Alataj entrevista L_cio

O processo criativo que envolve a produção de um álbum é, na maioria das vezes, uma etapa importante de autoconhecimento e aprendizado para o artista. No caso de Poema, debut álbum de L_cio, não foi diferente. Criado na ponte aérea São Paulo/Floripa, o disco de estreia do já aclamado produtor brasileiro traz referências que até parecem se chocar inicialmente, mas no fim resultam em uma bela narrativa. De um lado, a tranquilidade da Lagoa da Conceição. Do outro, o caos intenso do Minhocão…

Ao todo, são 8 faixas originais, em sua absoluta maioria inéditas, que trazem a tona o caráter emocional e orgânico da produção de L_cio. Além de um ponto de virada no panorama artístico da carreira de L_cio, Poema representa a continuidade de um trabalho que vem sendo cuidadosamente lapidado junto a DOC e já conta com capítulos importantes, como o single People Talk e o remix oficial de L_cio para Chico Buarque em Construção.

O disco, que teve o auxílio de Gui Boratto em sua finalização, será oficialmente lançado no dia 29 do próximo mês. Antes disso, convidamos L_cio para um bate-papo em torno de alguns dos principais pontos desse lançamento sólido e inteligente. Confira:

Alataj: Olá, Laercio! Tudo bem? Sempre um prazer ter você aqui. Acabamos de ouvir Poema e wow! que grande trabalho. Quanto tempo o álbum levou para ficar 100% pronto?

L_cio: Oi! O prazer é todo meu… obrigado! O álbum teve um processo um pouco demorado – acho que levamos um ano pra fechar, pois tínhamos bastante faixas e no meio do caminho ainda apareceu a Forte (track que será tema de clipe que sairá em breve). Mas valeu todo processo.

É nítido que você usa de diferentes influências na construção do disco. Ainda assim, essa pergunta é irresistível: quais foram as principais fontes de inspirações que o ajudaram na produção deste trabalho?

A minha maior inspiração foi o desafio de construir uma narrativa que representasse meus 12 anos de produção e ainda pudesse ser um trabalho relevante, musical e principalmente atendesse à diferentes audições.

Você construiu boa parte da sua carreira em São Paulo, mas morou durante um ano em Floripa. De que forma cada um desses cenários impactou na produção do álbum? Como era seu estúdio em SP e como ele foi montado na ilha?

Minha relação com São Paulo é visceral e me influencia diariamente. O início do álbum foi no meu quarto (não tenho estúdio) no antigo apartamento que alugava em frente ao Minhocão – super caótico, urbano. A música Poema começa com sons que gravei da janela do quarto (sons de carros, trânsito). Minha mudança para Florianópolis aconteceu durante a composição do álbum. Da mesma forma, tinha um quarto que usava para produzir. Floripa foi uma experiência super bacana pra mim – vida boa – e me ajudou muito a fechar o ciclo do álbum (na faixa Lagoa gravei sons da manhã no Canto da Lagoa, onde morei).

Tecnicamente falando, quão importante foi a DOC para o desenvolvimento e finalização desse trabalho? O Gui tem mostrado alguns caminhos pra você nesse tempo de parceria com o label?

Foi fundamental para que a finalização do álbum acontecesse de forma madura. O Gui é um gênio e tenho aprendido muito a cada faixa finalizada com ele.

Artisticamente, quão especial esse lançamento é pra você? Poema é o nome de sua cachorrinha, certo? O que levou você a fazer essa homenagem?

É meu primeiro álbum e penso que saiu na hora certa, com mais maturidade e coerência. Sinto que artisticamente consegui “chegar lá” quando me enxergo em cada música do disco. Espero encontrar muito mais desafios que me motivem tanto quanto foi a composição do álbum.

Poema é minha companheira e a amo muito. Ela passou por toda a mudança de São Paulo para Floripa e vivenciou comigo toda criação do álbum – deve ter sido o ser que mais escutou meu álbum [risos]. A homenagem é justa e vai perpetuar o amor que sinto por ela através da música.

Seu live act tem mudado/vai mudar muito com o lançamento do disco?

L_cio: Meu live muda constantemente e a maioria das músicas do álbum, já tenho tocado há um tempo – Canto, Avante e Forte.

– Line-up consistente e coerente.- Localização roots.- Decoração perfeita.- Sets impecáveis.- Projeções absurdas.Muita qualidade e amor envolvido nessa produção…Sou muito suspeito pra falar…mas né 😆Vida longa a HOAX PARTYNo vídeo L_cio

Publicado por Cristian Fernandes em Quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A última, uma daquelas bem ingratas. Se você possível resumir esse disco em uma palavra..

Felicidade.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

RELATED POST

INSTAGRAM
SIGA-NOS