Axel Boman é um dos nomes mais singulares que a cena eletrônica escandinava já produziu. Sueco de Estocolmo, ele construiu uma carreira que atravessa o underground da House Music, a arte contemporânea e a curadoria de selo, tudo com um som com um som que ele próprio apresenta como cru, brincalhão e encharcado de soul. No feriado de 1° de maio, ele estará no Brasil pelo Time Warp, na Neo Química Arena, em São Paulo, festival que conta com nomes como Charlotte de Witte, Richie Hawtin, Sven Väth e Vintage Culture, entre outros.
Por trás dos sets e do trabalho de estúdio, quatro aspectos fundamentais ajudam a entender como Axel Boman construiu uma das carreiras mais consistentes e menos óbvias da música eletrônica contemporânea.
Este é o Raio X do Alataj.
Outsider since the beginning
Aos 13 anos, Axel frequentava a Fryshuset Deejay Academy, em Estocolmo. Certo dia, o professor mandou todos os alunos irem até a loja de discos local comprar discos de techno para praticar as mixagens, não os compactos de hip hop que cada um tinha trazido de casa. Foi ali que algo acendeu. Anos depois, quando todo mundo na festa ouvia hip hop, Axel era o estranho que tentava colocar techno e house. Essa tensão entre o que o que as pessoas esperavam e o que ele buscava apresentar nunca desapareceu. É a assinatura de quem aprendeu a ouvir com muita atenção e análise antes de aprender a produzir.
O ano em que tudo aconteceu de uma vez
Em 2010, no mesmo ano em que Purple Drank saía pela Pampa Records de DJ Koze e se tornava um clássico instantâneo do underground, Axel se formou no mestrado na Belas-Artes pela Universidade de Gothenburg com os bolsos vazios e grandes sonhos como DJ. No mesmo ano, levou seus equipamentos para um porão na Barnhusgatan “Rua do Orfanato” em Estocolmo, junto com Petter Nordqvist e Kornél Kovács. Ali nasceu o Studio Barnhus, hoje um dos selos independentes mais importantes da música eletrônica escandinava, com mais de 100 lançamentos.
A&R no Studio Barnhus
Anos depois, ao invés de pintar, desenhar ou fazer esculturas, Axel faz do trabalho de A&R no Studio Barnhus sua própria expressão artística, tratando o selo como a própria galeria. O nome significa “orfanato” em sueco. E virou exatamente isso: um lar para música estranha e sem endereço certo, assim como a sua própria, um eletrônico acústico, onde elementos de pista se somam ao piano bem característico de suas produções.

Quando dois mundos distintos se encontram no mesmo estúdio
A parceria com John Talabot como Talaboman começou com o EP Sideral (2014), uma homenagem ao DJ barcelonês Aleix “Sideral” Vergés, lançada pela Hivern Discs e Studio Barnhus. Um house hipnótico, acompanhado de percussão tribal e baixo marcante. A regra era uma só: cada faixa nascia de sessões conjuntas, no mesmo estúdio, entre Barcelona, Estocolmo e Gothenburg. Em seguida veio o The Night Land, lançado pela R&S em 2017, que a Pitchfork descreveu como algo que “não soa muito com o trabalho de nenhum dos dois — eles encontraram algo novo.” O disco entrou nas listas de melhores do ano da Mojo, DJ Mag e XLR8R.