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A música conecta

Raio X | Sam Shure

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 28.01.2026

Sam Shure vem redefinindo sua identidade artística com uma mudança consciente de direção. O produtor berlinense de raízes egípcio-alemãs deixou para trás as “atmosferas pesadas e sombrias” que marcaram seus primeiros anos para abraçar um som mais colorido, groovado e divertido, sem perder a sofisticação que o caracteriza.

Com mais de 65 milhões de streams somados até hoje, Sam consolidou sua posição na cena global através de lançamentos de impacto. Seus trabalhos recentes incluem colaborações com Monolink pela Cercle Records, releases pela TAU, Magnifik, CORE, Stil Vor Talent, ICONYC, além de seu EP de novembro pela Habitat, selo do Mind Against, onde se tornou uma das figuras centrais.

Agora em um momento de transformação sonora, Sam descreve sua nova fase com foco em “groove, diversão, cores e vida” nas pistas. Quer que as pessoas se sintam surpresas, encantadas e energizadas ao invés de imersas em ambientes densos. Apesar disso, sua música encontrou espaço nos sets de Dixon, Âme, Blond:ish, Camelphat, Adriatique e Keinemusik, demonstrando que a transição para um som mais acessível e “alegre” não comprometeu sua relevância no cenário global.

Analisando essa transição artística, quatro aspectos fundamentais explicam como Sam Shure construiu uma identidade que equilibra a sofisticação underground com acessibilidade emocional.

Este é o Raio X do Alataj.

A reinvenção como filosofia criativa constante

Sam trata a reinvenção não como necessidade, mas como filosofia central. “Sempre me empurro para explorar novos territórios sonoros sem perder a espinha dorsal do que me move: groove, ritmo e recusa em ficar parado criativamente”, explica. Essa abordagem vai além da evolução natural de qualquer artista. É uma decisão deliberada de nunca se repetir, tratando cada projeto como oportunidade de descoberta. Sua atitude artística é simples: “seja corajoso, seja curioso e nunca se repita”. É uma mentalidade que mantém sua música sempre imprevisível, mesmo dentro de códigos reconhecíveis.

A transição do underground sombrio para um lado mais colorido 

A mudança mais marcante na trajetória de Sam foi o abandono consciente das atmosferas pesadas. “Estou me afastando muito de atmosferas sombrias ou pesadas; elas não pertencem mais a quem eu sou”, declara. Hoje, ele quer que as pistas sejam mais sensuais, elevadas e cheias de vida. Essa transição representa uma reavaliação completa de como quer impactar o público.

O Panorama Bar como sua universidade não-oficial

Sam credita incontáveis noites no Panorama Bar como sua educação musical mais valiosa. “Estar imerso em sets dos melhores artistas eletrônicos do mundo me ensinou mais que qualquer sala de aula”. Berlim se tornou sua “segunda educação musical”, ensinando as raízes da música eletrônica, sua energia bruta e experimentação. Essa imersão em um dos templos da cena global moldou sua compreensão de como equilibrar profundidade e impacto. Foi lá que descobriu onde sua voz se encaixava no panorama eletrônico mundial.

A obsessão por texturas sonoras

Sam demonstra fascínio particular pela parte do sound design. Seu objetivo é que “cada faixa e cada set seja como um floco de neve, carregando sua própria identidade, texturas e reviravoltas inesperadas”. Ele cita Particles como exemplo dessa obsessão: “suas camadas, texturas e construção são diferentes de tudo que já fiz”. É uma abordagem que trata cada elemento sonoro como peça única de um quebra-cabeça maior, criando identidade através dos mínimos detalhes.

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