O House ocupa uma posição central no trabalho de Rafael Capetini, mas dificilmente aparece sozinho. DJ, produtor e engenheiro de áudio, ele desenvolveu uma pesquisa em que dub, jazz, electro, techno e diferentes referências brasileiras podem surgir dentro de uma mesma lógica, sempre acompanhadas pelo groove. Essa liberdade também está na origem da Doblado Records, selo fundado por ele a partir de uma investigação sobre a dub music e suas diferentes ramificações, e acompanha sua atuação como cofundador da festa Sonia e residente da Nervosa.
Para entender essa amplitude, basta olhar alguns de seus álbuns, como Dancing Dog, Perro Doblado e Barangandã, lançados pela 40% Foda/Maneiríssimo e Gop Tun Records, que aproximam ritmos, timbres e atmosferas bastante diferentes, enquanto trabalhos por selos como DSRPTV, Baphyphyna, Subliminar e Heels Of Love revelam outros lados de sua produção. Fora do estúdio, Capetini passou por festas e festivais como Carlos Capslock, Gop Tun, Mamba Negra, Novas Frequências, Bruma e Veludo, além de atuar nos bastidores como engenheiro de mixagem e masterização para diferentes artistas da cena brasileira.
No Alaplay 672, o house novamente funciona como ponto de partida, em uma seleção leve e bastante groovada, mas que evita permanecer em uma única atmosfera. Linhas de baixo mais encorpadas dividem espaço com passagens introspectivas e levemente lisérgicas, enquanto escolhas menos evidentes e referências brasileiras aparecem ao longo do mix. Há também um certo resgate old school na seleção, reforçando uma pesquisa que aproxima épocas e ideias distintas sem perder o caráter dançante. Play!