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A música conecta

Classmatic explora um novo caminho em Make Me Feel e sinaliza possível mudança de direção na discografia

Por Marllon Eduardo Gauche em Análise 24.04.2026

Depois de grandes hits que rodaram a cena mundial como El Primer Corazón, Catuca e Toma Dale, existe uma expectativa constante em torno do que um artista como o Classmatic vai lançar. Muito disso vem do tipo de som que ele consolidou nos últimos anos, com faixas mais voltadas para a pista e presença em selos como Hot Creations, Cuttin’ Headz e Solid Grooves. Só que Make Me Feel, lançada neste mês de abril pela sua própria Organic Pieces, segue um caminho um pouco diferente, e talvez o ponto principal aqui seja justamente esse novo direcionamento musical.

A faixa nasceu de um processo pouco planejado que se iniciou a partir de uma sessão de violão do duo israelense SIK&SEM, com quem Classmatic estava em contato para o lançamento de um EP. Porém, quando a primeira ideia chegou até ele, o que era pra ser um b-side se tornou uma collab que ele mesmo finalizou em poucas horas, de forma muito intuitiva. E esse é um detalhe importante considerando o resultado da track, já que soa exatamente assim: mais solta, leve e sem aquela preocupação evidente em cumprir um papel específico dentro de um set.

Essa mudança aparece principalmente na forma como a faixa foi construída. Em vez de partir de uma lógica puramente funcional, ela foi pensada como uma música do começo ao fim. Tem uma introdução mais direta e dançante, um meio mais melódico e profundo, e depois retorna para uma energia mais leve, criando um fluxo que não depende de um único momento. O vocal e os instrumentos orgânicos têm um peso importante nisso, já que servem como base da construção, algo que não era tão comum nas produções anteriores do Classmatic.

Esse ponto também é importante porque marca uma virada dentro do processo criativo dele. É a primeira vez que Classmatic desenvolve uma faixa desde o início com músicos e cantores envolvidos diretamente. Em vez de partir de loops ou estruturas mais tradicionais do house de pista, a música nasce como composição, com letra, harmonia e instrumentação sendo desenvolvidas juntas, e isso acaba aproximando o resultado de um formato mais amplo, que funciona fora do contexto estrito do club, deixando-a até com aquele caráter mais radiofônico.

Para um artista, sempre existe aquela pressão em performar e seguir emplacando hit atrás de hits, mas isso muitas vezes acaba sendo bastante prejudicial, já que essa cobrança desgasta e muitas vezes “atropela” o processo criativo natural de cada um. Make Me Feel aparece justamente como uma resposta a isso, só que de forma natural, sem planejar, um movimento contrário ao que a indústria pede, buscando um processo mais livre e um resultado mais alinhado com o que ele realmente se sente à vontade em produzir no aqui e agora.

Por isso, dentro da discografia do Classmatic, dá para olhar Make Me Feel como um ponto fora da curva, mas também como um indicativo do que pode vir pela frente, já que os resultados e a resposta do público com essa música vêm sendo bastante positivos. Em alguns comentários, é possível encontrar muita gente falando que é a “track do ano”, ou mesmo a “track do verão europeu”, e algumas até sinalizando que essa é a melhor faixa que ele já produziu. Ou seja, é bastante provável que essa estética mais leve, solta e descompromissada siga aparecendo nos seus próximos trabalhos.

O lançamento também conversa diretamente com o momento da Organic Pieces, que nasceu mais associada a sonoridades de tech house e minimal house, e agora começa a abrir espaço para uma abordagem mais ligada ao house mais raíz mesmo. Se a faixa vai ou não se consolidar como um dos grandes momentos do ano, ainda é cedo para dizer, mas o impacto inicial já aparece, inclusive com presença nos charts de House, no momento ocupando o Top #40. De qualquer forma, mais do que um possível hit, ela funciona como um registro de uma mudança de direção, e isso, por si só, já faz dela um lançamento relevante dentro da trajetória do Classmatic.

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