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A música conecta

Laura Solar: de fã da PIV a artista convidada por Prunk para tocar na Europa

Por Marllon Eduardo Gauche em Trend 26.06.2026

Existe uma parte da música eletrônica que quase nunca aparece quando se fala sobre carreira. A parte das inseguranças, das escolhas difíceis e da sensação constante de estar apostando tempo, dinheiro e energia em algo que talvez ainda leve muitos anos para acontecer. Enquanto muita gente vê apenas as fotos de festas, estúdio, viagens, existe também a realidade de artistas que passam meses economizando no limite para conseguir continuar produzindo, estudando e tentando permanecer próximos daquilo em que acreditam artisticamente. A história da Laura Solar conversa bastante com esse cenário.

Nascida em Goiânia, Laura vive hoje um momento que, visto de fora, parece difícil de acreditar. Depois de anos mergulhando e pesquisando mais a fundo a estética mais europeia do house, a artista brasileira foi convidada diretamente por Prunk para tocar em dois eventos ligados à PIV, sua gravadora, um no Thuishaven, em Amsterdam, e outro em Cova Santa, em Ibiza, com os custos de viagem pagos por ele [veja o vídeo do depoimento dela aqui]. O que faz essa história ter ainda mais peso, no entanto, não é só a oportunidade em si, mas principalmente tudo o que veio antes.

A relação da Laura com a música ajuda a entender por que essa conquista carrega tanto significado. Antes de pensar em carreira, ela já enxergava a música como algo muito mais ligado à própria transformação. “A música me tirou do modo automático de viver e enxergar as coisas. Você aprende a ouvir mais, sentir mais e perceber nuances da vida que sem ela passam despercebidas”, diz. Foi justamente essa sensibilidade que fez com que ela se aproximasse de um tipo específico de house que, segundo ela, mudou completamente sua forma de enxergar a pista e até a própria vida.

Ao longo dos últimos anos, Laura passou por diferentes vertentes até encontrar no universo da PIV um tipo de som que parecia traduzir exatamente aquilo que ela procurava artisticamente. O primeiro contato veio através de In Your Arms, do Artmann, em 2020. Depois disso, começou naturalmente a cruzar com outros artistas, faixas e referências daquele mesmo universo. Oden & Fatzo, M High, Ruze, Nautica. Mais do que ouvir, ela queria entender melhor como aquele som funcionava e, aos poucos, esse desejo virou quase uma obsessão. “Assim que escutei o som da PIV, a pupila dilatou, e eu nunca mais quis saber de nenhum outro estilo”, conta. 

Essa aproximação acabou influenciando diretamente sua identidade. O som de Laura Solar hoje é uma espécie de releitura de elementos do house dos anos 90, misturando influências de minimal house, electro e grooves mais quentes. Existe um lado emocional forte nas suas referências, mas também uma preocupação constante com a dinâmica. “Eu adoro timbres que trazem uma sensação oriental, etérea, mágica, celestial… e claro, uma pitada de espaço sideral”, resume. Ao mesmo tempo em que suas músicas trabalham melodias doces, pianos vivos e atmosferas mais elegantes, existe também um lado mais elétrico.

‘Blessing’ foi lançada em 2025 pela Elevation Music Records

Enquanto desenvolvia essa identidade, a realidade seguia bem distante de qualquer glamour. Laura conciliava produção musical com um trabalho tradicional para conseguir pagar as contas e continuar investindo no próprio projeto. Foi nesse período que começaram as primeiras viagens internacionais para tocar, ainda muito longe de uma estrutura confortável. Como muitos artistas em início de trajetória, precisou aprender a equilibrar rotina, trabalho, produção e deslocamentos enquanto tentava criar espaço para a música crescer de forma consistente dentro da própria vida. “Existe uma corda bamba entre seu trabalho tradicional e se entregar totalmente à música”, diz.

Foi também nesse processo que sua relação com a PIV começava a se tornar cada vez mais próxima. Depois de anos acompanhando a label como fã, estudando aquele universo sonoro e construindo uma conexão com a cultura em volta dela, Laura começou a se aproximar naturalmente de Prunk. Em determinado momento, passou a trocar mensagens com ele e a compartilhar algumas demos do próprio trabalho, sem grandes expectativas, mas o que parecia extremamente distante começou a ganhar outra dimensão. “Eu pensava que, para ser aceita na PIV, demoraria pelo menos uns 5, 10 anos. Sempre me comparei com artistas maiores e sabia que havia uma jornada muito longa até chegar lá”, relembra.

Meses depois, veio o convite oficial para tocar nos dois eventos da PIV, oportunidade que serviu como uma confirmação de que aquela conexão construída durante anos era real. Ela toca dia 05 de julho, no Thuishaven, em Amsterdam, e dia 08 de setembro, no Cova Santa, em Ibiza. “Pessoalmente é como entrar em um conto de fadas. A PIV, a Europa, existiam pra mim quase como um universo paralelo”, conta Laura.

A partir de agora, Laura Solar deixa de ocupar apenas o lugar de fã para começar a fazer parte do universo da label de maneira concreta. E considerando a proximidade construída com Prunk, o alinhamento artístico com o universo da PIV e o momento que seu projeto atravessa, parece cada vez mais possível imaginar que esse movimento não pare apenas nos lineups, mas avance também para futuros lançamentos pela gravadora.

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