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A música conecta

Uma jornada pelas faixas essenciais do progressive trance dos anos 90

Por Alan Medeiros em Timeline 07.10.2026

Ao longo dos anos 90, as fronteiras entre trance e progressive house ainda eram menos definidas do que se tornariam nas décadas seguintes. Entre a Alemanha e o Reino Unido, produtores começaram a trabalhar faixas mais extensas, construções graduais, sequências hipnóticas, linhas ácidas e atmosferas que se desenvolviam durante vários minutos, formando um território em comum que passaria a ser chamado de progressive trance.

Parte dessa linguagem pode ser rastreada até a cena alemã do início da década, especialmente ao redor de selos como Eye Q, Harthouse e Superstition. Pouco depois, a aproximação com o progressive house britânico ampliou suas possibilidades. Gravadoras como Platipus e Hooj Choons passaram a reunir produções que transitavam naturalmente entre os dois gêneros, enquanto artistas como Oliver Lieb, Union Jack, Art Of Trance, Tilt e Blue Amazon exploravam diferentes pontos dessa interseção.

Não existia, porém, uma fórmula única. Algumas produções carregavam mais acid e psicodelia; outras se aproximavam do progressive house, com grooves mais profundos e menos elementos melódicos evidentes. Em comum, estava principalmente uma maneira de pensar a pista a partir do desenvolvimento: faixas longas, transformações progressivas e arranjos que encontravam força na forma como tensão e atmosfera eram construídas ao longo do tempo.

Até o final da década, essa linguagem havia atravessado diferentes cenas, selos e interpretações, deixando registros que ajudam a entender não apenas o progressive trance, mas também um período em que as classificações dentro da música eletrônica ainda eram especialmente porosas.

Nesta Timeline, revisitamos 10 faixas essenciais para acompanhar esse percurso durante os anos 90:

1993: POB – The Essence [Seismic Records]

The Essence apareceu em 1993 pela Seismic Records, sob o catálogo SMC 003, em um dos primeiros lançamentos de POB. A faixa voltaria a circular em novas edições e mixes ao longo dos anos seguintes, acompanhando a consolidação do produtor dentro da cena britânica.

1993: Humate – Love Stimulation [MFS]

Lançada pela MFS durante uma fase decisiva do trance alemão, a faixa pertence aos primeiros anos do Humate, então formado por Gerret Frerichs, Oliver Huntemann e H.G. Schmidt. O lançamento original também trazia um Lovemix de Paul van Dyk, ainda no começo de sua relação com o selo berlinense.

1993: Orbital – Lush 3-1 [Internal]

Lush 3-1 apareceu no segundo álbum do Orbital, hoje conhecido como Brown Album, e ganhou também lançamento em single pela Internal. O pacote de versões reuniu Underworld, Psychick Warriors Ov Gaia e CJ Bolland, registrando algumas das conexões que atravessavam a eletrônica britânica naquele momento.

1994: Underworld – Cowgirl [Junior Boy’s Own]

Parte de dubnobasswithmyheadman, primeiro álbum do Underworld na formação de Karl Hyde, Rick Smith e Darren Emerson, Cowgirl ganhou edição própria pela Junior Boy’s Own em setembro de 1994. O disco marcou a consolidação da nova fase do projeto após sua reformulação no começo da década.

1996: Blue Amazon – No Other Love [Jackpot]

O 12 polegadas de No Other Love foi oficialmente lançado pela Jackpot em 1996, período em que Blue Amazon já estava fortemente associado à escola britânica do progressive. A faixa, porém, circulava antes disso: John Digweed já a havia incluído em Renaissance: The Mix Collection Part 2, lançado em 1995.

1997: L.S.G. – Netherworld (Jules Verne Mix) [Hooj Choons]

Produzido por Oliver Lieb como L.S.G., Netherworld chegou ao Reino Unido pela Hooj Choons, licenciado da alemã Superstition. O Jules Verne Mix ganhou ainda mais projeção no mesmo ano ao entrar em Northern Exposure 2: West Coast, de Sasha & John Digweed.

1998: Der Dritte Raum – Hale Bopp [Virgin]

Depois de construir parte importante de sua trajetória inicial pela Harthouse, Der Dritte Raum chegou à Virgin com Raumgleiter em 1998, álbum que incluía Hale Bopp. A faixa ganhou também lançamento próprio naquele ano e se tornou um dos registros mais conhecidos da carreira de Andreas Krüger.

1998: Madonna – Drowned World / Substitute For Love (BT & Sasha’s Bucklodge Ashram Remix) [Maverick/Warner Bros.]

Faixa de abertura de Ray of Light, Drowned World/Substitute For Love ganhou uma versão de BT e Sasha em seu lançamento como single fora dos Estados Unidos. A participação dos produtores colocou dois nomes centrais do progressive daquela década dentro do ciclo de remixes de um dos álbuns pop mais importantes de 1998.

1998: Humate – 3.2 (Digweed & Muir’s Bedrock Mix) [Superstition]

A versão original de 3.2 fazia parte do material lançado por Humate em 1995, mas foi revisitada por John Digweed e Nick Muir em 3 & The Remixes, de 1998. Naquele momento, Bedrock já era o nome utilizado pela dupla em suas produções; a Bedrock Records seria estabelecida no ano seguinte. 

1999: Sasha – Xpander [Deconstruction]

Xpander abriu o EP homônimo lançado pela Deconstruction em julho de 1999, com produção de Sasha e Charlie May e composição também creditada a Duncan Forbes. O EP alcançou a 18ª posição no UK Albums Chart, chegando no fim de uma década em que Sasha havia ajudado a aproximar progressive house e trance por meio de seus sets e compilações.

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