Para muitos DJs e colecionadores de discos, reconhecer um selo na capa era suficiente para confiar em um lançamento antes mesmo de ouvi-lo. Poucas gravadoras conquistaram essa credibilidade com tanta consistência quanto a Hooj.
Fundada nos anos 90 por Alex Simons, com a participação de Phil Howells e, posteriormente, Jeremy Dickens — produtor e DJ conhecido como Red Jerry —, a gravadora lançou seu primeiro disco com Carnival da Casa, da Rio Rhythm Band. Dois anos depois, alcançou seu primeiro grande sucesso com Don’t You Want Me, de Felix, faixa coproduzida por Red Jerry e Rollo, futuro integrante do Faithless.
A identidade da Hooj Choons, entretanto, nunca esteve ligada a uma única vertente. House, Progressive House, Trance, Breakbeat, Deep House, Electro e Ambient apareceram em diferentes momentos do catálogo. O que conectava esses lançamentos era a capacidade de acompanhar as transformações da cultura clubber sem simplesmente reproduzir aquilo que já estava estabelecido. A Hooj buscava artistas, faixas e remixes que apontavam para movimentos futuros.
Durante a segunda metade dos anos 90 e o início dos anos 2000, lançamentos da gravadora apareceram com frequência em séries como Global Underground, Northern Exposure, Renaissance e Cream. Sasha, John Digweed, Paul Oakenfold, Danny Tenaglia, Dave Seaman e Steve Lawler estavam entre os DJs que incorporaram discos da Hooj aos seus mixes, ampliando a presença do selo em diferentes cenas e países.
Faixas como Beachball, de Nalin & Kane, Café del Mar, do Energy 52, Resurrection, de Medway, Greece 2000, do Three Drives on a Vinyl, e trabalhos de Tilt, Lustral, Lost Tribe, Oliver Lieb, JX e Space Manoeuvres ajudam a dimensionar a amplitude desse catálogo. Algumas chegaram às paradas comerciais; outras permaneceram como referências do circuito underground.
A Hooj encerrou sua primeira fase em 2003, retornou alguns anos depois e passou por novos períodos de atividade. Em 2023, parte dos vinte primeiros lançamentos foi remasterizada e republicada pelo projeto Early Hooj, permitindo que uma nova geração acessasse o início dessa história.
Nesta Timeline, reunimos faixas que ajudam a entender como a Hooj Choons conquistou a confiança das pistas, participou da formação do som progressivo e construiu um catálogo que continua sendo redescoberto décadas depois.
Andronicus – Make You Whole (Freshly Squeezed Mix) [1992]
Piano, breakbeats e fragmentos vocais se encontram em uma faixa que carrega a agitação da rave britânica, mas já aponta para outras possibilidades do house. Make You Whole ocupa um lugar importante no início da Hooj, registrando uma época em que as fronteiras entre os gêneros ainda estavam sendo testadas dentro da própria pista.
Hyper Go Go – High [1992]
High não economiza na euforia. O piano aparece em primeiro plano, o vocal se projeta sobre a batida e a produção preserva a urgência da rave britânica do início dos anos 90. Antes de o selo se aproximar das atmosferas mais profundas do progressive e do trance, faixas como essa mostravam sua ligação direta com o piano house e o hardcore daquele período.
JX – Son of a Gun (Red Jerry & JX Mix) [1994]
No mix de Red Jerry e JX, Son of a Gun combina um vocal curto e repetitivo com sintetizadores incisivos e uma estrutura direta. A faixa se tornou um dos maiores sucessos comerciais da Hooj e chegou ao Top 10 britânico após ser relançada em 1995. É um exemplo importante de como o selo alcançou as paradas sem perder sua presença nos clubs.
Energy 52 – Café Del Mar (Three ’N One Remix) [1997]
Lançada originalmente em 1993, Café Del Mar ganhou sua versão mais conhecida com o remix do Three ’N One. A nova leitura amplia a melodia central, prolonga o desenvolvimento e aproxima a faixa do trance que dominava parte das pistas europeias no final da década. Pela Hooj, tornou-se um dos lançamentos mais importantes ligados à história da gravadora.
Space Manoeuvres – Stage One (Space Manb oeuvre’s Separation Mix) [1999]
Desde as vozes processadas até os sintetizadores que parecem se expandir no espaço, Stage One cria a sensação de avançar em direção a algo ainda desconhecido. Produzida por John Graham, ela se encontra entre o progressive house e o trance sem recorrer à euforia mais evidente de ambos. É um dos lançamentos que melhor representam a fase mais experimental da Hooj no final dos anos 90.
Tilt – Seduction of Orpheus (Tilt’s Mythology Mix) [1999]
Parte do Dark Science EP, Seduction of Orpheus se desenvolve por meio de graves, percussões e mudanças discretas que mantêm a tensão. Tilt evita uma resolução imediata e trabalha um lado mais escuro do progressive house, com elementos que surgem aos poucos e alteram continuamente a atmosfera da faixa.
Killahurtz – West On 27th (A Tribe Called KHz Mix) [2000]
No A Tribe Called Khz Mix, West On 27th avança sobre uma linha grave constante, percussões secas e pequenas alterações distribuídas ao longo da faixa. Ela pertence ao período em que o progressive house assumia construções mais profundas e noturnas, fase que a própria Hooj identifica como um segundo momento do gênero em seu catálogo.
Pete Lazonby – Sacred Cycles (Original Mix) [2000]
Lançada originalmente pela Brainiak Records em 1994, Sacred Cycles entrou no catálogo da Hooj em 2000 ao lado de remixes de Quivver, Medway e Cass & Slide. Sequências repetitivas de sintetizadores e vozes faladas sustentam uma faixa situada entre trance e progressive house. Sua inclusão mostra como a gravadora também retomava produções anteriores para apresentá-las a outro momento da pista.
Medway – Release (Andy Moor Remix) [2001]
No remix de Andy Moor, o release ganha mais pressão sem perder o lado melódico de Medway. O baixo sustenta a faixa enquanto os sintetizadores se abrem aos poucos, em um desenvolvimento ligado ao progressive house do início dos anos 2000. Lançada ao lado de versões de Lexicon Avenue e Joeski, ela mostra como uma mesma produção podia seguir caminhos diferentes dentro do catálogo da Hooj.
Echomen – Truth (Original Vocal Mix) [2002]
Truth apresenta um progressive house mais próximo do deep house. A faixa evita os grandes riffs associados ao trance e trabalha com uma dinâmica mais contida. A faixa revela a aproximação da Hooj com o tech house e um progressive house mais profundo e emocional, mostrando como o selo continuava encontrando novas nuances mesmo perto do fim de sua primeira fase.