Formado em produção música eletrônica pela Universidade Anhembi Morumbi em 2011 e dono de uma aptidão rara ao compor, Tharik Hajar passou a primeira metade desta década imerso em música. Junto com seu irmão Moha compõe o Kultra, projeto voltado às pistas de dança que explora ambiências futuristas e grooves típicos do techno de Detroit com melodias e timbres ousados, características que Tharik pôde explorar com mais liberdade em seu primeiro lançamento solo, Parables And Paradoxes.

O álbum de 9 faixas foi lançado de maneira digital e independente, presente tanto em sites de streaming como em lojas virtuais. Ouvi-lo em sequência é obrigatório se o desejo for de ter a experiência completa e absorver a história abstrata contada, que claramente lembram as parábolas de Tarkovsky e os paradoxos de Lynch. As referências musicais são diversas, indo desde a música clássica e space music presentes em The Sower e Solaris, passando pelo jazz de Radio Jamming e Snake And Ladders, chegando ao trip hop e à música eletrônica contemporânea em Passenger e The Black Lodge. Apesar dessa versatilidade, alguns elementos são comuns a todas as músicas, como a presença de instrumentos orgânicos em quase todas as faixas e a melancolia que conduz o enredo do lançamento.

Convidamos Tharik para falar sobre quatro pontos importantes de seu trabalho. Confira abaixo as respostas do produtor:

Referências | Da música eletrônica como Nicolas Jaar, Kollektiv Turmstrasse, Arms and Sleepers. Do Jazz como Bill Evans, Hernie Hancock, Danny Zeitlin. E da música Clássica como Claude Debussy, Heitor Villa-lobos, Beethoven

Processo criativo | As primeiras músicas foram produzidas sem a ideia de um álbum em mente, cerca de um ano antes do lançamento. Em dado momento momento percebi que havia uma certa unidade entre alguns desses experimentos, o que que levou a uma busca pelo preenchimento ideal os espaços entre as músicas existentes, como uni-las dentro de um único contexto.

Diferenças entre Kultra e Tharik Hajar | No Kultra sempre temos em mente a pista de dança quando produzimos, qualquer estilo que você esteja tentando compor vai impor certas limitações de até onde você pode ir, assim o projeto solo nasce como uma forma de me expressar artisticamente sem misturar expectativas de resposta de um público específico.

Perspectivas para 2017 | Para 2017 temos já temos um EP que será lançado pela AIA records, enquanto pelo projeto solo estou explorando algumas idéias minimalistas, usando como influencia Philip Glass, Geomatrix do Anthony Rother e Nills Frahm. A idéia é ter um álbum sem demarcações entre as música, que uma comece exatamente de onde a outra acaba.

A música conecta as pessoas!