicionamento e o conceito que viemos desdobrando ao longo dos meses. Os cinco sentidos são trabalhados inconscientemente em todo o habitat e a audição é tão protagonista quanto os outros. Obviamente que os sentidos ficam aguçados e essa potência é representado através da curadoria musical por uma construção do line-up muito bem pensada. Não viemos pra mudar a cena da música, até por que ajudei a construir, mas para sugerir um novo estilo de vida na praia e uma experiência na entrega. A programação musical tem uma batida e um mix de elementos com instrumentos que dão o tom da cena eletrônica numa interessante conexão com disco, rock, blues, jazz, entre outros.

Trabalharemos todos os gêneros de uma forma inovadora. Sempre a música seguida da arte, comida e diversão. A ideia não é só relacionada ao eletrônico, mas de início me pareceu elegante para uma estreia. Tem espaço e vontade para outros estilos.

Ah, ia esquecendo, os grandes nomes também terão vez no Habbitat – embora seja um club infinitamente menor do que os meus antigos. Erick Morillo, Kaskade, Luciano, Claptone, entre outros estão por vir.

5 – Sabemos que você é um grande fã de gastronomia e isso certamente motivou a proposta apresentada pelo Habitat, não é mesmo? Como funcionará esse setor dentro do club? Haverá um cheff renomado no comando da cozinha?

Sim! Sem dúvida a linha de frente mais aguçada do Habbitat é a gastronomia. Penso que através dessa conexão conseguimos alcance. Acompanhei de perto esse mapeamento e construção de cardápio para chegarmos a dois grandes nomes para personificar e posicionar o Fire Place à alta gastronomia. Temos dois grandes chefs e nossa maior inspiração vem direto do Noma, na Dinamarca, eleito o melhor restaurante do mundo, em 2010. Dudu Poerner constrói nosso cardápio e eleva nosso perfil gastronômico num particular senso de estilo. Bruno faro, tem um pegada latina na sua cozinha e é quem vai comandar a cozinha diária do restaurante nesse desdobramento de conceito e técnica slow food. Acho que posso dizer que o Fire Place tem como foco e força e conexão a cozinha mediterrânea, pegada latina mediterrânea melhor dizendo. Na verdade não é só a técnica, Slow Food é a consciência na comida. A opção vegana entra em todo nosso cardápio, inclusive no menu Réveillon.

6 – Mundialmente, um dos problemas que mais assusta a cena clubber internacional é a especulação imobiliária. Você e seus sócios não temem que os altos investimentos feitos pelo Habitat agora, possam ir por água abaixo em breve por conta de algum plano relacionado a uma grande construção no local?

O local foi mapeado, estudado, projetado e executado por grandes mentes e por uma corte de sócios. O contrato é de vinte anos.

7 – Após tantos anos de trabalho relacionado a música eletrônica, quais são os melhores aprendizados que você tirou desse mercado até então?

Penso que é sempre o primeiro projeto. O sucesso dos meus outros não garantem o atual e tenho foco e disciplina para a linha de negócio não se perder.

8 – Para finalizar, você poderia adiantar alguma novidade em relação a inauguração do Habitat?

Novidade? O projeto é 100% novo, pensei em tudo que não temos na nossa região, criado do zero, não parece com nenhum outro. Conceito, marca, identidade… funciona quase 24h por dia, 3 pistas, dia, noite, sunsets, gastronomia de qualidade, dining club, rooftop, de frente pro mar, atendimento na praia, espaço para aluguel de eventos, arquitetura extraordinária e inovadora, quer ainda mais novidade [Risos]? Convido todos vocês a conhecer meu novo habitat a partir do dia 23!

A música conecta as pessoas! 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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