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A música conecta

Raio X | Duarte

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 18.05.2026

Lançar um álbum autoral é sempre um passo importante para qualquer artista. É o momento em que a obra deixa de aparecer apenas através de singles isolados e começa a mostrar o tipo de som que se quer sustentar, as referências que permanecem, os riscos que fazem sentido e a linguagem que começa a se consolidar — exatamente o caso de ERA, de Duarte. O disco ajuda a organizar uma estética que já vinha aparecendo em sua trajetória, mas agora surge de forma mais direta: urbana, ácida, vocal, pesada e conectada ao dancefloor.

Lançado no início de abril com 8 faixas, 22 minutos de duração e colaborações com ATIANA, Roddy Lima, Void, Victor Lou e Gabe, o trabalho marca um momento de amadurecimento do produtor brasileiro e reflete a visão que Duarte vem lapidando há anos: a de um criativo que não se distancia de suas raízes cariocas para soar “internacional”, estruturando todas as suas referências através de uma linguagem de pista que funciona aqui dentro e lá fora também.

Além disso, sua trajetória é inseparável da DRT Records, selo que foi fundado em 2022 não apenas como label, mas como um ecossistema. A gravadora virou plataforma de circulação, vitrine de talentos emergentes e declaração de valores. Em paralelo, lançamentos em selos como Repopulate Mars, COCO, Kitsuné, Hellbent, Nervous, Sweat It Out, Sola e Motraxx consolidaram sua presença internacional, enquanto suportes de Diplo, Martin Garrix, Pete Tong, Marco Carola, Nicole Moudaber, Carlita, DJ Tennis, Jamie Jones, Chloé Caillet e muitos outros validaram um som que atravessa diferentes gêneros.

Por trás dessa trajetória, três aspectos específicos explicam como DUARTE construiu uma identidade que é simultaneamente local e global, pesada e visceral. Este é o Raio X do Alataj.

A síntese de identidades

DUARTE não é um produtor de house “puro”. É um artista que respira o Rio de Janeiro e suas heranças musicais — samba, rap, atitude urbana, groove de rua. Essas influências aparecem como camadas que estruturam como ele pensa suas criações e a narrativa de pista que irá construir. Sua formação musical vem de estar imerso nesses universos antes de se mudar completamente para a  música eletrônica. 

ERA cristaliza isso. Há acid, pressão, vocais cortantes e uma linguagem do tech house contemporâneo, mas há também groove, atitude e uma certa densidade que só soa assim porque foi feito por um artista legitimamente brasileiro.

A rua como linguagem para o seu som

Além das referências mencionadas anteriormente, o próprio Rio de Janeiro aparece no som do DUARTE através de suas atmosferas. Ele não tenta forçar um som abrasileirado demais, a música dele naturalmente já carrega o calor, a intensidade e esse lado mais denso e “pesado” do Rio através de vivências conectadas especialmente ao rap e ao skate.

Isso aparece nos vocais, nos grooves mais secos, nas linhas ácidas e principalmente na forma como suas faixas parecem sempre empurrar a pista para frente. E mesmo quando ele trabalha dentro de um estilo de som mais “global”, ainda há o lado carioca presente, sempre com muita verdade. 

O universo da DRT

Desde quando foi idealizada no final de 2022, a ideia da DRT nunca foi ser apenas um selo para lançar música, mas sim uma continuação natural do universo que o próprio DUARTE construiu ao redor do seu som. Os artistas próximos, os showcases, a direção visual… tudo carrega uma energia parecida que se conversa entre si. 

A gravadora surgiu justamente como uma forma de organizar e ampliar essa linguagem, abrindo espaço para diferentes vertentes e artistas que compartilham uma mesma visão de pista, mesmo partindo de referências distintas. Com o tempo, a DRT acabou ajudando a consolidar não só o nome do DUARTE, mas também a estética mais urbana, pesada e direta que passou a ser associada ao seu trabalho.

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