Alataj entrevista Kid Simius

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Nascido em Granada e atualmente morando em Berlim, Kid Simius desenvolveu uma relação muito próxima com a cena hip hop da Alemanha graças a sua participação no projeto Marteria. Entretanto, sua história na música vem de muito antes disso, já que logo na adolescência ele era parte de uma cena mais próxima ao electro punk e por aí começou a construir seu background musical.

Ao se mudar para Berlim, Kid largou uma carreira em psicologia e passou a estudar Comunicação Acústica na Universidade de Artes de Berlim. Daí em diante, ele passou a trilhar seu próprio caminho, baseado em suas vontades e sonhos. Os estudos o levaram a uma série de noites sem dormir, trancado no estúdio para experimentar o máximo possível de atmosferas capazes de desenvolver seu som. Absorvendo todo conhecimento como uma esponja, Kid Simius começou a liberar seus primeiros lançamentos e influenciado por nomes como Jimid Hendrix, Squarepusher e LCD Soundsystem, sua discografia ganhou forma e encorpou.

Distanciando do que há de mais comum na cena house e techno que estava explodindo em Berlim por meados de 2012, Simius seguiu flertando com o electro se fundindo com hip hop, rock e traços clássicos da eletrônica do século passado. Seus trabalhos passaram a ter bom reconhecimento e ele finalmente chegou ao line up de festivais como MELT, Splash, Fusion e SXSW – seu formato de apresentação ao vivo o permitiu uma leitura nova e emocionante para cada show. Hoje, com uma série de lançamentos de sucesso e bastante experiência na bagagem, Kid Simius celebra um importante momento na carreira que culminou no recente lançamento do EP La Hacienda. Aproveitamos o momento para entregar uma entrevista exclusiva com o artista:

Alataj: Olá, José! Tudo bem? Obrigado por nos atender. O que você pode nos contar sobre sua infância em Granada? A atmosfera da cidade foi positiva para o seu desenvolvimento enquanto artista?

Kid Simius: Estou ótimo, obrigado! Granada desempenhou um papel incrível no meu desenvolvimento como artista. Obviamente, todas as coisas a sua volta quando você está crescendo tem uma influência sobre você como artista, consciente ou inconscientemente. Em Granada, você encontra uma mistura única de culturas ao longo de sua história, o que a torna uma cidade muito especial. Quando comecei a fazer música, tive tendência a me inspirar nas coisas que aconteciam na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos e ignorar as coisas que aconteciam em Andaluzia. Hoje em dia, presto mais atenção e fico muito mais inspirado com as coisas que surgem de lá, especialmente Granada: a música, as pessoas, a arte, a cultura, a comida, etc.

Poucos são os artistas que conseguem unir outros movimentos musicais com a dance music de forma eficiente. Como você tem trabalhado isso ao longo dos anos? Qual o papel do hip hop em sua formação musical?

Não pensei muito sobre isso, apenas aconteceu. Quando você tem 24 anos, você experimenta as coisas de uma forma muito curiosa. Ainda tento manter essa curiosidade comigo, embora quando você cresça, você fique mais ciente das coisas. O hip hop sempre me inspirou em termos de proximidade. Quando você começa a produzir música do 0, você não sabe nada sobre técnica ou o que quer que seja, é como se para produzir faixas você precise de um estúdio enorme, muitos equipamentos, um pouco de conhecimento sobre música, etc. O hip hop me pareceu alguns amigos se divertindo em um apartamento com dois alto falantes, um laptop, placa de som e um microfone barato. Diversão sempre foi uma boa motivação para eu fazer as coisas.

A decisão de se dedicar plenamente a música eletrônica é uma tarefa bastante complicada, principalmente quando há a possibilidade seguir uma carreira “normal”. Como foi esse processo pra você?

Eu senti necessidade de fazer música. Tenho sorte, não preciso fazer outras coisas além de música, mas se precisasse, continuaria fazendo música de qualquer forma. Se eu olhar para trás, pode ter sido arriscado, mas quando você tem apenas 20 anos, de alguma forma parecia normal, “é isso que eu quero fazer, então vamos lá!”

Dentro e fora da música eletrônica, quais são seus artistas preferidos? Estes nomes exerceram um papel importante na sua criação ao longo dos últimos anos?

Rosalia, Los Planetas, Ray Heredia, Lou Reed, Blur, LCD Soundsystem. Todos eles me influenciaram de alguma forma, principalmente porque tinham uma ideologia concreta na forma como faziam música.

Acredito que um dos pontos altos de sua carreira é a performance ao vivo. Como tem sido trabalhar nesse formato e como funciona sua preparação para as gigs e turnês?

Sempre tento muita coisa, às vezes leva muito tempo, mas no fim eu só quero me divertir no palco e para isso eu tento me preparar da melhor forma possível a fim de ter uma boa experiência tocando minhas músicas. Tudo se resume a pergunta: eu iria a um dos meus shows para me ver fazendo um live?

Em sua bio, você cita que seu objetivo como músico é se surpreender. Na sua opinião, você sente que sua música causa uma boa surpresa no ouvido e no coração dos ouvintes?

Eu ficaria muito feliz se isso acontecesse, mas não é a minha intenção. A única intenção que tenho com a minha música é me divertir (ser surpreendido) e compartilhar coisas que gosto e formas de ver as coisas com as pessoas.

La Hacienda acaba de ganhar uma série de remixes um tanto quanto especiais. Como foi o processo de escolha desses nomes e o que este lançamento representa em sua evolução artística?

Estou muito feliz com os remixes. Apenas perguntei às pessoas as quais eu gosto da música via e-mail, Facebook ou Instagram, alguns responderam e outros não. Esse foi o caso de Paulo Olarte, gosto muito da sua música e perguntei para ele sem nos conhecermos pessoalmente.

Uma história parecida com Schlachthofbronx: encontrei eles algumas vezes em festivais e gosto muito do que eles fazem, então perguntei se eles gostariam de fazer um remix. Eu já conhecia Denite e C.O.W e gosto muito deles como pessoas, vi eles tocando e gostei muito, o que me levou a pedir para fazerem um remix.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Quase tudo, a única coisa que é mais importante é a minha família.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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