DJ há 8 anos e produtor há 6, Fel C apresenta seu live à la Monolink: voz e guitarra. O mineiro, headlabel da Native Wolf Records, possui uma identidade sonora ímpar, formada por anos de estudo no mundo da música e seu background familiar. Desde que começou a discotecar, influenciado pelas festas de dança de rua que frequentava, percorreu um longo caminho, e chegou ao Ministry of Sound (UK), EGG (UK), Bora Bora Beach Club Ibiza e outros clubs e festas de nome, tanto da Europa, quanto do Brasil.
A personalidade musical de Fel, apesar de ampla, tem inclinação hipnótica perfeita para estilos como Melodic Techno e Indie Dance, onde ele consegue explorar o uso dos vocais e guitarra. Ele, que acaba de estrear sua primeira track com vocal autoral, sonha lançar em vinil e também já teve até banda de maracatu, conversou um pouco com o Alataj sobre música, arte, estudos e carreira.
Alataj: Felipe, muito obrigada por participar da entrevista com a gente, é um prazer te receber. Quero começar falando sobre seu currículo, você é formado em Produção Musical e Sound Design pela Point Blank Londres e graduado em Produção Fonográfica pelo Centro Universitário Belas Artes São Paulo, impressionante. Como você acredita que essa bagagem acadêmica te ajudou a desenvolver seu trabalho como é hoje?
Fel C: O prazer é meu de poder falar com o Alataj. Bom, eu nunca me considerei alguém que nasceu com talento pra música, mas sempre acreditei que o segredo está nos estudos e disciplina. Nós vamos até onde nosso desejo nos leva. Então, tomei como meu maior gosto o estudo pela música e produção.
Nem todo artista tem oportunidade de estudar para começar uma carreira. O que você aprendeu na pista da vida, que a escola não ensina?
Não dá pra adivinhar o que a pista quer ouvir, de casa. Precisa ir pra pista. A experiência de um soundsystem, de um público engajado ensina muito (e o público não engajado, também ensina muito haha).
Você acaba de lançar “Creature of the Night” com vocal autoral, como é poder dar vida à sua produção, com a sua voz? Conta pra gente, um pouco sobre o processo de criação da track.
Essa realmente foi a primeira música que cantei. Foi uma experiência produzi-la. Aos poucos fui entendendo melhor como realmente posso me expressar através da voz, e sinto isso nas produções mais recentes. Já estou louco pra mostrá-las também.
Suas músicas soam bem hipnóticas e ao mesmo tempo orgânicas, à la Monolink mesmo, como citei acima. Que artistas inspiram sua sonoridade?
O formato do Monolink foi o que mais me chamou a atenção, mas hoje tenho como minha banda favorita Fat Freddy’s Drop, da Nova Zelândia. Sonoridade única, que mistura Jazz, Dub e Techno. Claro, mas tenho influências fortes dos anos 80, como Depeche Mode, Joy Division e os clássicos como Pink Floyd e The Doors.
Sabemos que você reconheceu a importância de um DJ numa festa, quando ainda fazia dança de rua, mas em que momento se interessou por música eletrônica e decidiu discotecar e produzir? Onde entra o Live Act nessa história?
Ir estudar em Londres muda a cabeça de qualquer um. Lá não tem jeito de não passar a gostar de música eletrônica. Mas o Live Act só apareceu na minha vida este ano, quando me vi estagnado criativamente como produtor, daí vi o Live como um novo desafio.
Quando começou a tocar imaginou que chegaria a clubes como o Ministry of Sound? Como foi para você chegar até lá? Quais os sonhos para o futuro?
Pra ser sincero, quando eu toquei lá, eu não fazia ideia da dimensão que é o Ministry of Sound. Acabei me envolvendo com as pessoas certas, na hora certa. Foi incrível e inocente, mas serviu como uma grande escola viver aquela pista.
Por fim, o que a música representa na sua vida?
A música é a melhor forma que encontrei para me expressar. Muitas vezes, expressar para mim mesmo. Quando não é para expressar, é um resgate. Não faço nada sem ouvir música, nada.
A música conecta.