Alataj entrevista Soldera

Flutuando entre o tech house e as atmosferas melódicas que tangem o que há de mais moderno na cena house e techno mundial, Rogério Soldera aka Soldera se tornou um produtor respeitado na cena nacional, muito por conta de sua sempre precisa entrega na pista e excelente respaldo obtido através do trabalho de estúdio, que nos últimos meses garantiu a ele lançamentos em labels como MOMENT, Dear Deer Mafia e Flashmob Records.

Sua história na música obviamente não vem de hoje. Rogério tem sido um nome importante para o crescimento da eletrônica no Brasil há mais de uma década. Nesse período, executou uma importante residência no lendário Anzu Club e passou por alguns dos principais festivais do país, entre eles XXXPERIENCE, Tribe, Federal Music e MOB Festival. No último carnaval, Soldera estreou na pista do El Fortin em Porto Belo. Na ocasião, aproveitamos para bater um papo de forma exclusiva com o artista. Confira:

Alataj: Olá, Soldera! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Você possui um perfil sonoro que flutua muito bem entre o techno, tech house e house. Como foi possível construir uma identidade musical própria flertando com diferentes gêneros?

Soldera: Fala galera, prazer imenso estar aqui com vocês, agradeço a oportunidade por estar falando um pouco mais sobre minha carreira pela primeira.

Bom, realmente meus sets e minhas produções transitam muito entre esses gêneros. Acredito que o house e o techno são as bases de tudo, o “core”, gêneros que nunca saem de moda e sem dúvidas os que mais dão longevidade aos seus representantes. Foram eles que sempre fizeram minha cabeça.

Você foi um dois responsáveis pela criação da pistinha da Anzu, certamente um dos lugares históricos para cena clubber nacional. Ao lembrar de tudo o que foi vivenciado por lá, qual sentimento vem a sua cabeça?

Pô, não tem como falar sobre minha trajetória e não citar o Anzuclub e também a `Pistinha. As lembranças são as melhores, foi ali que aprendi a ser DJ, fortaleci minha personalidade musical e ganhei inúmeros amigos entre DJs, staff e público. Quando ela foi criada em 2011, a ideia era só mostrar um estilo de som diferente aos padrões do clube, mas em 2014 quando o clube alcançou a posição #19 no ranking da DJ Mag, a Pistinha foi citada como a grande responsável por essa conquista, e foi aí que também fui lembrado pela curadoria que sempre fiz junto a ela. Sem dúvidas foi o maior reconhecimento que poderia ter tido na época.

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Tomorrowland, XXXPERIENCE, Tribe e Federal Music estão entre os festivais que você já se apresentou. Na sua visão, o que a atmosfera de um grande festival traz de mais valioso para um artista?

Festival é o ápice da carreira de um artista. Grandes palcos, multidões e muita repercussão antes e após ao evento. Tenho um acumulado de oito XXXPERIENCES, dois Tomorrowlands, duas Tribes e ainda posso sentir o frio na barriga até hoje ao lembrar os minutos que antecedem as apresentações.

Você é um DJ com um histórico de residências bastante expressivo. Ao seu ver, quais fatores devem ser considerados essenciais para que a relação entre club e artista seja saudável e proveitosa para ambos os lados?

Sempre abracei minhas residências como se fossem meus clubes. No Anzuclub, onde fiquei por oito anos, eu era residente e praticamente um funcionário, participava do 360º do clube, desde problemas de operação da noite até estratégias de promoções, sempre ativo também no conselho artístico. Essa foi a maneira que encontrei para fazer uma troca justa, gosto de vestir a camisa do meu time e sempre espero reciprocidade como foi durante esses anos.

Por outro lado o DJ pode tirar o proveito, já irá criar a base para sua possível carreira duradoura. Hoje acredito que essa transição de estilos que consigo fazer durante meus sets é fruto da experiência que ganhei no clube, tanto em warm ups para a atração principal que variava de Solomun a Alesso, Gui Boratto a Alok,  quanto aos infinitos sets que fazia na Pistinha, sempre me espelhando no Carl Cox por sua longevidade como DJ. Hoje em dia a molecada sai do vídeo game e vai para o Ableton, sai de lá com apenas uma música e logo está pegando grandes palcos e tours. O caminho de hoje é o inverso do nosso.

Melodia parece ser uma das espinhas dorsais de sua música. Como você costuma trabalhar na criação deste elemento específico?

Isso é a parte mais delicada de todas as produções, comigo sempre funciona muito no estado de espírito atual, depende do dia e, às vezes, do vocal que puxa, nas últimas tracks fiz a parte melódica no Alma Music Group, eles tem excelentes músicos e um estúdio muito completo. Confesso que aprendi muito e vocês poderão ver nos próximos lançamentos que estarei com uma “roupagem” ainda mais melódica.

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C’Mon, seu mais recente lançamento, saiu há pouco pela Flashmob Records. O que você pode nos contar a respeito do processo criativo desde importante trabalho?

Essa é uma música que pode ser considerada uma grande mudança minha como DJ até então. Ela foi feita com uma vocalista que há anos estávamos estudando fazer um trabalho juntos. A Thai é de longe uma das vozes mais incríveis que temos no Brasil hoje, além de ser também uma ótima compositora. Marcamos 1 session e de primeira já saímos com a guia de vocal e melodia prontas. Além da C’mon, também temos outros singles que trabalharemos durante o ano.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Musica hoje é o ar que respiro, o alimento que tenho a mesa, praticamente o 360º da minha rotina diária, seja com produções, gigs, eventos, ou no Rooftop Garden. Somos uma coisa só.

A música conecta. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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