Ruede Hagelstein, como sua própria biografia diz, é um filho de Berlim. Nascido no entorno rural da cidade, Ruede se mudou para capital alemã em 2000 e desde o princípio esteve plenamente envolvido com a cena artística da cidade. Por lá, trabalhou com agências web, editorial de revistas e claro, dance music.

Fortemente inspirado pela cena clubber que se fortalece em diferentes regiões da cidade, Hagelstein logo começou a comprar seus primeiros discos e frequentar o circuito eletrônico que pulsa semana pós semana. Daí para a produção foram dois toques: no estúdio, Ruede desenvolveu um estilo certeiro, extremamente funcional no dance floor e com identidade suficiente para ser reconhecido fora dele.

Seus principais lançamentos foram entregues para labels do calibre de Watergate Records, Bedrock, Audiomatique, Selador e Upon You e seu cartel de colaborações conta com nomes com Marc Romboy, John Digweed, Nick Muir e Hannes Bieger. Com exclusividade para o Alataj, Ruede Hagelstein falou sobre os principais pontos de sua carreira. Confira:

Alataj: Olá, Ruede! Tudo bem? É um grande prazer falar com você. Podemos começar nossa entrevista falando sobre os primeiros anos de sua carreira. Tudo começo em Berlim nos anos 90, uma época onde a cidade respirava um ar de inovação muito grande na dance music. Quais são suas melhores lembranças dessa época?

Ruede Hagelstein: Olá! O techno trouxe as pessoas do Oriente e do Oeste da Alemanha reunidas, logo após a queda do muro. Havia tantos locais naquela época e tantas festas de techno, que a cena poderia crescer rápida e fortemente em Berlim. Então, minhas melhores lembranças são claramente da pista de dança. Eu ainda tenho uma forte imagem na mente, quando entrei no Tresor Club pela primeira vez (eu tinha uns 14 anos) e toquei aquela bola de plasma mágica no saguão. Senti minha carreira começar de alguma forma naquele ponto. Tresor Club foi o primeiro clube que toquei um DJ set mais tarde.

Ainda sobre Berlim, é notório que o Watergate tem um papel muito importante no seu desenvolvimento. Fale um pouco sobre o seu relacionamento com clube e como ele tem contribuído para sua formação artística. 

Eu trabalhava como jornalista ao lado de minha carreira musical. Então, eu estava prestes a escrever um artigo sobre o novo clube da cidade. Gostei da equipe e do clube, e me perguntaram se eu queria fazer uma festa lá. Nós gostamos uns dos outros, eles me contrataram como residente e me colocaram na equipe debookings.

Além de seus trabalhos no estúdio e na pista, sabemos que você também organizou algumas festas. Na sua opinião, o que público e as pistas alemãs tem de melhor?

Não sei se há alguma coisa particularmente “alemã” quando se trata de pista de dança. Tudo depende de onde e com quem você estiver. Depende da cidade e da hora. Todas as cidades alemãs estão tendo um estilo diferente. Estou sempre procurando por coisas que unem as pessoas, a energia, o amor e a música.

Seu catálogo é formado por releases em diferentes selos da comunidade internacional. Na sua opinião, estabelecer um relacionamento longo e duradouro com gravadoras ainda é uma parte essencial na carreira de artistas da música eletrônica?

Na verdade, eu não sei. Tenho relações longas com Upon You e Watergate Records, mas também estou à procura de novas aventuras.

Alguns de seus principais releases são remixes. Você se sente confortável nesse formato de produção? Qual seu remix preferido e sua grande referência para remixar?

Eu acho que Holden The Sky Was Pink remix de James Holden é o melhor exemplo de como um remix pode tratar a original da melhor forma. Levando para um next level, não fazendo algo completamente novo. É sempre uma tarefa desafiadora e interessante para mim.

Tom, harmonia e ritmo dizem muito sobre a emoção que a música pode causar no corpo e coração dos ouvintes, certo? Pra você, é mais importante fazer uma música que seja tecnicamente perfeita ou que toque a coração do maior número possível de pessoas?

As ideias contam, não a técnica, mas a técnica às vezes é a ideia. Às vezes, faixas ruins não transportam a ideia.

Se analisarmos suas produções lançadas na última década, certamente são bem diferentes do que você tem trabalhado hoje. Falando puramente sobre a liberdade para produzir música, você se sente mais criativo hoje do que há 10 anos ou não? 

Isso é verdade e acontece porque fico curioso para experimentar coisas novas. Mas acho que fico mais focado a cada dia que passa. É assim que sinto no momento.

Como tem sido tocar na América do Sul nos últimos anos?

Eu gosto da energia entusiasmante da América do Sul e acho que pode vir a ser a maior comunidade da dance music no mundo. Estou esperando algumas boas gigs no futuro.

Para finalizar, uma pergunta pessoal: o que a música representa em sua vida?

Minha vida, eu diria.

A música conecta as pessoas!