Alataj entrevista Mason

Por Nazen Carneiro

Com milhões de streams nas mais diferentes plataformas e mais de trezentos mil ouvintes mensais no Spotify, o DJ e produtor holandês Mason tem o seu lugar nos mais diferentes cases do mundo e do Brasil, numa lista que passa por grandes nomes do underground e estrelas do mainstream. 

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Em 25 anos de carreira, suas músicas foram lançadas em parte das principais gravadoras do mundo e não por menos ele acumula sucessos em camadas distintas da indústria. Músico de formação, eventualmente Mason tocava violino nas tours da lenda viva Tiesto – nas quais também era o DJ de abertura. Com o lançamento de Exceeder pela Armada Music, em 2006, sua carreira tomou outras proporções e o artista alcançou exposição global na linha de frente. 

Em 2019 Mason se apresentou em diversos países da Ásia, Europa e Américas. Será que teremos o Brasil nessa lista em breve? No embalo do lançamento de Take It Down pela Another Rhythm, batemos um papo especial sobre vida e carreira com este importante nome da dance music holandesa e mundial:

Alataj: Oi Mason, tudo bem? Obrigado por nos receber. Notei em sua comunicação que você tem uma relação muito especial com animais. Como exatamente surgiu isso?

Mason: Estou bem! Obrigado a vocês pelo convite! Quando criei minha label dez anos atrás, escolhi o nome Animal Language (linguagem animal) pois fazia sentido junto com as músicas diferentes e bem peculiares que queria lançar nela. Cada lançamento ganhou seu próprio animal desenhado, o que acabou por gerar todo um cosmos de criaturas. Eu também cuido de dois gatos e tenho um jardim cheio de caracóis e aranhas, mas isso é outra história.  

Como parte da cena de Amsterdã como você avalia as recentes transformações da cidade? De uma maneira geral, existe hoje algum espaço mais frutífero para a música eletrônica em comparação com alguns anos atrás? 

Amsterdã está explodindo em número de turistas, o que também empurra muito o mundo das baladas. Por décadas a cidade tem sido um refúgio constante da música eletrônica que tem uma visão de futuro. Embora a Holanda seja conhecida por suas estrelas da EDM, você não ouve esse tipo de som em Amsterdã, pois nossa cidade tem muito mais a ver com um som mais profundo. O mundo dos clubes é grande e vibrante, e os festivais ainda mais (temos cerca de 300 festivais de dance music perto de Amsterdã por ano).

Sua música tem um potencial de inserção tanto na cena underground quanto em mais frentes comerciais. Como você procura trabalhar esse equilíbrio na pista de dança e no estúdio?

Para produzir, eu busco não pensar nessas coisas, apenas faço a música que amo fazer. A característica mais underground está presente, mas no entanto, também sou amante do pop, por isso tenho a tendência em trabalhar com muitos vocais. Graças a isso tive o prazer de trabalhar com alguns dos meus heróis como Run DMC, Roisin Murphy, Shingai Shoniwa entre outros que realmente me inspiram. 

Eu gosto que minha música seja compreensível para uma grande variedade de pessoas, mas (espero) que de uma maneira nova e original. É também por isso que meus fãs são uma grande variedade de pessoas, jovens e velhas e de todo o mundo. Nos meus sets de DJ, costumo tocar um pouco mais de coisas despojadas e mais underground. Mas no final do dia, há apenas música boa e ruim.

Um de seus releases destaques deste ano, a faixa Rythim in my Brain pela gigante inglesa Toolroom Records foi, inclusive, sua estréia pela gravadora. Comenta essa faixa por gentileza?

Uma música como essa estava faltando no meu set. São sons que simplesmente não são lançados com tanta frequência então por isso eu a criei. Agora estou trabalhando mais perto com a Toolroom em novas músicas, portanto, fiquem atentos! Vem mais coisa boa por aí.

Hip hop, house, eletro, funk e disco se fundem ao seu histórico musical, isso é notório. Como funciona para você organizar esse caldeirão de referências de uma maneira que faça sentido?

Eu sou DJ há 25 anos, então sim, há influência de todos os tipos de gêneros. Mas também a vida em geral inspira – e tudo sai subconscientemente quando você faz música. Você não deve pensar muito nessas coisas, eu acredito.

Exceeder. Como exatamente essa track mudou sua carreira? Em suas tours, as pessoas ainda o reconhecem por causa dela?

Totalmente. Na época do lançamento de Exceeder eu já estava em turnê pelo mundo (fui o DJ que abria os shows do Tiesto, além de violinista por um tempo), mas minha vida mudou cerca de 180 graus desde Exceeder. Eu tive que reunir managers, relações públicas e marketing em cada território em um curto espaço de tempo. No entanto, eu não gosto de me repetir e sempre gosto de explorar novos gêneros, por isso nunca fiz um Exceeder parte 2, 3, 4 etc. Esse álbum me deu o impulso necessário para obter uma audiência que ainda me segue e assim posso apresentar todas as minhas novas músicas, algo que sou muito grato.

Você trabalhou em colaboração com alguns artistas brasileiros recentemente, incluindo o DJ Glen. Como foi essa colaboração? Você destacaria alguma característica especial na maneira como o povo brasileiro cria música? 

Eu acho que o Brasil tem uma das cenas de música eletrônica mais distintas do mundo no momento e eu toco música de artistas brasileiros MUITO frequentemente! Acabei de terminar um EP junto com o DJ Glen, que sairá em breve, mas também lancei no meu selo músicas de artistas brasileiros como Bruno Furlan, Pimpo Gama, Jean Bacarreza e outros artistas. Além da cena da música eletrônica, também foi ótimo colaborar com uma das lendas da Bossa Nova do Brasil, Marcos Valle, alguns anos atrás! O brasileiro ama música, isso é muito bacana.

Planos, notícias, lançamentos. O que poderíamos esperar de Mason para o resto de 2019?

Um monte de material novo em gravadoras como Skint, Loulou Records, Another Rhythm, Animal Language. Parece que estarei em turnê pelo Brasil em breve também!

Para finalizar, uma pergunta pessoal: O que a música representa em sua vida?

Sem música, eu provavelmente ficaria na cama o dia todo! 

A música conecta.


Equipe de reação do portal Alataj, focada em levar conteúdo cultural ao público antenado na música eletrônica.

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