Carlo construiu sua relação com o House a partir de uma familiaridade que vai além do estilo. Nascido na Espanha e estabelecido em Berlim, localidades marcadas por uma cultura clubber efervescente e em constante movimento, seu trabalho parte de um entendimento direto sobre como colocar uma pista para dançar, ao mesmo tempo em que há sensibilidade de incorporar a leveza e a historicidade de gêneros como Soul, Funk e Jazz.
Seu EP mais recente, Jungle Magic, lançado pela Dreams on Wax, é um exemplo claro desse direcionamento. As faixas mantêm o foco no groove, mas abrem espaço para acordes mais suaves, vocais com influência Soul e elementos que aproximam a pista de um clima mais quente e orgânico.
Essa assinatura foi sendo consolidada em diferentes frentes. Ao longo dos anos, Carlo passou por alguns dos principais espaços da cena berlinense e desenvolveu a Aterral como uma extensão do seu próprio percurso — um projeto que conecta selo e eventos, mantendo uma presença constante no Watergate por anos. Seus lançamentos por gravadoras como Classic Music Company e Shall Not Fade, somados à circulação internacional e à atual residência no StudioClub, em Málaga, ajudam a desenhar um caminho que se apoia em múltiplas vivências.
Convidamos Carlo a compartilhar algumas faixas que fazem parte desse universo, apontando caminhos que aparecem ao longo de suas apresentações e que ajudam a entender a maneira como ele guia a pista de dança em diferentes momentos.
Swirl People – Fears (Swirl People)
Essa faixa tem um pouco de tudo: é profunda, mas ao mesmo tempo potente, carregada de soul, e funciona de forma incrível na pista. Existe uma qualidade atemporal nela que sempre conecta com o público. Costumo voltar para essa música quando estou em dúvida sobre o que tocar, porque ela sempre entrega e cria a atmosfera certa.
USG & Monica Elam – Life 4 Living (Dub Mix)
Toquei essa faixa pela primeira vez no Heideglühen, em Berlim, às 5 da manhã de um domingo, já com o dia claro, e foi uma experiência mágica. A música parece suave e profunda, mas tem um grave muito forte. Quando entra no momento certo da pista, ela realmente transmite uma mensagem de amor.
Colour Climax – Ignorance Is Bliss (Sure Is Pure Mix)
Essa faixa já me acompanhou em muitos momentos difíceis na pista e traz inúmeras memórias. A construção é perfeita: começa com uma linha de baixo marcante e depois incorpora os vocais. Sei que não é para todo mundo, mas eu amo essa música.
Peace Division – In Piecez
Quando a noite começa a ficar mais intensa e você precisa de uma faixa que segure tudo e mantenha a energia na pista, Peace Division sempre funciona. Pode soar repetitiva ouvindo em casa, mas no contexto do club é uma arma certeira, um verdadeiro hino de pista.
LawnChair Generals – One Thing
Sei que cheguei meio tarde, mas gosto muito de LawnChair Generals e desse som no geral. Tem um pouco de tudo: puxa para o tech house, mas não é exatamente isso; também é deep, funky e bem enraizado no house. Honestamente, um dos meus produtores favoritos.
Joshua – The Breeze
Essa faixa tem tudo o que você espera de um warm-up: levanta o clima, soa fresca e positiva sem ser excessivamente alegre. A vibe mais etérea funciona muito bem para estabelecer o tom. Música de altíssima qualidade.
Rollercone – Move It (Vocal Dub)
Eu amo tudo o que o Rollercone fez no passado. As produções dele são simples, mas muito eficazes, e realmente me tocam. Essa faixa em especial me faz sentir como se estivesse na Amnesia Ibiza nos primeiros anos do movimento Balearic. Não sei se faz total sentido, mas ela acessa algo muito especial.
DiY – Feelin Jazz
Funky, deep, com influência jazzística — essa faixa cumpre vários requisitos. Quando tocada mais rápida, ela encaixa o groove e movimenta a pista com facilidade. Toquei muito isso no passado e recentemente ouvi em um set no Dias de Campo, quando Alec Falconer e Dr. Banana tocaram, e funcionou perfeitamente. Uma grande faixa.
Playin’ 4 The City – Ask Me (Bang + Carter Fun Track)
Esse remix do lendário Derrick Carter leva o original para outro nível. Gosto de tocar essa faixa pela energia mais crua e pela forma como o Carter sempre deixa sua assinatura inconfundível em tudo o que faz. É atemporal, potente e simplesmente inesquecível. Descanse em paz, Playin’ 4 The City.