Para Levi Lenzi, música, pintura, design e tatuagem fazem parte de um mesmo campo de criação. O artista brasileiro transita entre essas disciplinas sem tratá-las como atividades separadas, levando para a discotecagem e para a produção uma pesquisa interessada em forma, textura, ritmo e nas diferentes maneiras pelas quais referências culturais podem se encontrar.
Na música, essa abertura aparece em um repertório que parte da estética crua da eletrônica dos anos 80 e 90, mas não permanece preso a ela. Soul, disco e early house dividem espaço com electro, breakbeat, techno e acid, enquanto a percussão funciona como um dos fios recorrentes entre essas diferentes direções. Suas produções já passaram por selos como Nice & Deadly, Perfecto Estado e Gop Tun Records, além da própria Amorfo Rec, e já recebeu suporte de Gilles Peterson na BBC Radio.
A pesquisa também se desdobra em diferentes formatos. Levi mantém a residência Peregrine na Function FM e já contribuiu com plataformas como Rádio Tempo Não Para, Operator Radio, Na Manteiga e Veneno. Em 2025, apresentou seu Live Act no no Festival Não Existe da Gop Tun e, em junho deste ano, levou sua seleção ao HÖR Berlim.
Na Troally 439, essa amplitude aparece desde os primeiros minutos. O set começa em um terreno mais experimental, entre ambiências e percussões, antes de encontrar um house mais sutil, profundo e levemente jazzy. Aos poucos, a seleção fica mais mais intensa: entram acid, electro, batidas que flertam com o funk, distorções e passagens cada vez mais aceleradas. Nos minutos finais, Levi aumenta novamente a pressão e encerra um mix que muda bastante de forma sem abandonar o fio condutor que atravessa toda a seleção. Play!