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A música conecta

Uma carta aberta à comunidade do Alataj

Por Alan Medeiros em Carta da Redação 13.10.2026

Como uma plataforma de mídia que possui mais de 8500 conteúdos publicados somente em nosso site, se existe algo que estudamos e compreendemos profundamente, é a história e as raízes da música eletrônica. Por isso, nosso voto no próximo dia 25 é 13. Votamos e sempre votaremos contra a extrema direita. Não se trata de uma decisão circunstancial, mas de um posicionamento que reflete os valores que orientam nosso trabalho e a maneira como compreendemos a cultura da qual somos parte.

A música eletrônica tem suas origens profundamente conectadas às comunidades negras, latinas e LGBTQIA+, que encontraram nas pistas espaços de expressão, pertencimento e liberdade em contextos marcados pela exclusão. Não é possível compreender a história do house, do techno e da cultura clubber sem reconhecer essas contribuições. Nossa identificação com o campo progressista parte também desse entendimento. Acreditamos em uma sociedade que reconheça a diversidade, proteja a liberdade artística, valorize a produção cultural e amplie as oportunidades de participação e expressão de diferentes grupos sociais.

Isso não significa que todas as pessoas que acompanham o Alataj precisem compartilhar nossas convicções políticas. O debate, a divergência e o pensamento crítico sempre fizeram parte da nossa comunidade, e valorizamos essa pluralidade. Ao mesmo tempo, acreditamos que essas diferenças devem coexistir com o respeito às pessoas, às suas identidades e aos seus direitos. A história da música eletrônica, construída com a contribuição fundamental de comunidades que frequentemente enfrentaram preconceito e exclusão, reforça nossa convicção sobre a importância de uma sociedade que valorize a diversidade, a liberdade de expressão e o direito de todos participarem plenamente da vida cultural.

Os três parágrafos iniciais representam a parte essencial desta carta. Mas, diante de algumas ameaças e manifestações de hostilidade que recebemos nos últimos dias, peço licença para compartilhar uma realidade pouco conhecida sobre o funcionamento do Alataj. Somos uma empresa pequena, sustentada por uma estrutura de negócio extremamente frágil e diretamente conectada à cena de música eletrônica. Nos últimos meses, publicamos diferentes conteúdos voltados à conscientização sobre as relações entre arte, cultura e política. Para além desta carta, temos procurado expressar nossas posições através da linguagem que melhor conhecemos: o conteúdo. São decisões que fazem parte do nosso entendimento sobre a responsabilidade de uma plataforma de comunicação.

Entretanto, assumir publicamente uma posição como esta não é uma mera decisão. Em um país e em uma cena profundamente polarizados, sabemos que isso também pode colocar em risco nossa própria existência e continuidade. Desde 2012, o Alataj contrata, de maneira fixa ou pontual, diferentes profissionais da indústria criativa: redatores, designers, ilustradores, editores e outros colaboradores. Existe uma responsabilidade concreta com essas pessoas, com o trabalho que desenvolvem e com as famílias que dependem dessas atividades. Infelizmente, algumas pessoas que desconhecem completamente a estrutura humana e profissional por trás do Alataj se sentem no direito de dirigir ameaças, ofensas e manifestações de profundo desrespeito ao projeto. 

Nossa posição política não define quem pode acompanhar o Alataj, mas nossos princípios definem o ambiente que desejamos construir. Continuaremos recebendo diferentes opiniões, fazendo o conteúdo que acreditamos, questionando a própria cena e reconhecendo sua complexidade, assim como na política. 

A MÚSICA CONECTA 2012 2026