Jamie Jones, um dos nomes mais influentes da música eletrônica contemporânea, enfrentou um dilema silencioso que quase o tirou dos palcos prematuramente. Antes de decidir pelo caminho da sobriedade, o DJ e produtor britânico admitiu que estava planejando uma aposentadoria, acreditando que seu corpo e mente só suportariam o ritmo frenético de turnês por no máximo mais cinco anos. Na época, a rotina de viajar pelo mundo sob o efeito de álcool e substâncias e a privação severa de sono criavam um estado de exaustão que Jamie se via atravessando aeroportos em condições físicas deploráveis, sentindo que o fim de sua carreira era inevitável.

O ponto de virada ocorreu quando Jones começou a notar uma disparidade em sua felicidade: ele se sentia muito mais realizado durante seus meses de pausa, quando praticava yoga e se alimentava bem, do que quando estava exercendo a profissão que amava. Ele percebeu que o álcool havia se tornado um peso e uma ferramenta para mascarar a ansiedade social. Jamie descreve que usava a bebida como uma muleta para conseguir “entrar no clima” antes de tocar ou para lidar com a pressão de ser abordado por estranhos em ambientes de festa, o que frequentemente confundia sua percepção entre o que era o prazer de tocar e o que era apenas o ato de festejar.
Ao completar oito anos de sobriedade em 2025, o artista confessa ter transformado radicalmente sua longevidade na indústria. O abandono ao álcool não apenas melhorou sua saúde física, mas também lhe devolveu o tempo e a clareza necessários para focar na curadoria musical e na produção musical. Ele relata que, agora, consegue lidar com apenas algumas horas de sono após um show sem entrar em um colapso físico, o que o permitiu abandonar os planos de aposentadoria e focar no desenvolvimento de marcas mais sustentáveis e duradouras, como a Hot Creations e a Paradise.
Um dos aspectos mais fascinantes dessa mudança é o que Jamie chama de “consciência dolorosa” sobre suas apresentações. Ele argumenta que a sobriedade o tornou um DJ tecnicamente superior porque eliminou a ilusão causada pela embriaguez. Enquanto DJs que bebem frequentemente saem de um set acreditando que tiveram uma performance impecável — mesmo quando a pista não reagiu bem —, Jones agora possui a clareza crítica para saber exatamente quando um set foi apenas mediano. Essa percepção honesta o impulsiona a buscar constantemente novas músicas e a aprimorar sua técnica para o dia seguinte.
Esse momento de maturidade pessoal e profissional também se reflete na sua relação contínua com o Brasil. Jamie Jones retorna ao país durante o Carnaval para uma sequência de apresentações que reforçam um vínculo construído ao longo de anos com o público local e com alguns dos principais eventos e clubs da cena nacional. A agenda inclui o Carnaval da BOMA, no Rio de Janeiro, no dia 13; o Surreal Park, em Santa Catarina, no dia 15; o Ame Laroc Festival, no dia 16; e o Camarote Alma Rio, no dia 17. Uma rota que atravessa diferentes contextos e escalas de pista, evidenciando a centralidade do Brasil em sua agenda internacional.
Atualmente, em vez de recorrer a substâncias para vencer longas jornadas como essa, Jamie utiliza técnicas como o breathwork antes de subir ao palco para obter um fluxo natural de oxigênio e energia. Sua trajetória serve como um estudo de caso sobre como a disciplina e a autenticidade podem substituir os excessos da vida noturna, provando que é possível ter uma carreira longa e de sucesso mantendo a integridade mental. O que antes era um caminho em direção ao esgotamento tornou-se uma jornada de autoconhecimento que solidificou seu papel como mentor e líder na cena global.