Alataj entrevista Moretz

Estamos em 2019 e se você ainda não parou para ouvir a excelente geração de DJs mulheres que estão verdadeiramente dominando o Brasil nos últimos anos, não deixe mais para depois. Impulsionada pela cena pulsante de BH, Clara Moretzsohn aka Moretz é um desses nomes que esbanja talento, técnica, repertório e tudo mais que a gente considera importante para uma boa DJ. Nos conectamos com ela no Xama e daí surgiu o convite para esse conteúdo.

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A personalidade forte de Clara, residente do super coletivo mineiro 1010, enquanto artista e pessoa, transborda na pista e faz sua presença no palco ser ainda mais especial. Algumas pessoas possuem a veia da música pulsando desde o nascimento e com Moretz isso é evidente, visto que seu pai é um grande apaixonado por house music e a influenciou desde muito jovem. Seu debut no Alataj rola com uma entrevista super bem respondida (demonstrando grande maturidade em torno de seu momento de carreira) e um mix daqueles para ouvir em casa, no carro, no esquenta, no after, em todo lugar… vem que tem:

Alataj: Oi, Moretz! Tudo bem? Obrigado por nos atender. Ficamos impressionados com a maturidade e extensão de sua pesquisa musical apesar da pouca idade. Quando exatamente você começou a pesquisar dance music e quando percebeu que o palco era o seu lugar?

Moretz: Oiiii! Tudo ótimo! Obrigada a vocês pelo convite! Então, eu tenho contato com a dance music desde pequena, por causa do meu pai. Então desde cedo eu tinha minhas músicas favoritas de disco, house e hip hop também. Fui ficando mais velha, a cena de Belo Horizonte estava começando a ressurgir e meu interesse em pesquisar nasceu quando vi pessoas da minha idade – principalmente mulheres – tocando. Nessa época eu tinha 20 anos! Comecei a tocar, colocar a cara no sol, me reinventei no meio disso tudo e, quando vi, estava num lugar em que eu estava maravilhada e satisfeita com o que eu vinha fazendo. E não quis parar mais.

Você faz parte de uma nova geração de artistas de Belo Horizonte que tem impactado bastante a cena nacional. Como você se sente como parte desse movimento e qual sua avaliação sobre o atual momento da cena de BH?

É muito maravilhoso estar no meio dessa nova geração, no meio de pessoas incríveis que fazem a cena daqui acontecer! Artistas empolgados, competentes e inspiradores. Me sinto muito contemplada pelo movimento todo que está acontecendo aqui. Eu cheguei e ele já existia, então eu vivi um pouco de fora também, como uma espectadora, e as coisas evoluíram bastante para chegar no que somos agora. Hoje em dia a cena por aqui está bem madura, do ponto de vista interno, estão vindo DJs de fora se apresentar, o que é bem bacana e todos que passam aqui falam a mesma coisa: “a melhor pista do Brasil, talvez a melhor do mundo [risos]”. E realmente, a energia daqui é contagiante, para cima, o público tem sede e é muito receptivo ao que o DJ tem a mostrar.

Sua passagem pelo Xama 2019 contou com dois sets bem bacanas, um na primeira boat party e outro no lago do Na Mateiga na última tarde de 2019. Como você reflete sobre sua participação e experiência no festival?

A minha experiência no festival foi maravilhosa. Estar naquele lugar e tocar com pessoas que movimentam a cena em vários cantos do Brasil foi muito especial. Acho que uma das melhores partes disso tudo é conhecer e compartilhar com quem também está no rolê!

Sobre minha participação não posso deixar de dizer que tocar no barco com a Barbara Boeing e com a Valesuchi foi surreal! Enquanto eu estava tocando, eu olhava pra trás e via aquela paisagem, sem dúvida, inesquecível! Fiquei satisfeita com o que mostrei no festival. No lago do Na Manteiga peguei o finalzinho da tarde e início da noite e me inspirei naquele clima para fazer um mix que combinasse com aquela vibe mais intimista, tocando musicas como Funk Superfly do LTD Sound Machine, Don’t Stop The Music do Yarbrough & Peoples… no Set que gravei pra vocês tem um pouquinho do que toquei lá!

De que forma a 101Ø contribuiu para o seu crescimento enquanto artista e pessoa?

A 101Ø me ajudou a perceber que eu queria levar isso tudo a sério. Me ajudou também a me situar no meio de tantos artistas que tem aqui na cidade e no Brasil, a abraçar minha identidade e a amadurecer e confiar nela. Eles são uma família e tudo mudou quando eles me acolheram pra fazer parte dela. Nós todos crescemos muito juntos.

Percebo que há um mix de influências interessante em seus mixes. Qual é o caminho que você utiliza para reunir tudo isso e construir uma história que faça sentido?

Então, quando comecei a tocar esse mix de influências que eu amo, me fez ter um tanto de dúvidas com relação ao caminho que eu queria seguir na minha narrativa sonora. Eu achava que tinha que escolher um “estilo” só, que misturar coisas demais não dava certo. Depois de muito lutar comigo mesma, descobri que essa mistura faz parte da minha identidade e que não consigo entregar algo que seja muito certinho e quadrado. Claro que não é pra fazer um set bagunçado, porque eu sempre tento criar sentido para os meus mixes a partir da energia que sinto de uma música, que combina com a de outra, ou então a partir de algum elemento em comum, por exemplo selecionar tracks somente com vocal feminino, com tonalidades harmônicas ou com batidas quebradas.

Acredito fortemente que a música é uma fonte poderosa de conexão entre as pessoas. Dito isso, como você enxerga seu papel frente a pista de um club ou festival? Você se vê na responsabilidade de transmitir algo realmente positivo para aqueles que estão te assistindo ou é mais sobre dar o seu melhor e isso basta?

Concordo 100% e acredito que é a responsabilidade de transmitir algo de positivo que me dá vontade de dar o meu melhor.

Estar nas pickups é uma super responsa, tanto porque estamos conduzindo a energia da festa com a música e com as vibrações que transmitimos para o publico, quanto porque estamos inspirando pessoas que tem vontade de tocar também!

Gosto de cantar e dançar como se eu estivesse na pista enquanto estou tocando e, como mulher, reconheço que é revolucionário ocupar esse espaço!

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Alô São Paulachegay cheia de Tsão hoje faço um b2b com a Victoria Ortiz na AP21 e NINHO NA RUA VAMO BORA PRA LA AGORAamanhã no after da CALDO BʀEAKdia 14/12 Carol Mattos // Due // Moretz. no Orfeudia 16/12 na POLPA na Rua video mara na ultima Gop Tun por Cognição Eletrônica <3

Posted by Moretz on Saturday, December 8, 2018

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música é o que me conecta comigo mesma e com o meu exterior. Sentar, colocar o fone, e só ouvir me faz pensar e me situar, me ajuda a entender os meus sentimentos como um todo. Começar a trabalhar como DJ mudou tudo, descobri o prazer em compartilhar e extravasar esses sentimentos através da música. Ela representa os melhores momentos da minha vida.

A MÚSICA CONECTA.

Foto capa por Cognição Eletrônica


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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