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A música conecta

Faixa a Faixa | André Arnaud – Random Pattern Generator [Nin92wo]

Foi em junho do ano passado que você provavelmente se deparou pela primeira vez com o nome de André Arnaud, em matéria do Alataj mostrando como o DJ e produtor cearense se convertia na mais nova aposta da Nin92wo de Alex Justino. Na época, o artista trazia por ela seu primeiro release oficial: o EP Apperception.

De lá pra cá, Arnaud ficou focado em seu estúdio para trazer seu segundo lançamento, que é nada menos que um álbum de nove faixas lançado na última quarta-feira (28) também pela Nin92wo. 

Chamado Random Pattern Generator, o LP traz o Techno pesado, sombrio, hipnótico e acelerado de seu criador, que já recebeu suporte inicial de grandes nomes da indústria, como Paco Osuna, Richie Hawtin, Joseph Capriati, Ilario Alicante, Lewis Fautzi, Stephanie Sykes, Charlotte de Witte, Jeroen Search, Pan Pot, Anderson Noise, Vinicius Honorio e Ramon Tapia.

Para marcar o momento especial, convidamos André para nos explicar a sua obra:

Nonlinear Dynamics | Essa faixa é resultado de muita experimentação com síntese granular para a produção de texturas, drones e FXs. Esses elementos se desenrolam  pelo campo stereo ao longo do arranjo na intenção de criar pequenos ear candys.

Newtonian Illusion | Nessa faixa tentei explorar bastante o uso de recursos de modulação e randomização para criar fluidez nos elementos. Dessa forma, pequenas diferenças vão se desenvolvendo nos mesmos elementos de forma a obter uma atmosfera irregularmente irregular.

Strange Attractor | Essa faixa representa a minha abordagem a um estilo de Techno mais abstrato, algo que ainda tenho muita dificuldade em criar. É um grande desafio pra mim criar algo que soe bem ao mesmo tempo que trabalhe com atonalidade, abstração e desconstrução. Creio que nessa faixa consegui desenvolver algo nesse sentido, inspirada pelos meus estudos em Ciência do Caos. 

Problem Child (com Alex Justino) |  Essa faixa é o meu primeiro trabalho colaborativo, realizado à distância. Utilizamos apenas recursos nativos do Ableton. Foi basicamente um experimento criativo onde a produção fluiu muito bem no vai e volta do projeto tentando tirar uma boa sonoridade de recursos simples.

Ava | A faixa mais divertida de produzir. É uma grande dança entre automações de pitch e cutoff do sintetizador Monark e um workout de hats swingados.

Angle of Attack | A faixa bleepy do release. Painéis luminosos de espaçonaves, sonares, alarmes, tudo isso me remete à atmosfera Sci-Fi e foi algo que tentei explorar nessa faixa. Essa exploração dentro do Techno não é nada incomum, tenho como referência lendas como Planetary Assault Systems (aka Luke Slater), Jeff Mills, Mike Storm e novos artistas como os argentinos Translate e Pulso. 

Scientology | Em busca de manter a simplicidade, a faixa é constituída de poucos elementos arranjados na intenção de criar uma DJ Tool agressiva.

Orbital Path | A faixa mais swingada do release vem de muita inspiração de sons “old school” mais clássicos e do trabalho contemporâneo de portugueses como VIL e CRAVO (Hayes) que vem desenvolvendo essa linha de som mais groovada e chique com maestria. Escapando um pouco da classe e adentrando o espaço, as ambiências e pads contribuem com os elementos rítmicos para criar uma atmosfera dançante e espacial simultaneamente.

Disorder of Experience | Essa faixa com toda certeza é a que possui maior carga emocional para mim. A única experimental/Ambient do release (cena que ainda explorarei bastante) foi produzida em um momento de intensa frustração acerca de dilemas éticos que me deparei durante minhas experiências práticas no sistema de saúde brasileiro. A pandemia do COVID19 e suas consequências me mostraram um lado muito sujo dos seres humanos, algo selvagem, desigual, uma realidade distópica digna de livros de Aldous Huxley. É nesse contexto que a faixa se desenvolve com elementos metálicos, tecnológicos e distópicos.

A música conecta.

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