Como uma plataforma de mídia que possui mais de 8500 conteúdos publicados somente em nosso site, se existe algo que estudamos e compreendemos profundamente, é a história e as raízes da música eletrônica. Por isso, nosso voto no próximo dia 25 é 13. Votamos e sempre votaremos contra a extrema direita. Não se trata de uma decisão circunstancial, mas de um posicionamento que reflete os valores que orientam nosso trabalho e a maneira como compreendemos a cultura da qual somos parte.
A música eletrônica tem suas origens profundamente conectadas às comunidades negras, latinas e LGBTQIA+, que encontraram nas pistas espaços de expressão, pertencimento e liberdade em contextos marcados pela exclusão. Não é possível compreender a história do house, do techno e da cultura clubber sem reconhecer essas contribuições. Nossa identificação com o campo progressista parte também desse entendimento. Acreditamos em uma sociedade que reconheça a diversidade, proteja a liberdade artística, valorize a produção cultural e amplie as oportunidades de participação e expressão de diferentes grupos sociais.
Isso não significa que todas as pessoas que acompanham o Alataj precisem compartilhar nossas convicções políticas. O debate, a divergência e o pensamento crítico sempre fizeram parte da nossa comunidade, e valorizamos essa pluralidade. Ao mesmo tempo, acreditamos que essas diferenças devem coexistir com o respeito às pessoas, às suas identidades e aos seus direitos. A história da música eletrônica, construída com a contribuição fundamental de comunidades que frequentemente enfrentaram preconceito e exclusão, reforça nossa convicção sobre a importância de uma sociedade que valorize a diversidade, a liberdade de expressão e o direito de todos participarem plenamente da vida cultural.
Os três parágrafos iniciais representam a parte essencial desta carta. Mas, diante de algumas ameaças e manifestações de hostilidade que recebemos nos últimos dias, peço licença para compartilhar uma realidade pouco conhecida sobre o funcionamento do Alataj. Somos uma empresa pequena, sustentada por uma estrutura de negócio extremamente frágil e diretamente conectada à cena de música eletrônica. Nos últimos meses, publicamos diferentes conteúdos voltados à conscientização sobre as relações entre arte, cultura e política. Para além desta carta, temos procurado expressar nossas posições através da linguagem que melhor conhecemos: o conteúdo. São decisões que fazem parte do nosso entendimento sobre a responsabilidade de uma plataforma de comunicação.
Entretanto, assumir publicamente uma posição como esta não é uma mera decisão. Em um país e em uma cena profundamente polarizados, sabemos que isso também pode colocar em risco nossa própria existência e continuidade. Desde 2012, o Alataj contrata, de maneira fixa ou pontual, diferentes profissionais da indústria criativa: redatores, designers, ilustradores, editores e outros colaboradores. Existe uma responsabilidade concreta com essas pessoas, com o trabalho que desenvolvem e com as famílias que dependem dessas atividades. Infelizmente, algumas pessoas que desconhecem completamente a estrutura humana e profissional por trás do Alataj se sentem no direito de dirigir ameaças, ofensas e manifestações de profundo desrespeito ao projeto.
Nossa posição política não define quem pode acompanhar o Alataj, mas nossos princípios definem o ambiente que desejamos construir. Continuaremos recebendo diferentes opiniões, fazendo o conteúdo que acreditamos, questionando a própria cena e reconhecendo sua complexidade, assim como na política.