O pordutor curitibano Henrique Oliveira aka HNQO está prestes a lançar o seu debut album. The Old Door sairá dia 20 de Outubro pela DOC e é o resultado de uma longa jornada do estúdio de Henrique, que despontou para o cenário internacional em 2014 após emplacar sucessos que catapultaram seu nome para o hall dos principais produtores de música eletrônica do Brasil.

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Agora, bastante viajado e com uma identidade sonora bem definida, HNQO encara o desafio de transformar suas inspirações e experiências do cotidiano para as 10 faixas que compõe seu primeiro álbum – 3 delas são frutos de colaborações. A escolha da DOC reflete uma preocupação pela profundidade do release, já que o label brasileiro dirigido por Gui Boratto é um dos poucos a assumir uma postura responsável frente a todos os seus releases.

Celebrando esse ótimo momento na carreira, Henrique nos atendeu para um bate-papo exclusivo sobre essa importante fase que passou para produção do disco. Tem mais: ele também concedeu com exclusividade a premiere da faixa 40?S Cartoon e uma playlist de referências para o nosso Spotify. Confira abaixo:

1 – Olá, Henrique! Tudo bem? É uma grande honra falar com você às vésperas do lançamento desse álbum. Imagino que o processo criativo de um trabalho complexo como esse é bastante motivador, mas também cansativo. Conta pra gente como foi administrar o tempo no estúdio em meio as gigs:

Olá pessoal, tudo certo! Obrigado por abrir o espaço para apresentar um pouco sobre o projeto. Durante todo o processo de criação do album eu tive uma redução no volume de gigs e assim pude focar na produção sem muitas interferências. A coisa toda foi bem natural e sem nenhum tipo de pressão.

2 – Suas raízes musicais são conectadas a nomes como Kool Herc e Grandmaster Flash, certo? Ainda hoje, artistas como eles influenciam a forma como você cria sua música? Traços desses estilos estão presentes nesse álbum?

Estes são nomes que me acompanharam na minha formação, além de outros. No momento o meu gosto musical se encontra o mesmo, porém, desbravando novos horizontes e estilos. Procurei grande parcela de inspiração em trilhas sonoras de filmes e jogos para produzir o álbum, assim como as ferramentas que utilizei para alcançar a sonoridade que ele apresenta. Um approach mais clássico da música esteve presente neste período de imersão.

3 – Ainda sobre referências: Martin Stimming e Anders Trentemøller são citados como as principais fontes de inspiração para construção de The Old Door. Como cada um desses nomes se mostram presentes no disco?

Estes são dois dos artistas que acompanho desde o início da minha vida na música eletrônica. Dentro do estilo eles são as principais influências na produção do álbum não somente por admirar a capacidade de contar historias em cada uma de suas produções, mas também pelo cuidado técnico que ambos possuem na hora de produzir. Eu sou bem apegado aos detalhes e ambos são bem cirúrgicos quando este é o assunto.
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HNQO e FABO com Stimming no Warung

4 – Percebo que há um certo ar romântico e apaixonado em algumas de suas produções e até mesmo na bio do álbum. O amor e o relacionamento com pessoas próximas foi essencial no processo criativo?

Passei por algumas crises durante a produção do disco. Uma certa instabilidade emocional que contribuiu com a sensibilidade perante as ferramentas do meu estúdio. Tive momentos bem profundos enquanto escrevia cada uma dessas músicas. Com certeza tem uma grande carga emocional envolvida no processo todo.

5 – Acreditamos que um grande produtor é aquele que consegue trazer outros estilos para música eletrônica, de forma certeira e pessoal. Podemos dizer que esse é um dos seus grandes objetivos e marca registrada do seu som? Ouça premiere de 40’s Cartoon abaixo:

Eu também acredito nestes e outros requisitos para qualificar um grande produtor. Prefiro deixar esta decisão para quem analisar cada uma das músicas. O que posso dizer é que houve um esforço para tornar mais humano e interessante, musicalmente falando, o resultado final deste projeto.

6 – Tenho a impressão que atualmente os álbuns não possuem a mesma importância frente ao público, quando comparados há 20 anos, principalmente pela velocidade com que novas músicas são lançadas. Você concorda com isso? Ainda hoje produzir um trabalho como esse pode ser considerado um changing point?

Novos artistas aparecem em uma velocidade que já não podemos mais acompanhar. Frequentemente descubro produtores e artistas de nichos distintos que jamais imaginaria que existissem. Aí mora a beleza da coisa, na minha opinião, podemos nos surpreender sempre. O único pensamento que tive na hora de produzir meu álbum foi o de satisfazer a necessidade artística. Sem pensar em como o mercado se comportaria perante ao seu lançamento e sim em como as pessoas entenderiam este trabalho tão pessoal que depositei meu esforço durante um ano. Esta é a parte intrigante e realmente satisfatória pra mim.

7 – The Old Door: de onde surgiu esse nome? Ele foi uma escolha sua?

The Old Door é a porta que abri para acessar um novo caminho artístico. A produção de um álbum não é grande novidade para o mundo da música, por isso o “Old”, mas também não deixa de abrir horizontes e trazer novas possibilidades. Achei pertinente dar este nome para a faixa de abertura do disco. A abertura de uma porta simbolizada pelo arrasto de cordas de violino dá um ar de curiosidade sobre o que te espera do outro lado.

8 – Ao ouvir o álbum, sinto que há uma preocupação em manter os elementos orgânicos em destaque. Como você atingiu esse nível desejado?

Fico feliz que tenha notado! Me preocupei bastante em gravar a maioria dos elementos que estavam ao meu alcance. Montei um pequeno kit de percussões durante o processo e usei um gravador para captar alguns ambientes, momentos e texturas.

9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Representa uma busca sem fim por um objetivo que eu desconheço, somada ao prazer do trajeto.
A música conecta as pessoas!