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A música conecta

Benjamin Ferreira seleciona cinco clássicos da disco music que fazem parte de sua história

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 04.11.2026

A relação de Benjamin Ferreira com a disco music começou muito antes de sua carreira como DJ. Nascido e criado em Ananindeua, na região metropolitana de Belém, ele cresceu acompanhando o trabalho dos tios, que discotecavam em festas nas décadas de 1970 e 1980. Foi nesse ambiente que conheceu os diferentes sons que movimentavam a cidade, do funk e do boogie dos bailes de periferia à disco mais sofisticada que predominava em outros espaços.

No fim dos anos 1990, Benjamin ajudou a fundar o coletivo Cotonete, responsável por festas e programas de rádio dedicados à música eletrônica underground em Belém. Em 2006, mudou-se para São Paulo, onde ampliou sua atuação como DJ, produtor e pesquisador musical. Desde então, passou por festivais como Primavera Sound, Dekmantel e DGTL, lançou músicas por selos como Midnight Riot e Faze Action e criou a Stay Free, festa dedicada à disco music que se tornou uma parte importante de sua trajetória.

Essa história ganha mais um capítulo no próximo 14 de novembro, quando Benjamin divide o lineup com o Horse Meat Disco, coletivo londrino que retorna a São Paulo para apresentar sua própria festa no Brasil. Esta será a segunda vez que Benjamin irá tocar com o grupo — a primeira foi em 2023, no The Eagle, em Londres. Realizada pela House of Love, a edição brasileira acontece no Cine Jussara, na região da República, das 20h às 6h, e conta ainda com Garage Disco, Pedro Gariani e Etcetera. Os ingressos estão disponíveis pela Shotgun.

Aproveitando o encontro, convidamos Benjamin a selecionar cinco faixas que ajudam a contar sua relação com a disco music. Confira:

01. Gino Soccio – Remember [Celebration, 1982]

Uma faixa de 1982 muito à frente do seu tempo. Ultraeletrônica, com vocais naturais misturados a vocoders e uma seção rítmica que já antecipava um pouco da house music, que surgiria poucos anos depois. Sampleada por gente como Jeff Mills, em Black Is The Number, é uma das obras-primas de Gino Soccio, um nome que ainda precisa receber o reconhecimento que merece.

02. Love Unlimited – High Steppin’, Hip Dressin’ Fella (You Got It Together) [Unlimited Gold, 1979]

Outra faixa que não recebe tanto reconhecimento, exceto nos maravilhosos bailes black brasileiros. É do Love Unlimited, grupo feminino comandado musicalmente por Barry White. Tem um BPM um pouco mais baixo, mas o coeficiente sexy e sofisticado está nas alturas. Está no mesmo álbum do grande hit I’m So Glad That I’m a Woman.

03. Sylvester – You Make Me Feel (Mighty Real) [Fantasy, 1978]

Agora um hit absoluto desde que saiu, e merecidamente. Não me canso de tocar. A importância dessa música, de Sylvester como ícone LGBTQIAPN+, o primor da produção… Tudo sobre ela poderia me fazer escrever páginas e páginas. Existem inúmeros remixes e edits, mas toco sempre a original ou os edits de Soulwax e Michael Gray.

04. Diana Ross – Upside Down [Motown, 1980]

Desde criança, o álbum Diana mexe comigo de uma forma gigantesca, desde a música até a capa. Produzido por Nile Rodgers e Bernard Edwards, do Chic, e lançado em 1980 após divergências sobre a mixagem final, logo depois do movimento Disco Sucks, o disco brilhou mesmo assim. E continua brilhando, com outro grande hit, I’m Coming Out, e a maravilhosa My Old Piano. As gerações mais novas ainda redescobriram Upside Down graças à série Stranger Things.

05. Donna Summer – Prelude To Love / Could It Be Magic [Casablanca, 1976]

Poderiam ser tantas músicas dela, e quase escolhi I Feel Love, mas fiquei com essa. Talvez pela interpretação emocionada e emocionante de Donna, pela densidade harmônica ou pelos arranjos luxuosos. É uma regravação de uma balada de Barry Manilow que virou clássico da minha festa de disco music, a Stay Free. Donna Summer e Giorgio Moroder na melhor fase da dupla!

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